Andre Matos e Hangar: BH/MG


 
Por Reynaldo Trombini e Rafael Almeida   

25 de dezembro de 2008
 

Uma verdadeira seleção de craques do Metal nacional invadiu a casa de shows Freegells Music no último dia 19 de dezembro, em Belo Horizonte. O evento, batizado de “Metal Christmas Fest” trouxe para a capital mineira duas das principais potências nacionais da atualidade: o Hangar, do baterista Aquiles Priester, e ninguém menos que Andre Matos, ícone do Heavy Metal tanto nacional quanto internacional.

A união de grandes músicos e a esperança de mais um grande show na proveitosa temporada 2008 em BH fez com que o público se mobilizasse para marcar presença no espetáculo, marcado para 22h. Até mesmo a chuva, que insistia em cair, nos últimos dias resolveu dar uma "treguinha" nos momentos que antecederam a entrada dos fãs, que vagarosamente se acomodaram na pista e nas laterais superiores do Freegells. Nunca é demais ressaltar as belíssimas instalações e estrutura da casa, que já tem história em hospedar shows de Metal em BH: já passaram por ali nomes como Steve Vai, Sepultura, Rockfellas, dentre outros. A escolha cada vez mais frequente do Freegells para hospedar os eventos de música pesada é certamente um avanço para a evolução e reconhecimento do estilo na cidade.

Boa estrutura e público sedento por vibrantes apresentações; não faltava mais nada. A ocasião era mais do que propícia para fechar com chave de ouro o ano de 2008 na capital mineira. Parecendo saber disso e disposto a contagiar o público de maneira singular, os paulistas do Hangar se apossaram do espaçoso palco por volta das 23h para serem ovacionados de forma categórica pela platéia. O grupo formado por Nando Fernandes (vocal), Eduardo Martinez (guitarra), Fábio Laguna (teclado), Nando Mello (baixo) e Aquiles Priester (bateria) visita BH pela segunda vez em 2008. No mês de maio, a banda abriu para os americanos do Queensryche, em um evento marcado por pouquíssima presença de público. Em sua segunda empreitada na capital, o grupo se concentrou principalmente na divulgação do disco "The Reason of Your Convicition" (2007).  

As luzes então se apagam e o clima de euforia toma conta do local: a misteriosa e marcante introdução ‘Just The Beginning’ anuncia o início da noite. Em meio a gritos saudando Aquiles e o palco ainda ocupado somente pela monstruosa imagem do equipamento do baterista com a já famosa figura da máscara de polvo ornamentando seu topo, o show começa. Sob aplausos da platéia, a poderosa ‘Hastiness’ abre o set do quinteto. O show segue com a pesada ‘Forgive the Pain’, também de "The Reason of Your Conviction", enquanto a platéia vai se amansando nas reações – que apesar de menos eufóricas continuaram receptivas.  

Acompanhada da exuberante qualidade do baterista Aquiles Priester, a banda atestou mais uma vez toda sua técnica musical e incontestável desempenho ao vivo, em uma sequência proveitosa com ‘Savior’ e ‘Captivity (A House With a Thousand Rooms)’. Algumas peculiaridades dos rapazes em cima do palco fazem com que o show se torne mais agradável, não apenas pelo fato de estarem sendo executadas grandes canções do Metal Nacional: o quinteto faz questão de mostrar muita animação a cada momento.  Nando Fernandes, por exemplo, se revela ser não apenas dono de uma potente voz, mas também um frontman de respeito. Ele se mostra à vontade em cantar mais perto do público, chegando a apertar a mão de alguns fãs mais próximos ao palco e é bastante expressivo na interpretação das canções. Um destaque de sua performance de palco é a máscara que utilizou na música Call Me In the Name of Death, fazendo referência ao clipe da canção. Na verdade, todos os integrantes merecem destaque no quesito presença de palco: o guitarrista Eduardo mal consegue ficar parado, deixando-se envolver pela música em manifestações diversas.  

Fábio Laguna praticamente ignora o fato de que um teclado é um instrumento fixo e deixa sua marca o inclinando e girando enquanto executa seus intrincados solos. Obviamente, Aquiles também é destaque, mesmo ‘escondido’ atrás da enorme bateria. Sua performance vestindo a máscara de polvo é provavelmente um dos momentos mais aguardados por muitos fãs. Quando o vocalista Nando se colocou a apresentar a banda, o público mostrou mais uma vez seu respeito ao grupo, gritando o nome dos músicos. Aquiles – famoso por sua participação no Angra e por ser um dos melhores bateristas do país – foi provavelmente o mais aclamado, seguido de perto por Fábio Laguna – também conhecido por seu trabalho com o Angra.  
Todo o fervor do público para com a banda foi recompensado com um "presente" ao fim da apresentação, conforme dito pelo vocalista Nando Fernandes: o encerramento do show ficou por conta de um caprichado medley de músicas do Iron Maiden, iniciado pela guitarra limpa de ‘Hallowed Be Thy Name’ com as últimas notas acompanhadas do grito cortante do final de ‘The Number of the Beast’, e passando por grandes clássicos da Donzela, como ‘Aces High’, ‘Revelations’, ‘Run to the Hills’, ‘Be Quick or Be Dead’ e ‘Fear of the Dark’, que foram cantadas do começo ao fim pela maioria dos fãs presentes, culminando o show em um emocionante clima de "fim de festa". Após um show empolgante, praticamente perfeito musicalmente, o grupo jogou baquetas, palhetas e garrafas de água para a platéia, além de agradecer a presença de todos, tanto que Aquiles se posicionou no centro do palco e disparou: "BH é a capital do Metal"!

Quem também deve pensar como Aquiles é Andre Matos. Era chegada a hora do grande ícone do Metal nacional destilar todo o poderio de seu álbum solo "Time To Be Free", acompanhado por um line-up poderoso. Com o passar dos anos, Belo Horizonte virou rota praticamente obrigatória nas turnês de Andre, seja em sua época com o Shaman, como agora em carreira solo. Além de receber um verdadeiro astro da música, a capital mineira ainda tinha como aperitivo acompanhar uma formação de peso, composta por músicos categoricamente talentosos. Para apagar um pouco a ansiedade da platéia, todo o percurso de ajustes no palco foi rapidamente feito até que tudo ficasse nos “trinques” para André e seus companheiros de banda se apresentarem. Em uma verdadeira mistura de gritos e aplausos, os músicos Hugo Mariutti (guitarra), Luis Mariutti (baixo), Eloy Casagrande (bateria), André Hernandez (guitarra), Fábio Ribeiro (teclado) e André Matos (vocal) tomam conta do palco e dão como boas vindas as canções ‘Letting Go’ e ‘Rio’, ambas faixas de seu disco solo "Time To Be Free". Entrosamento acima da média e ainda presença de palco esplendorosa de Andre Matos já eram algumas características evidentes no show. Nenhuma novidade!  

Quem acompanhou a última apresentação da trupe de Andre em terras mineiras, acontecida em novembro de 2007, pôde perceber que atualmente o felling e o entrosamento do sexteto estão cada vez melhores, a começar pelo baterista Eloy Casagrande, que deu um show à parte. O jovem foi um dos grandes destaques durante toda a apresentação, mesmo tendo consigo um time de craques ao seu lado. Na adorada ‘Distant Thunder, responsável por lembrar a época de Shaman, Eloy mostrou muita qualidade e agressividade em suas passagens, já nas guitarras a dupla André Hernandez e Hugo Mariutti soava impecável e em pura harmonia. Aproveitando a oportunidade de relembrar canções do passado, é chegada a hora de um verdadeiro hino do Metal nacional. Acertou quem imaginou que seria o clássico ‘Angels Cry’, cantada em todos os versos pela platéia, que nessa altura do campeonato se revezava entre emoção, admiração e euforia. Em mais uma bombástica performance, Andre se aproveitou de seu famoso timbre vocal, além de provar, que esteja aonde estiver, sua presença de palco é contagiante e capaz de agitar quem o acompanha! Ainda sobrou tempo para que o músico desfrutasse de seu teclado, posicionado a direita do palco e tornasse ainda mais perfeita a apresentação.

Após algumas breves conversas com o público (mais vibrante do que nunca), Andre anunciou que viria pela frente uma das canções que os fãs "das antigas" iram gostar. Ele tinha razão; o público se esbaldou em alegria e satisfação durante os belos versos de ‘Living for the Night’, do Viper, primeira banda de Andre. A cada atração e/ou canção, a certeza de um verdadeiro presente de natal antecipado para os fãs invadia os belorizontinos. Tanto que Andre agradeceu imensamente a presença de todos, falou da produção do evento, elogiou a casa e ainda aproveitou para falar um pouco sobre a atualidade do Metal nacional em um discurso "pra lá" de caprichado. Em alguns minutos de fala, Andre mostrou orgulho do Metal Nacional e pediu respeito ao estilo, que sofre por tanto preconceito e falta de profissionalismo. Como exemplo de respeito ao público que acompanha shows de Metal, o vocalista soltou a seguinte frase: "Façam um show de pagode aqui, para ver se tudo não ficaria destruído! Nosso público vem aqui para curtir o som, para curtir a banda!"

Até o baixista Luis Mariutti, que é popularmente conhecido por ser um músico sério por demais, deu uma leve "agitadinha" quando Andre regeu a pláteia em ‘Nothing to Say, um dos clássicos do Angra. Por vez ou outra Hugo Mariutti se aproximava da platéia colada na grade ou nas laterais do palco e os deixava encostar em sua guitarra ou até mesmo os cumprimentava, provando que a noite tinha mesmo um grande clima de confraternização entre músicos e fãs. Quem já acompanhou o DVD “Ritualive”, gravado pelo Shaman quando ainda tinha Andre Matos, pareceu adivinhar que viria o clássico Fairy Tale, do álbum "Ritual". Tudo porque Andre fez como naquele registro ao vivo executando breves notas em seu teclado, para dar uma "sacudida" na platéia, que respondeu cantarolando o que Andre tocava! Até que chegasse a marcante introdução que abre caminho para o belíssimo arranjo de ‘Fairy Tale’, tocada de forma louvável em um dos momentos mais incríveis da noite.  

 
Todos perfeitamente situados musicalmente, Eloy continuava esplendoroso com suas baquetas, Fabio Ribeiro objetivo com seu teclado, Luis Mariutti continuava fazendo muito bem seu papel, Andre Hernandez fazia as bases enquanto Hugo Mariutti arrepiava a todos com os belos solos que ‘Fairy Tale’ carrega, sem contar o nível alcançado por Andre Matos, que mostrou muita emoção ao cantar cada verso. Era dificil, quase impossível situar um destaque em um palco recheado de estrelas e com um set apimentado por grandes clássicos. Por falar em set, ainda houve tempo para a agitada ‘How Long’, também do disco solo de Andre. Foi quando ao fim, os músicos se retiraram do palco, gerando então certa curiosidade na platéia que gritava "Carry On… Carry On". Mas não era o momento do mega clássico do Angra, e sim a vez de Eloy Casagrande mostrar que a escolha para ele ocupar as baquetas do grupo foi acertada.  

Em um solo vibrante e nem um pouco cansativo, executado com muita fúria, Eloy arrancou aplausos e comprovou que mesmo com apenas 17 anos de idade, pode ser enquadrado no primeiro escalão de bateristas nacionais, unindo-se ao time de Ricardo Confessori (Shaman), Aquiles Priester (Hangar), entre outros. Após aproximados dez minutos de demonstrações rítmicas aliados à velocidade e ferocidade, retornam ao palco toda a banda de Andre, que rapidamente trouxe a potente ‘Turn Away’, do álbum "Reason". O show chegava a sua reta final, mas nada que desanimasse a platéia, que praticamente trouxe o Fregells abaixo quando Fábio Ribeiro soltou as notas iniciais de ‘Lisbon’, clássico do disco "Fireworks", do Angra.  

Em mais um momento arrepiante ficou evidente o carinho que os fãs têm por Andre Matos e sua banda. Não satisfeitos em apenas cantar, os fãs aplaudiam e idolatravam seus ídolos da forma que mais achavam conveniente.  Hugo foi um dos mais vibrantes em ‘Lisbon’, que, a exemplo de ‘Fairy Tale’, ‘Distant Thunder’ e ‘Nothing to Say’ são figurinhas carimbadas nas aparições de Andre pelo Brasil e mundo à fora! Outra que não podia faltar foi obviamente guardada para a reta final: ‘Carry On’. Já em clima de despedida, os fãs acompanharam silenciosos a tradicional intro ‘Unfinished Alegro’ que antecipa Carry On, até que os velozes riffs e o instrumental melódico já famoso na cabeça dos fãs tomasse conta do Fregells Music.

Um pouco mais contido no palco, Andre ainda se mostrou afinado e totalmente tomado pela energia vinda do público. Após o tradicional dueto das guitarras, o vocalista pegou a câmera de um fã (sortudo!) e a levou consigo, registrando toda a euforia da platéia percorrendo com o aparelho toda a extensão do palco. Esses são apenas pequenos acontecimentos que ficarão na memória dos fãs belorizontinos, que por natureza sempre acolheram muito bem a maioria das bandas nacionais que pisam na cidade. No caso de Andre e seus companheiros de banda, a admiração é evidente. Sem esquecer do Hangar, que lembrou da platéia e apareceu nos fundos da casa para autografar e papear com alguns fãs, antes mesmo do término do show de Andre Matos! Logo o bate-papo e a confraternização estavam firmes, pois apareceram também o guitarrista Hugo Mariutti, junto com o baterista Eloy Casagrande.

 
Tinha chegado ao fim mais uma visita de grandes potências do Metal nacional à Belo Horizonte. Estrelas que proporcionaram não apenas um show, um verdadeiro espetáculo com tudo de positivo que o Heavy Metal consegue proporcionar. Fica o desejo de um retorno breve e a certeza de que o próximo será ainda melhor. Alguém duvida?

Fotos: Fernando Borges Couto
 
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Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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