19/12/2008 – André Matos e Hangar agitam BH


 
O ex-vocalista das bandas Viper, Angra e Shaman, André Matos, esteve no Freegels na última sexta (19) para cantar sucessos de sua prolífica carreira e divulgar seu primeiro trabalho solo, Time to be Free. Além da banda que acompanha o paulistano, os conterrâneos do Hangar reforçaram o contexto da iniciativa metálica natalina, aproveitando o ensejo para divulgarem seu recém trabalho, The Reason of Your Conviction. A mini-turnê foi denominada Metal Christmas Fest, e visitou algumas cidades do país durante o mês de dezembro.

A proposta da noite é um Heavy Metal mais acessível, não tão polêmico ou agressivo quanto o senso comum costuma apregoar para o estilo. Um mundo de fadas, amores e demais temas que permeiam o Heavy Melódico. Não é novidade que “Angra” seja o nome mais recorrente, a maior referência brasileira, quando se fala deste segmento. Alguns podem citar vários fatores, porém o mais inquestionável é a qualidade dos músicos. E na noite em questão, três membros da formação clássica provaram que ainda continuam botando pra quebrar.

A banda Hangar responsabilizou-se pelo início do evento. Fábio Tadura (teclados), Eduardo Martines (guitarra), Nando Melo (baixo), Nando Fernandes (vocal) e Aquiles Priester (bateria) sobem ao palco concomitantemente animados e concentrados. O quinteto já é uma realidade na cena. È claro que todos o conhecem com a pecha de “a banda do baterista do Angra”, mas esse é um obstáculo que eles paulatinamente vão suplantando. Independemente do histórico individual, o grupo é muito competente.

Just the Beginning tem uma vigorosa introdução de bateria, excelente escolha para abrir o show. Música rápida, com direito a solos de teclados e guitarras – a tônica da noite. Em Hastiness, a turma do gargalo empolga e fica com os dedos tradicionais em riste, celebrando a cultura Metal. Fábio não fica quieto com o teclado, a impressão é que ele vai sair correndo com o instrumento a qualquer instante, de tanto que o tecladista chacoalha o infeliz inerte. Ao final, todos gritam seu nome e Nando Fernandes diz que, por onde a banda passa, Fábio é sempre muito querido e merecedor de tal tratamento.

É bom frisar que o som do Hangar não é especificamente melódico, muitas músicas da noite têm uma cara mais prog do que o estilo supracitado. Como o caso de Forgive the Pain e Last Time, quando o virtuosismo dos músicos fica mais exacerbado. O neófito Nando Fernandes demonstra um certo cansaço, talvez por causa da turnê, e sua postura em palco fica um pouco prejudicada com isso – mesmo pulando na platéia duas vezes, mais ao final da apresentação. Idiossincrasias à parte, seu timbre é marcante e potente, cai muito bem para o som do Hangar.

É impressionante o poder de Aquiles com as baquetas. Seria ele uma versão pós-moderna da obra de Homero? Alguém já bateu no calcanhar dele pra saber se perde a força? Sim, porque é absurdo o que o baterista faz durante o show. Não é sem motivo que possui o apelido de “Polvo” – animal que o “abençoava” na parte de cima do kit, e também referenciado pelo próprio Aquiles, ao tocar Inside Your Soul mascarado como tal. Mas ele não possui oito braços, apenas dois mesmo, que se movimentavam bastante. Viradas perfeitas, pegada violenta, parece que ele inconscientemente “mira” onde quer acertar. O pobre do roadie sofreu com alguns pratos que teimavam em cair, não agüentando as pancadas que recebiam. Em vários momentos via-se o desespero de Aquiles para o rapaz da equipe corrigir com rapidez a falha. A pequena diferença de som, com a ausência de determinado prato, não interferiu na qualidade das músicas.

A máscara de polvo não foi a única brincadeira da noite. Na balada Call Me in the Name of Death, Nando Fernandes tem seu momento Anthony Hopkins e canta a música mascarado de Hannibal Lecter – ok, um Hannibal de cabelos compridos e cachos. Nando Melo é muito bom com as cinco cordas de seu baixo e Eduardo tem um jeito peculiar de agitar, algo quase cômico, mas também possui total domínio de seu instrumento.

Mais próximo do final, Aquiles agradece a euforia dos fãs e diz que BH realmente é a capital do Metal. Para o encore, Nando Fernandes revela que a banda tem um presente especial para os mineiros. E põe especial nisso! Muitos pediam o clássico do Judas, Painkiller, mas eles resolveram tocar, em aproximadamente 10 minutos, 11 hinos da maior banda de todos os tempos (opinião pessoal) – Iron Maiden. Valorizando mais o lado instrumental da donzela, porém não somente, todas as músicas foram bem executadas. Impossível fechar de maneira melhor.

Hora da atração principal. Fábio Ribeiro (teclados), Eloy Casagrande (bateria), Luís Mariutti (baixo), André Hernandes e Hugo Mariutti (guitarras) e André Matos (vocal) provocam reações explosivas nos fãs. A tríade inical, Letting Go, Rio e Looking Back, fazem parte do debut solo do cantor, Time to be Free, e servem para esquentar os ânimos da platéia. Power metal, cheio de melodias e velocidade. Mais à frente, André Matos agradece a presença do público, enaltece a alegria de voltar a BH e ratifica que sua banda é um conjunto, e não somente uma pessoa – apesar do nome próprio que a apresenta.

O show perpassou por toda a carreira do cantor. Brincando com o pedestal várias vezes, André realmente é um frontman por excelência e experiência. Ele tem a platéia nas mãos, basta um gesto e todos obedecem sem pestanejar. E aqui não se trata de algum domínio específico por parte dele, ou subserviência do público. O que define é a trajetória do cantor, sua dedicação ao metal e o reconhecimento dos fãs como conseqüência. Simples assim.
Antes do medley de sua fase no Viper, o vocalista diz existir ainda o preconceito dos próprios headbangers em relação ao metal melódico, elogia a estrutura do Freegel´s e cutuca um estilo musical muito popular no Brasil, cheio de batuques e cavaquinhos… ele ainda emenda dizendo que o público do Metal é quem realmente possui algo na cabeça, pois vai aos shows apenas para curtir as bandas, sem tumultos ou quebradeiras. Todos os músicos são excelentes, mas o destaque ainda vai para Luís Mariutti – o terceiro músico citado no segundo parágrafo da matéria. Sua habilidade nas cinco cordas é incrível, muita velocidade com os dedos e precisão nas notas.

No repertório, um “duelo” especial: Angels Cry e Nothing to Say, da fase Angra, contra Distant Thunder e Fairy Tale, do momento Shaman. Quem ganhou? Ora, os fãs. Afinal todas foram cantadas em uníssono, sendo muito bem recebidas. Os músicos que acompanham André são muito competentes, os solos dos menos conhecidos foram significativos. André Hernandes brincou com sua guitarra durante alguns minutos e esbanjou técnica. Eloy, um rapazote de 17 anos, debulhou sua bateria, explorando muito bem o kit, com muita velocidade e firmeza. Até uma bossa nova o menino arriscou! Solos têm apenas duas funções, de acordo com este repórter: a primeira é dar um tempo para o restante da banda beber algo ou fazer o que tiver vontade, desde que rapidinho. A segunda é mostrar a capacidade do músico, sua intimidade com o instrumento. No caso do show, provavelmente todos descansaram, pois os solos demoraram um bocado, chegando a ser meio cansativo, apesar de bons.

Para finalizar, André conclama todos para cantarem Carry On, pedido mais que acatado. Mais uma vez o vocalista agradece a presença e fecha a noite com Endeavour, bela canção, com muitos solos e passagens. À medida em que a saideira vai acabando, cada membro da banda sai, restando apenas os últimos toques no piano do frontman, que resistiam ao término da música. Até quando ele mesmo sai, e depois todos retornam para a derradeira despedida. Uma noite agradável, sem problemas e com público razoável. De acordo com André Matos, todos voltarão em breve. Resta para os fãs apenas aguardar.

Set list – Hangar

1 – Just the Beginning
2 – Hastiness
3 – Forgive the Pain
4 – Savior
5 – Captivity
6 – Intro + To Tame a Land
7 – Medley Last Time
8 – Call Me in the Name of Death
9 – The Reason of Your Conviction
10 – One More Chance
11 – When the Darkness Takes You
12 – Intro + Inside Your Soul
Medley Maiden – fragmentos de
Hallowed be Thy Name, Aces High, Be Quick or Be Dead, Fear of the Dark, Sign of the Cross, Alexander the Great, Revelations, Run to the Hills, The Loneliness of the Long Distance Runner, Wasted Years, The Number of the Beast

Set list – André Matos

1 – Letting GO
2 – Rio
3 – Looking Back
4 – Distant Thunder
5 – Angels Cry
6 – Viper Medley, solo guitarra
7 – Nothing to Say
8 – Fairy Tale (intro)
9 – How Long (unleashed way)
10 – Solo bateria
11 – Turn Away
12 – Lisbon
13 – Carry on
14 – Endeavour

Por: Oswaldo Diniz

Local: Freegells Music

 

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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