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vieram daqui: http://www.flickr.com/photos/64734397@N06/ e do Facebook também

On Stage – Andre Matos: A Voz do Metal Brasileiro


Equiparar a arte de fazer música ao jogo de xadrez pode ser uma analogia fria e, talvez, sem fundamento, afinal, o primeiro prioriza as emoções e segundo detém o foco nas questões analíticas. Todavia, tanto o cenário musical quanto o estratégico do xadrez tomam a precauções de terem consigo suas respectivas peças chaves, onde num estalar de dedos conseguem mudar todo um cenário. E pensar no cenário metálico brasileiro e suas principais figuras – ou peças fundamentais – vêm fácil, fácil, à cabeça o nome Andre Matos e toda sua obra que faz do heavy metal nacional não uma unanimidade por excelência, mas prova que com muito comprometimento, talento e com a máxima: fale menos e faça mais, se constrói uma carreira de sucesso, vide discos seminais que vocalista lançou, por exemplo: Theatre of Fate (Viper); Angels Cry e Holy Land (Angra); Ritual (Shaman), que, sem menor gota de dúvida, são argumentos justos de ter o nome Andre Matos no legado do heavy metal brasileiro. E foi para saber mais da reunião com a banda Viper, disco novo, carreira solo, Opera Rock Tommy…. Que fomos bater um papo com o simpático, Andre. Então, caro amigo, pode abrir sua gelada e aumentar o som porque o bate-papo é dos bons…
 Parece que o ano de 2012 reserva boas surpresas aos seus fãs antigos com a turnê To Live Again Tour, rememorando seu tempo com a banda Viper. Conte-nos um pouco mais dessa história de reavivar a época do Viper?
Andre Mantos: Bem, essa foi uma idéia que nós, ex-membros do Viper, os remanescentes da formação original, tivemos, pois, independente das nossas carreiras e tudo que ocorreu ao longo dos anos, nós nos mantivemos amigos, vizinhos de bairro, em São Paulo. Ou seja, volta e meia nós nos encontrávamos para bater papo e sempre voltava à tona essa idéia de fazer alguma coisa comemorativa, fazer algo para valer juntos. Há uma fase anterior em que o Viper voltou com outro vocalista, o Ricardo Bocci, que era um excelente cantor, e lançou o disco de inéditas, All My Life, cujo álbum eu participei e realizei alguns shows como convidado. Com isso, o Viper estava em outra etapa com vocalista próprio, e eu super focado na minha banda solo, logo, a reunião com a banda não se faria possível. Mas eu sabia que passaria um período no Brasil, porque não estou morando o tempo todo aqui, e voltaria ao país para turnês da banda solo e da gravação do novo disco, cujo processo começará em breve. Com isso, eu teria essa disponibilidade e coincidiu de encontrar com o pessoal do Viper. Aliás, quem levantou muito essa questão da reunião foi o pessoal do site Wikimetal, porque são nossos amigos há muitos anos, quando do começo da banda. Eu me lembro que cada um dos integrantes fora entrevistado, um por vez, e nessas entrevistas se via muito claramente que havia em cada um a vontade de voltar trabalhar novamente juntos, mas a questão era: vontade nós temos, no entanto, não sabemos quando e como. E foi questão de alguns meses atrás que nos encontramos e veio à ideia definitiva de fazer a reunião com todos os membros originais, inclusive com o Yves Passarel.
Mas o Yves não é membro do Capital Inicial?
Andre: Sim! Ele está no Capital há dez anos e a banda tem uma agenda fixa com shows marcados pelo ano inteiro, então, nessa reunião ele colocou para a gente: ‘quero muito participar, claro, por uma questão de amizade e afinidade, mas não poderei participar de todos os shows, porque tenho compromissos marcados há mais de seis meses e não posso faltar’.
São 22 anos que separam o artista Andre Matos e a banda Viper.  Nesse ínterim, com certeza, ambas carreiras passaram por inevitáveis processos de amadurecimento. Você acredita que esse fator tempo será facilitador, no sentido de algo como: calçar aqueles confortáveis pares de chinelos, ou será algo que exigirá mais cautela, afinal, são carreiras com respostas e vivências diferentes?
Andre: Com certeza será como colocar um par de chinelos antigo! Eu me mantive mais ativo na cena, mas, honestamente, entre nós não há problema quanto a isso, mesmo que, eventualmente, eu tenha alcançado uma projeção maior fora do Viper não irá interferir em nada, e tem mais, naquela época era muito difícil alcançar uma projeção desse tipo. Nós fomos um dos pioneiros! O que prevaleceu de tudo isso foi a nossa amizade. Nós nos gostamos muito, de verdade. E nos ficou muito claro quando entramos no estúdio para ensaiar pela primeira vez, eu, por exemplo, não sabia o que esperar, mas me surpreendi positivamente ver os caras tocando. E há uma coisa que costumo responder em entrevista quando me perguntam qual o período da minha carreira mais gosto e ou tenho boas memórias, e eu sempre digo: foi o período com o Viper.
Mesmo com o estrelato da sua carreira com Angra e os álbuns Angels Cry e Holy Land?
Andre: Sim! O Angra foi pontuado pelo profissionalismo. O Viper era tudo na raça! Nós pegávamos ônibus de linha carregando instrumento nas costas para tocar na periferia ou onde havia espaço, e quem viveu isso nunca esquece, então, eu dou muito valor a essas coisas. Nós fazíamos música por amor, pelo romantismo de fazer heavy metal num país recém saído da ditadura militar aonde nada era permitido, por isso essas experiências foram tão interessantes e marcantes para cada um de nós.
Essa volta não vai se basear somente no saudosismo e nostalgia, afinal, somos pessoas diferentes hoje em dia que evoluíram de uma forma ou de outra, portanto, a ideia não é tentar imitar o que éramos há vinte anos, mas, sim, resgatar um pouco daquela essência, e mesmo com outras experiência e vivências diferentes quando nos juntamos no estúdio para tocar, e vai ser assim ao vivo, a fraternidade continuou a existindo.
O projeto tem como força motriz a execução dos álbuns Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate.  Ambos são discos relativamente pequenos, que juntos totalizam algo perto de um concerto de uma hora e meia. Vocês planejam incluir outro material ou talvez uma música nova?
Andre: Nós estamos preparando algumas outras coisas, mas nada inédito. Não foi composto nada inédito e isso, teoricamente, seria uma segunda etapa do trabalho que nós não planejamos ainda. Nós vamos fazer uma turnê comemorativa que vai durar um mês e meio, ou seja, começa e termina aí. Como se fosse evento único! Haverá uma continuação disso? Isso depende de inúmeros fatores e nós não queremos dar o passo maior que as pernas prometendo mil coisas agora, porque o que temos de concreto é essa turnê com começo, meio e fim. Além disso, vou me dedicar exclusivamente à minha carreira solo, porque já estou gravando o disco novo, e a partir de Agosto ou Setembro já estarei em turnê com a carreira solo, então, para aqueles que pensam: o Viper vai continuar agora? Não! É uma coisa pontal.
Que atribuição de valor e responsabilidade você agrega a ambos os discos na formação do cenário metálico brasileiro?
Andre: Eu não quero puxar a sardinha para nossa brasa dizendo que nós éramos os únicos porque não os fomos. Antes de nós o pessoal do Stress, Dorsal Atlântica, Sepultura, Vulcano, Santuário, Centúria, Salário Mínimo, etc, já tinham lançado seus discos e essas bandas que devem ser lembradas e veneradas por quem se interessa pela origem do movimento.
A diferença é que nós começamos com uma idade tenra, vamos dizer assim. Eu comecei com treze para catorze anos; o Pity tinha quinze, ou seja, todo mundo variando entre catorze a dezesseis. Éramos garotos querendo fazer musica, querendo fazer metal.
O primeiro show foi o que pegou fogo?  
Andre: O primeiro show foi em 1985, e não foi esse que pegou fogo, não. Esse foi mais tarde em 1988 ou 1989. Eu já tinha feito o número com a tocha várias vezes e nunca tinha pegado fogo, mas é aquela história: o cara que se afoga é o que sabe nadar bem! Depois daquele episódio nunca mais! Mas tem um pessoal que ainda espera esse número nos novos shows (risos).
Mesmo colocando fogo no palco e a pouca idade vocês compartilharam todo o movimento heavy metal da época.
 Andre: (risos)… Soldiers of Sunrire foi lançado em 1987, e não deixa de ser um dos pioneiros do estilo. Já o Theatre of Fate, de 1989, foi um marco, porque foi um dos primeiros discos nacionais com uma produção internacional, e lógico que há de dar crédito a isso, afinal, veio um renomado produtor inglês para gravar o álbum; o disco foi gravado num estúdio, que não existe mais, que era da BMG/RCA, em São Paulo, que tinha um equipamento absurdo, tanto que o som daquele disco é atual e as músicas são maravilhosas. Eu sou suspeito para falar, mas acho as canções tão incríveis que falam por si só. Esse álbum é o caso de estar na hora certa e no lugar certo.
Com o Viper e Shaman você lançou dois álbuns de estúdio e com o Angra um pouquinho mais: três discos de estúdio. Por que dessa inquietação?
Andre: Vou ser muito sincero com você: funciona enquanto há clima e sincronicidade na banda, e se em algum momento isso é atrapalhado ou cessado o desenrolar são as brigas de egos e coisas do gênero. E para mim isso funciona. Eu não sou o tipo de cara que topa subir no palco com uma pessoa que não estou me dando bem ou não falo, e estar lá apenas pelo negócio ou lado do business, então, eu não tenho medo de recomeçar, aprendi a recomeçar desde cedo.
Praticar esse desapego é difícil, não é?
Andre: Uma separação é sempre difícil e doloroso.
Mudando de assunto, o seu nome sempre foi sinônimo de qualidade musical. Dito isso, o projeto Symfonia, com o álbum In Paradisum, passa longe de qualquer coisa que você já tenha produzido, visto que o projeto falha com idéias mal trabalhadas e elaboradas. E olha que tinha gente boa no negócio como você, Uli Kusch e Timo Tolkki. Então, porque a coisa desandou de tal forma?
Andre: Symfonia iniciou como um projeto que tomou ares de banda e foi interrompido precocemente. Eu acho que foi uma coisa que poderia ter evoluído e ter feito mais, mas não dependeu de mim. Foi arbitraria a decisão de cessar esse projeto.
Você acha que não teve a demanda suficiente para o projeto?
Andre: Eu não tenho nada a reclamar em relação a isso, porque acredito que tudo que você começa, e olha que eu tenho experiência nisso de recomeçar tudo, você tem um caminho a trilhar, então, você não pode esperar estar no topo da montanha de um dia para o outro, há o caminho a trilhar e é justamente nesse ponto que houve discordância de mentalidades entre os envolvidos, achando que só reunindo alguns nomes famosos a coisa seria um sucesso imediato.
Você considera que In Paradisum depõe contra ou a favor de sua carreira?
Andre: Eu gostei muito! Eu o considero um ótimo disco composto por ótimos músicos e os shows foram de uma energia incrível, com feedback excelente para a banda e química excelente no palco. Por mim, eu não tenho nada a reclamar, mas eu sou um cara que tenho a tendência de fazer as coisas não visando o lucro imediato, eu faço só quando realmente gosto e me alimento disso. O lucro financeiro vem depois, afinal, sobrevivo de fazer música, dão-se outros jeitos de sobreviver, mesmo apostando num projeto a médio prazo. Ás vezes, você precisa fazer um segundo, terceiro ou quarto disco para receber o merecido reconhecimento. Muitas são as bandas que esperaram quase dez anos para chegar ao patamar que elas mereciam.
Você lançou com o Angra três discos de estúdio oficiais, sendo que os que estouraram foram o Angels Cry e Holy Land. Como foram os feedbacks dos discos e turnês naquela época?
Andre: Na época, o álbum Holy Land foi extremamente criticado, e hoje, talvez, seja considerado o melhor da carreira do Angra.  Mas na época nós sofremos, principalmente, no Brasil. No mercado internacional, não! Aqui foi muito detonado, mas lá fora foi bem entendido.
Devido aos elementos brasileiros?
Andre: Justamente! Muita resistência do público, que muitas das vezes é extremamente conservador. O disco demorou uns dez anos para ser bem aceito aqui no Brasil. E, sem dúvida, é um dos discos o qual me entreguei em 100% na composição.
A composição na época era focada em você e no Rafael Bittencourt?
Andre: Sim!  O foco era em nós, mas os outros também participaram.
O conceito do álbum veio de quem?
Andre: Se eu não me engano, eu desenvolvi esse conceito junto com o Rafael, mas a música, Holy Land, eu fiz sozinho. E esse conceito do título do disco veio da música que eu fiz.
Diante do feedback que vocês tiveram na gringa com o Holy Land seria esperado um álbum nos mesmo trejeitos, mas foi totalmente o extremo com o Fireworks.
Andre: Com certeza, porque a tendência é você sempre evoluir para algum lugar.
E é difícil agradar todo o público, por exemplo: se fizer um disco igual ao anterior você está criatividade e se inovar demais você perde suas raízes.
Andre: A grande sacada, na realidade, e em como tudo na vida, é você ter o equilíbrio.  As pessoas não entendem o que é estar na pele de um músico. É muito fácil criticar quando você não tem a responsabilidade de fazer as coisas, mas quando você faz você fica numa corda bamba, onde farei um trabalho que para mim é motivador? Ou vou farei aquilo que meu público deseja ouvir? Muitos incorrem no erro extremo de se repetir apenas para satisfazer o público e outros correm o risco oposto: não satisfazer nada o público e fazer aquilo que quer. As coisas não são por aí! Você tem que lembrar que você não faz música só para você. Quer fazer música só para você? Grava suas próprias músicas e você mesmo as escuta sozinho. Eu faço isso. Tenho minhas composições clássicas que compus para mim. Mas, por outro lado, essa postura reacionária e o medo de inovar são perigosos, porque você vai receber criticas como: mais do mesmo; o cara não tem mais criatividade e não se reinventa há anos, então, há de achar o caminho do meio, nem tanto ao mar e nem tanto a terra, sabendo inovar e manter suas raízes, o que é benéfico, mas isso demanda concentração e muito autocontrole.
Nota: Realizei essa entrevista para o Jornal do Interor Sul Fluminense. Agradeço o apoio da produtora SNS Produções. 

Mais shows da turnê To live Again do Viper com Andre Matos:


ATENÇÃO!!!
Mais 5 shows da To Live Again Tour do Viper confirmados:

28 de junho – Ribeirão Preto – Vila Dionisio
29 de junho – São José do Rio Preto – Vila Dionisio

10 de julho – Rio de Janeiro (mais informações aqui)

14 de julho – Araraquara (mais informações aqui)
21 de julho – Porto Alegre – Teatro CIEE (mais informações aqui)

Maiores detalhes serão divulgados em breve…

Mensagem do Rodrigo Silveira:


“Hoje acabei de gravar as bateras do novo CD do Andre Matos ! 10 faixas mais 5 bonus tracks para o Japão!

Satisfeito com o resultado, e feliz por ter vencido mais um desafio na minha carreira! Gostaria de agradecer publicamente ao Andre e aos meus companheiros de banda Hugo MariuttiAndré Hernandes e Bruno Ladislau pela confiança no meu trabalho e por terem acreditado em mim !
Obrigado também ao Adriano Daga e aoBrendan Duffey pelo empenho e pelo som, ficou uma pancada!!!
É isso aí, não vejo a hora de ficar pronto pra voces ouvirem!
Abraço a todos !”
 — em Norcal Estúdios.

Andre Matos participará do album debut do grupo Empürios


O vocalista Andre Matos (Viper, ex-Angra, Shaman) é o convidado especial do debut álbum da banda carioca EMPÜRIOS, intitulado “Cyclings”. O músico registrou a música “Over The Fire”, um dos carros chefe do referido trabalho.

Em paralelo, a EMPÜRIOS está em negociação com selos no Brasil para o lançamento de “Cyclings”. Para mais informações de como contratar o artista, basta entrar em contato com a MS Metal Press através do e-mail contato@msmetalpress.com.

Para mais informações sobre todas as atividades da banda EMPÜRIOS, basta entrar em contato com a MS Metal Press através do e-mail contato@msmetalpress.com.

Ouça uma versão da Over the fire ao vivo no RJ:

fonte:  http://www.msmetalpress.com/2010/index.php?option=com_content&view=article&id=2252%3Aempuerios-andre-matos-participara-do-debut-album-do-grupo&catid=37%3Anews&Itemid=59

LUCRO: VILÃO OU MOCINHO?


Encaramos 24 personalidades para entender o que torna a vida mais rica

Felipe Gonzalez

Lucrar é obter – ou levar – vantagem. é fazer o bolo crescer para depois dividir. ou comer sem dividir com ninguém. Encaramos 24 personalidades para entender o que torna a vida mais rica

No início, bandas como Deep Purple, Black Sabbath e Led Zeppelin me pareciam mais preocupadas em solidificar um novo estilo do que em vender uma imagem. O primeiro “comerciante” foi o Kiss, com aquela produção toda e visão empresarial. Mas ainda assim o lucro parecia mais a consequência do que a causa de tudo. Hoje, com as gravadoras à deriva, começou um canibalismo artístico em busca do lucro a qualquer preço. Bandas se tornaram “elefantes brancos” a serem sustentados. Talvez o Iron Maiden seja um exemplo, vivendo fiado na marca poderosa que possui. Quando começamos com o Viper, em meados dos anos 1980, nosso sonho era gravar um disco na Europa e fazer turnê no exterior. Quinze anos depois, já sentia as decisões artísticas submetidas ao business. A história da minha segunda banda, o Angra, empresariada pela revista Rock Brigade, ilustra isso. Hoje me arrependo daquilo. Gostaria muito de saber aonde teríamos chegado sem os privilégios que a revista nos dava.
Andre Matos, ex-vocalista das bandas Viper, Angra e Shaman, atual Andre Matos Band

Todos podem lucrar quando uma cidade valoriza o planejamento urbano, mas os maiores beneficiários são seus próprios moradores. A cidade é um negócio lucrativo para inúmeros agentes econômicos: comerciantes, industriais, promotores imobiliários, empresários de ônibus, empreiteiros de obras públicas, concessionários de serviços de limpeza pública… Eles “vivem” da cidade, mas suas atividades precisam ser reguladas para não afetar a qualidade de vida dos que moram e trabalham, inclusive desses próprios empresários. Nos países pobres ou muito desiguais, como é o caso do Brasil, as pessoas geralmente não dão muita importância para o planejamento, cujos resultados aparecem apenas a médio e longo prazo. Prevalece uma visão imediatista, que acaba por prejudicar o futuro da cidade. Como o espaço urbano é lócus de muitos interesses particulares, o planejamento urbano precisa ser participativo, ou seja, garantir que todos possam debater a cidade que querem. Não por acaso, as melhores cidades do mundo são as que foram planejadas e, ainda mais, as que são geridas de forma participativa. Quem lucra é o cidadão.
Nabil Bonduki, arquiteto, urbanista e professor da FAU-USP

Quando o lucro é fruto de atividades ilícitas, do crime organizado, merece total reprovação do Estado e da sociedade. Ele cria uma economia paralela, não contabilizada e não tributada. Beneficia uma minoria e causa profundos danos à maioria. Fomenta o fortalecimento da própria criminalidade, pois nela é reinvestido. Em atividades lícitas, dentro da livre iniciativa privada, desde que tenha uma finalidade social, o lucro é indispensável para a empresa e para a sociedade.
Odilon de Oliveira, juiz federal, recordista em condenar traficantes, alvo constante de ameaças de morte

Lucro é bom quando todo mundo sai lucrando, inclusive o planeta. Por isso sempre digo que o lucro não pode ser medido apenas no aqui e agora, mas na história. Não se pode sacrificar recursos de milhares de anos pelo lucro de algumas décadas ou alguns anos. Não se pode vê-lo de uma forma atemporal porque o prejuízo também é medido na história. Sem o lastro da ética ou dos valores, o lucro cria bolhas de vantagens e prosperidade que não têm sustentação. É essencial essa perspectiva.
Marina Silva, líder socioambiental

Lucro pra mim é grana. O dinheiro traz felicidades, tudo que existe de bom no mundo é o dinheiro. Não adianta você falar que não, você não pode pôr o pé pra fora de casa que já tá pagando. Quando você chegar na minha idade [78 anos], vai ver que o dinheiro é muito bom, é 99% felicidade. Esse negócio de dizer que dinheiro não traz felicidade é conversa mole, não vai atrás disso não. Saúde é maravilhoso, mas tenho uma dor no joelho e penso: estar com essa dor e muita grana é melhor do que sem a dor e sem grana.
Conradino Milton Scotti, vendedor

Depois que fiz o filme Quem se importa [documentário sobre empreendedores sociais ao redor do mundo, com entrevistas de 18 entre os maiores nomes do setor social] aprendi que há pessoas brilhantes com ideias inovadoras para solucionar os grandes problemas da humanidade. E que é possível SIM acabar com os maiores problemas do mundo. Percebi que o empreendedor de negócios e o empreendedor social têm o mesmo espírito. Nasceram da mesma semente de inquietação e capacidade de implementar suas ações. Mas, enquanto o empreendedor de negócios visa o lucro dos acionistas, o empreendedor social busca o lucro do bem-estar comum, do desenvolvimento da comunidade ao seu redor.
Mara Mourão, diretora e roteirista

Lucro é quando eu compro essa folha de Zona Azul por R$ 2 e vendo por R$ 3.
João dos Santos, vendedor de Zona Azul

Depende da referência. A maior riqueza que existe é o quanto a gente conhece de si, o que está dentro da gente. Se você está autossatisfeito, esse é o maior lucro, a maior dádiva que o homem pode ter é a felicidade interior.
Boddhana Tattva, monge Hare Krishna e vendedor de incensos

Profissionalmente, lucro para mim seria a diminuição da criminalidade. Servir a população pra mim é lucro, porque somos pagos para isso.
André Ricardo, policial

Lucro pra mim é viver bem sem atropelar ninguém. É viver sem lucrar com a exploração ou o trabalho escravo de outras pessoas.
Rappin Hood, rapper

leia o restante da reportagem clicando aqui

Viper na rádio UOL


Nessa sexta-feira, 18 de maio, às 23:30, a cozinha do Viper vai estar no programa Heavy Nation da Rádio UOL comandado pelos amigos Julio Feriato e Paula Baldassari. O baterista Guilherme Martin e o grande baixista e principal compositor da banda Pit Passarell contam tudo sobre os shows de volta do Viper com André Matos – Não percam!

Vídeos do Viper no Altas Horas


Rebel Maniac

http://altashoras.globo.com/videos/t/programa/v/viper-volta-a-tocar-com-o-guitarrista-yves-passarell/1945410/

(caso suma do site da Globo, tem no Youtube também:

Living for the Night

http://altashoras.globo.com/videos/t/programa/v/viper-volta-a-tocar-com-o-guitarrista-yves-passarell/1945410/

1. Por que a volta e por que agora?
Felipe Machado 
- Essa volta não chegou a ser realmente planejada, uma série de fatores acabaram ajudando para que ela acontecesse agora. Em primeiro lugar, todo mundo que gosta do Viper sempre nos cobrou essa volta, principalmente porque todo mundo sabe que os integrantes da banda sempre se deram bem. E, realmente, não tinha uma razão para que não houvesse a volta. Mas ela nunca foi organizada, até que o baterista Guilherme Martin começou a botar pilha em todo mundo para a gente voltar a tocar, fazer um show. E daí entrou o pessoal do Wikimetal na história, querendo entrar como produtores da turnê. A partir daí, levantamos a agenda de todo mundo e percebemos que o mês de julho seria perfeito. Para completar, esse ano o disco de estreia da banda, ‘Soldiers of Sunrise’, lançado em 1987, completa 25 anos. É uma data tão especial que acabou caindo como a cereja do bolo em toda essa história.

2. Foi estranho voltar a tocar com André Matos?
FM -
 Todo mundo lembra do Viper com o Andre porque os dois discos marcaram muito, mas na verdade o Pit Passarell foi o vocalista que gravou mais discos e ficou mais tempo à frente do Viper. Mas acho que essa é a razão da expectativa com essa turnê: muito pouca gente, de verdade, viu a banda ao vivo com o Andre. E ele é um vocal sensacional, claro, então é muito bom tê-lo de volta. Com o Pit a gente fazia um som um pouco diferente, adaptava os arranjos ao estilo de vocal dele. Com o Andre podemos fazer qualquer coisa, tocar qualquer canção do repertório que ele simplesmente detona. Foi muito bom voltar a tocar com ele, até porque nunca perdemos o contato. Eu até já escrevi release para o Shaaman…

3. Que história simboliza o retorno e quais são os planos pós turnê?
FM -
 Não temos planos além da turnê, pelo menos por enquanto. É claro que seria legal gravar um disco novo, etc, mas dizer qualquer coisa nesse sentido seria colocar o carro na frente dos bois. Queremos caprichar nessa turnê, ver como ela vai rolar, até para ter um termômetro do que poderia ser um disco novo. Mas por enquanto é isso mesmo: uma turnê comemorativa que vai durar um mês. Quanto às histórias, o Viper sempre tem boas histórias de bastidores. Infelizmente, nem todas são publicáveis… Mas uma das melhores é a história da tocha, uma tocha de verdade que o Andre entrava durante Soldiers of Sunrise. Uma vez a tocha caiu e quase colocou fogo no teatro… Você acredita que estão pedindo para a gente incluir a tocha nos efeitos do novo show? E o pior é que a gente achou a ideia boa!

http://entretenimento.r7.com/blogs/luiz-pimentel/2012/05/14/everybody-everybody/

Amanhã assistam o Viper na televisão!


Não percam nesse sábado, 12/05 – Viper no Altas Horas!!! O programa passa na Rede Globo da madrugada de sábado p/ domingo (acho que o horário varia…mas é lá pela 1 da manhã ou 1 e meia…). E domigo às 16:00hs reprisa no canal Multishow (TV a cabo).

Andre Matos em Volta Redonda


Segundo Tiago Reis, o set list do show de Volta Redonda foi o seguinte (não necessariamente nesta ordem):
1-Leading On
2-I Will Return
3-Rio
4-Mentalize
5-Innocence
6-Solo Zaza
7-The Myriad
8-Reason
9-Separate Ways
10-Prelude to Oblivion
11-Lisbon
12-Living for the Night (a pedidos da plateia)
13-Holy Land
14-Carry On
15-Another One Bites the Dust (com apresentação dos músicos, brincadeiras, etc)
16- Pride

Fotografias: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.344719742249337.81004.291205364267442&type=1&fb_source=message

https://www.facebook.com/photo.php?v=365179630196664

https://www.facebook.com/video/video.php?v=365203180194309

Andre Matos recita Byron e Baudelaire na Virada Cultural


Trevas

Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vaguejavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã – veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram
Numa prece egoísta que implorava luz:
E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos,
Os palácios dos reis coroados, as cabanas,
As moradas, enfim, do gênero que fosse,
Em chamas davam luz; cidades consumiam-se
E os homens se juntavam juntos às casas ígneas
Para ainda uma vez olhar o rosto um do outro;
Felizes enquanto residiam bem à vista
dos vulcões e de sua tocha montanhosa;
Expectativa apavorada era a do mundo;
queimavam-se as florestas – mas de hora em hora
Tombavam, desfaziam-se – e, estralando, os troncos
Findavam num estrondo – e tudo era negror.
À luz desesperante a fronte dos humanos
Tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos
Neles batiam os clarões; alguns, por terra,
Escondiam chorando os olhos; apoiavam
Outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam;
Muitos corriam para cá e para lá,
Alimentando a pira, e a vista levantavam
Com doida inquietação para o trevoso céu
A mortalha de um mundo extinto; e então de novo
Com maldições olhavam a poeira, e uivavam,
Rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos
E cheias de terror voejavam junto ao solo,
Batendo asas inúteis; as mais rudes feras
Chegavam mansas e a tremer; rojavam víboras,
E entrelaçavam-se por entre a multidão,
Silvando, mas sem presas – e eram devoradas.
E fartava-se a Guerra que cessara um tempo,
E qualquer refeição comprava-se com sangue;
E cada um sentava-se isolado e torvo,
Empanturrando-se no escuro; o amor findara;
A terra era uma idéia só – e era a de morte
Imediata e inglória; e se cevava o mal
Da fome em todas as entranhas; e morriam
Os homens, insepultos sua carne e ossos;
Os magros pelos magros eram devorados,
Os cães salteavam os seus donos, exceto um,
Que se mantinha fiel a um corpo, e conservava
Em guarda as bestas e aves e os famintos homens,
Até a fome os levar, ou os que caíam mortos
Atraírem seus dentes; ele não comia,
Mas com um gemido comovente e longo, e um grito
Rápido e desolado, e relambendo a mão
Que já não o agradava em paga – ele morreu.
Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois,
Porém, de uma cidade enorme resistiram,
Dois inimigos, que vieram encontrar-se
Junto às brasas agonizantes de um altar
Onde se haviam empilhado coisas santas
Para um uso profano; eles as revolveram
E trêmulos rasparam, com as mão esqueléticas,
As débeis cinzas, e com um débil assoprar
Para viver um nada, ergueram uma chama
Que não passava de um arremedo; então alcançaram
Os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram
O rosto um do outro – ao ver, gritaram e morreram
- Morreram de sua própria e mútua hediondez,
Sem um reconhecer o outro em cuja fronte
Grafara a fome “diabo”. O mundo se esvaziara,
O populoso e forte era um informe massa,
Sem estações nem árvore, erva, homem, vida,
Massa informe de morte – um caos de argila dura.
Pararam lagos, rios, oceanos: nada
Mexia em suas profundezas silenciosas;
Sem marujos, no mar as naus apodreciam,
Caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem,
Dormiam nos abismos sem fazer mareta,
Mortas as ondas, e as marés na sepultura,
Que já findara sua lua senhoril.
Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens
Tiveram fim; a Escuridão não precisava
De seu auxílio – as Trevas eram o Universo.

O crepúsculo da tarde

Anão e servos, menestrel e bardos,
o árabe narrador e as bailarinas
desertaram das salas do banquete.
Haydéa e seu amante, a sós, estavam,
vendo o sol que em desmaio no ocidente
bordava o céu de franjas cor-de-rosa.

Ave-Maria! estrela do viandante,
tu conduzes ao pouso o peregrino
que anda, longe dos seus, na terra estranha.
Salve, estrela do mar; em ti se fitam
olhos e coração do marinheiro
que no oceano te saúda agora.
Salve, rainha excelsa, Ave-Maria!
Ei-la que chega a hora do teu culto,
à tardinha, em céu meigo, à luz do ocaso!

Bendita seja est’hora tão querida,
e o tempo, e o clima, e os sítios suspirados,
onde eu gozava na manhã da vida
o enlevo, – o santo enlevo, – deste instante!
Soava ao longe, – bem me lembro ainda, -
na velha torre o sino do mosteiro;
subia ao céu em notas morredouras
o harmonioso cântico da tarde;
era tudo silêncio, – e só se ouvia
a natureza a suspirar seus hinos
de arroubo e fé, – de devoção e pasmo.

Hora do coração, do amor, das preces,
Salve, Maria. Enlevo a ti minha alma,
Como é formoso o oval de teu semblante!
Amo teu rosto feiticeiro e belo,
amo o doce recato de teus olhos,
que se cravam na terra, enquanto adejam
sobre tua puríssima cabeça
cândidas asas de celeste anúncio!
Será isto um painel da fantasia?
Um quadro, um canto, uma legenda, um sonho?
Não! somente me prostro ante a verdade.

Aprazem-se uns obscuros casuístas
em criminar-me de ímpio. – Eles que venham
ajoelhar-se e suplicar comigo…
Veremos qual de nós melhor conhece
o caminho do céu. – São meus altares
as montanhas, as vagas do oceano,
a terra, o ar, os astros, o universo,
tudo o que emana da sublime Essência,
de onde exalou-se, e aonde irá minh’alma.

Hora doce do trêmulo crepúsculo!
quantas vezes errante, junto à praia,
na solidão dos bosques de Ravena,
que se alastram por onde antigamente
flutuavam as ondas do Adriático,
Bosques frondosos, para mim sagrados
pelos graciosos contos do Boccácio,
pelos versos de Dryden; – quantas vezes
aí cismei aos arrebóis da tarde!

Tudo o que há de mais grato, a ti devemos,
ó Héspero: – ao romeiro fatigado
dás a hospedagem: – a cansado obreiro,
a refeição da tarde; – ao passarinho,
a asa da mãe; – ao boi, o aprisco:
toda a paz que se goza em torno aos lares,
o quente, o meigo aninho dos penates,
descem contigo à hora do repouso,
tu coas n’alma o doce da saudade;
moves o coração, que a vez primeira
sai da terra natal, deixa os amigos,
e anda à mercê das ondas do oceano:
enterneces, enfim, o peregrino
ao som da torre, cuja voz sentida
como que chora o dia moribundo.

Embriaguem-se
(Baudelaire)

Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto: é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que lhes dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagar-se sem cessar é preciso.

Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua. Mas embriaguem-se.

E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão morna do seu quarto, vocês acordarem, com a embriaguez já diminuída ou sumida, perguntem ao relógio, ao vento, à vaga, às estrelas, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, a estrela, as aves responderão: “É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; sem cessar embriaguem-se! De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua.