Entrevista antiga (e gigante!!) de Andre Matos para Heavy Melody – partes 1, 2 e 3


Parte I – ANGRA: Os melhores momentos, os reais motivos da dissolução e sua opinião sobre o futuro da banda.

 

Faça um breve comentário sobre sua história e trajetória do Angra. Quais foram seus melhores momentos, os shows mais importantes?

André Matos: Olha, cronologicamente falando teve vários momentos de pico mesmo, os momentos mais importantes que a gente passou com o Angra. Eu posso ressaltar o primeiro show de todos, que foi no Black Jack, ainda em 92, que foi a estréia do Angra e muita gente ainda não sabia o que era e foi o recorde de lotação do Black Jack de todos os tempos, então isso foi uma coisa muito legal. Depois todo aquele período em que o Angra tocou muito no Aeroanta, também em São Paulo: foram vários shows no Aeroanta, a gente cada vez tentava caprichar mais, ainda era aquela banda que estava crescendo e tal. A primeira turnê na Europa também foi uma coisa marcante porque a gente pastou bastante lá e passou por várias coisas difíceis, mas no final saímos vitoriosos da turnê. Daí por diante a coisa só foi crescendo, quer dizer, o primeiro show que nos fizemos aqui em São Paulo no Palace foi muito legal, todas as turnês pelo Brasil inteiro que a gente teve a oportunidade de tocar, desde o Sul até o Norte, todos os lugares, a legião de fãs que a gente criou no país inteiro, no Nordeste, interior, Rio de Janeiro, Minas, Sul, Paraná, enfim. O ponto culminante, o top mesmo da carreira do Angra foi o show que a gente fez em Paris, no Zenit, quando eu tive a honra de receber o Bruce Dickinson como convidado, para mim aquilo é uma coisa impagável, uma coisa que até hoje na verdade eu não acredito que aconteceu e eu falo isso muito mais como fã do que como músico e isso acho que foi a grande recompensa de todos esses anos, depois disso realmente eu já poderia morrer ali que eu estava feliz.

 

Comente separadamente cada um dos CDs da banda e faça uma comparação entre cada fase da banda.

André Matos: Vamos lá:

Soldiers of Sunrise: Quando eu ouço “Soldiers” eu percebo que eu era um cara estreante, novato, completamente verde naquilo que estava fazendo, mas fazendo aquilo com uma puta garra, cara. Naquela época eu era muito mais um fã do que um músico, a idéia que eu tinha na cabeça era um dia chegar no nível de ídolos que eu admirava. Então eu era um clone de alguns cantores que eu admirava naquela época, tipo Bruce, Rob Halford, Eric Adams, por aí vai. Então o “Soldiers” foi praticamente minha primeira experiência no estúdio, eu tinha na época uns 15 anos, então era um adolescente fazendo aquilo que gostava, super feliz de estar podendo gravar o primeiro disco. Eu me lembro muito bem da emoção que eu tive quando segurei o disco na mão pela primeira vez, eu não podia acreditar que a minha voz estava ali marcada naquele vinil e foi uma emoção muito grande. Então tudo isso me lembra de um momento muito mágico, muito nostálgico até, do início de carreira e tal.

Theatre of Fate: O “Theatre” foi uma coisa que já começou a dar um salto mais profissional, uma coisa que o Viper fez aqui no Brasil numa época que ninguém estava fazendo isso, uma produção grande, com um produtor de fora. Eu me lembro que eu estava mais ainda envolvido com música clássica também, eu tinha acabado de entrar na faculdade de música e comecei a escrever uns arranjos para o disco, com coisas clássicas e tal. A gravação em si foi muito legal, foi inesquecível, acho que também rolou um clima muito legal naquela época e o Viper já estava mais consolidado, e depois do Theatre realmente ele explodiu no Brasil, para uma banda daquele nível no Brasil era uma coisa bem difícil. Depois eu saí do Viper por questões que já foram explicadas, quer dizer, a banda queria mudar o estilo, já não queria mais seguir fazendo aquilo que estava fazendo no “Theatre” e aquilo era realmente o que eu estava afim de fazer e por isso rolou o Angra.

Angels Cry: O primeiro disco, Angels Cry, foi mais ou menos a continuação daquilo e aí realmente foi a primeira vez que a gente gravou fora. Também foi o primeiro disco da banda, mas já com bem mais experiência e foi um marco, foi o disco que mais vendeu do Angra até hoje, por causa das músicas e acho que também aquela energia da banda iniciante, da banda estar no começo junta e estar querendo fazer a coisa também rolou muito.

Holy Land: O Holy Land na verdade é o disco que é meu xodó, assim, no ponto de vista musical. Acho que é trabalho mais completo que o Angra já fez e mais criativo, o que a gente foi realmente fundo, a gente se dedicou mesmo a composição e gravação, a temática, é um disco conceitual e tal.

Fireworks: E o Fireworks foi uma experiência já bem mais em nível profissional, a gente fez tudo lá em Londres com o Cris Tsangarides e aprendemos muita coisa assim, de como se comportar num estúdio, de como saber tirar o som por si próprio e foi uma coisa bem legal
E agora no SHAMAN a gente está querendo dar início a uma nova fase, e até começar a co-produzir o próprio disco, quer dizer, a gente começaria a gravar o disco por aqui e entraria com uma co-produção de algum produtor.

 

Você é muito querido lá fora. Como as pessoas de seu contato reagiram com sua saída do Angra? Quanto aos fãs, imprensa e bandas amigas, o que acharam sobre os motivos?

André Matos: No primeiro momento foi muito difícil para todo mundo entender, porque os motivos eram muito mais internos do que alguma coisa que estivesse declarada, uma briga declarada ou coisas que geralmente acontecem entre as bandas. Na verdade o motivo foi uma coisa mais particular de todos nós mesmos, o que aconteceu foi que o clima entre a banda estava ficando insuportável, estava ficando muito ruim devido a uma série de fatores que nem vem ao caso aqui pois já entra para um lado mais burocrático da coisa. Mas essa coisa do clima entre a banda estava realmente prejudicando tudo, principalmente o lado musical, e muitas pessoas do público, os fãs, já estavam percebendo isso, já estavam indo aos shows e achando que alguma coisa não estava rolando legal no palco, alguma falta de sintonia estava sendo bem aparente entre a gente…agora que realmente a gente se dá conta disso, com esse recomeço, com essa banda nova e tudo, a gente vê a diferença que isso está causando na gente na hora de tocar, a garra que a gente tem para tocar e outra, é outro tipo de motivação. E o público não é burro, o público percebe tudo isso e os fãs com os quais a gente pôde conversar nesses poucos shows que o SHAMAN já fez aqui no Brasil vieram falar exatamente isso para gente, que eles sentiram uma diferença enorme e que eles perceberam que o Angra já estava nas últimas porque o clima estava muito estranho, eles perceberam isso no show. Então, assim, isso é legal porque é um reforço para a gente no sentido que fizemos aquilo que estava correto fazer, mesmo que num primeiro momento fosse muito incompreensível para todo mundo, muita gente ficou triste, muita gente não entendeu, teve gente que até fez ate abaixo-assinado para a banda voltar, etc. Eu agradeço até a atitude de todas essas pessoas, pois isso demonstra um amor à banda, amor à música que a gente fazia e é muito difícil você explicar para eles num primeiro momento o que estava acontecendo, mas acho que agora a ficha está caindo para todo mundo e graças a Deus está todo mundo do nosso lado e o público é muito fiel. Passado este impacto inicial, que na verdade foi muito maior para nós mesmos do que até para o público – isso que eu queria que todo mundo soubesse, que não foi uma atitude fria e calculista de nossa parte, demorou muito tempo para a gente tomar essa atitude porque envolvia um lado emocional muito grande, mas a partir do momento que tomamos essa atitude, não somos homens de voltar atrás na palavra e realmente agora é olhar para a frente, para o futuro e tentar fazer uma coisa melhor do que a gente estava fazendo.

 

Como descobriram que os CDs do Angra estavam sendo pirateados?

André Matos: De fato a pirataria estava rolando solta. É muito frustrante você trabalhar mais de 10 anos numa banda e perceber que 70% do que você está vendendo de discos são discos piratas e a banda não tem um retorno disso, a banda não tem dinheiro para reinvestir nela própria, e para melhorar as produções etc, que é nossa preocupação principal. A gente não tem a preocupação de ficar rico, milionário nem nada, agora, você ter a grana para poder reinvestir numa gravação melhor, para investir em instrumentos, para investir em pesquisa de músicas novas que você vai fazer e etc, é muito importante para qualquer grupo. E não é justo que você esteja vendendo aí perto de 100 mil cópias no Brasil e não esteja vendo a grana de nem 20 mil, por isso eu acho que para nós foi muito importante a gente romper com toda essa estrutura que foi criada em torno no Angra e que estava difícil de romper, mesmo porque não eram todos membros da banda que estavam concordando com isso. Então a nossa saída foi essa, foi realmente a gente dissolver a banda e criar uma banda nova, com um nome diferente, uma vez que o nome Angra tinha sido registrado pelo próprio empresário, é um nome que pertence ao empresário.

 

Mas vocês tem provas dessa pirataria? O que pretendem fazer a respeito?

André Matos: Olha, o primeiro indício que a gente teve na verdade não foi nem no Brasil, foi mesmo até no México quando a gente estava tocando lá, onde, curiosamente, quase todos os discos que a gente pegou para assinar em tarde de autógrafos eram discos Argentinos. Achamos muito estranho discos Argentinos no México e quando a gente descobriu que os discos Argentinos eram vendidos na Cidade do México por um preço de US$5,00 cada um, a gente chegou à conclusão que isso seria impossível…se você fizer as contas, você não pode importar um CD de um outro país, pagar o frete, pagar os impostos, pagar os direitos autorais e vender por um preço de R$10,00 um disco. Então só poderia ser pirata e quando a gente foi à fonte, quer dizer, se esses discos são realmente Argentinos então deveria constar na contabilidade da fábrica Argentina, e isso não constava. A própria fábrica Argentina, a gravadora Argentina no caso, veio com uma informação que nós vendíamos 2 mil cópias na Argentina apenas. Olha, parece que está escrito palhaço na nossa cara! Porque, quer dizer que a gente vende 2 mil cópias na Argentina e conseguimos colocar 6 mil pessoas num concerto em Buenos Aires? Tem certas coisas, que, assim, eu acho que se as bandas não tomarem consciência e não tiverem coragem de romper com uma estrutura podre que está aí, eles vão continuar sacaneando todas as bandas. Então, é uma mensagem que eu dou, eu acho que a gente foi bem corajoso de fazer isso mas estamos tendo uma recompensa positiva e é uma mensagem que eu dou para todo mundo, ficar bem esperto, de olhos abertos e isso é o nosso trabalho e a gente tem que valorizar nosso trabalho. Sem dúvida, não só nós como todas as bandas que se viram prejudicadas por isso, nós estamos nos unindo para buscar as provas e para conseguir realmente enquadrar essas pessoas que agiram desonestamente com a gente. Eu estou falando de bandas estrangeiras, quer dizer, todos eles, desde Rhapsody, Stratovarius, GammaRay etc.

 

Parece que bandas como Stratovarius e Royal Hunt já haviam desconfiado ser vítimas desta máfia Sul Americana, certo?

André Matos: Perfeito! É notório, os caras vêm para tocar aqui e ninguém é burro. Por exemplo, o Stratovarius, eles vem, eles enchem uma casa como o Via Funchal com 5 mil pagantes e na hora de receber os direitos das músicas, na hora de ver as vendas dos discos, é um número irrisório. Então, assim, eu acho que ninguém é bobo e estamos todos juntos nessa para moralizar esse negócio aqui. Eu acho que o Brasil é um mercado lindo, é um mercado enorme para Heavy Metal, tem um potencial fodido, tem um potencial de virar um circuito super constante de shows, não estou falando só do eixo Rio – São Paulo, estou falando do Brasil inteiro, você tem condições de realizar concertos constantes, de vender discos, de criar uma indústria legal aqui com “gente honesta”. Então é por isso que a gente está batalhando e a gente está realmente vestindo essa camisa aí.

 

Mas porque então o Stratovarius teriam aceitado vir tocar novamente no Brasil mesmo sabendo dessa suposta “máfia”?

André Matos: Porque eles ainda precisam de provas dessa questão toda da pirataria. Todo mundo sabe que existe, todo mundo sabe que está rolando, mas é muito difícil pegar quem está fazendo isso no pulo. Enquanto isso, evidentemente um banda como o Stratovarius não vai deixar de vir aqui, fazer um super concerto, agradar os fãs, que na verdade não tem culpa nenhuma do que está acontecendo. Pois é, mas eles não têm provas de que são essas pessoas, então assim, seja quem for que esteja fazendo isso, vai ter que pagar caro por isso, mas quem é, a gente ainda não sabe.

 

Qual seu relacionamento atual com o seu ex-empresário e o fã-clube do Angra?

André Matos: Nenhum.

 

Você acredita que a Rock Brigade venha a boicotar matérias sobre o SHAMAN, ou mesmo que venham a fazer críticas tendenciosas, já que a revista é de propriedade de seu ex-empresário?

André Matos: Eu espero que não, porque isso seria o que pode se esperar de um veículo antigo na praça e reconhecido como a Rock Brigade, então eu espero que o profissionalismo deles esteja acima de questões pessoais ou empresariais que envolvem banda, esse tipo de coisa. Quer dizer, eu acho que a revista é uma coisa, e o lado empresarial da produtora Rock Brigade é outro, então eu espero ter espaço na Rock Brigade como em qualquer outro tipo de veículo, é isso que eu espero.

 

Da formação que leva o nome “Angra”, restaram apenas os guitarristas Rafael e Kiko Loureiro. Na sua opinião, qual o reflexo que esta drástica mudança na formação original do banda, pode causar para a personalidade musical típica da composição do Angra?

André Matos: Acho que vai faltar muito, vai faltar 70% da banda na verdade, pois no processo de composição, por mais que um de nós compusesse uma música, na hora de arranjar a música era todo mundo junto, então agora vai depender muito também dos novos integrantes deles para opinarem na composição e eu acho que eles vão ter mais problemas com isso do que a gente na verdade, porque a maioria ficou do lado de cá.

 

Como está sendo seu relacionamento atual com Rafael e Kiko Loureiro?

André Matos: Infelizmente não está sendo! Eu acho que o clima ficou muito pesado na dissolução da banda e eu prefiro realmente esperar a poeira abaixar para poder falar com eles numa boa. Eu não guardo nenhum tipo de rancor deles, eu acho que eles estão no direito deles de fazer suas próprias opções. Não foi por falta de alerta, nós tentamos por várias vezes conversar com eles enquanto ainda era tempo, descobrir uma saída mais inteligente para a banda, todo mundo junto, mas não houve realmente interesse da parte deles e eu acho que cada um é responsável por aquilo que faz. Então se eles acreditam que este é o caminho deles, paciência, desejo boa sorte, mas isso mostra que o lado deles não tem nada a ver com o nosso lado e não estamos tendo nenhum tipo de relacionamento porque na verdade tudo isso foi uma decepção muito grande, para mim especialmente, descobrir outros lados nas pessoas que a gente não espera, mas a vida é assim mesmo. Não desejo nenhum mal para eles, quem sabe um dia mais tarde poderemos até sentar e conversar sobre tudo isso que aconteceu.

 

O que acha sobre a escolha de Eduardo Falaschi? E o boato sobre a especulação de Fabio Lione(Rhapsody)?? Você acha que assim como ocorreu no Sepultura, a escolha de um substituto gringo pode ser preferência da gravadora/empresário?

André Matos: Olha, eu realmente não sou a pessoa mais indicada para opinar, eu acho que agora a decisão é deles. Desejo boa sorte e que as pessoas que eles tenham escolhido fiquem contentes de estar tocando com eles também porque isso é o mais importante. Essa questão do estrangeiro, eu acho uma besteira, eu não acho que o estrangeiro tenha mais valor que um brasileiro, muito pelo contrário, eu tenho visto muito mais talentos aqui no Brasil do que lá fora, então eu acho que esse tipo de coisa que aconteceu com o Sepultura e tal, na verdade não tem que ser uma coisa obrigatória, não. Se for uma coincidência de você conhecer alguém lá fora e essa pessoa ser uma amigo ou algo do tipo, tudo bem, mas não tem que haver esse tipo de preocupação. Se eu tivesse que escolher um músico para minha banda, eu primeiro iria escolher aqueles que estão mais próximos de mim, aqueles que falam minha língua e enfim, no meu caso por exemplo, o que rolou de eu ter uma parceria com o estrangeiro no Virgo, onde eu é que sou o estrangeiro, já que sou o único que não é alemão na banda, mas isso já vem de uma amizade de muitos anos, então acho que se justifica, sem dúvida. Não interessa de onde você é, a criatividade tem que estar em função disso. Mas esse tipo de preocupação eu acho realmente uma “pagação de pau” besta e eu não sou de acordo com esse tipo de coisa. Quanto ao Edu, eu acho que tem alguns vocalistas aqui no Brasil que se destacam bastante, então o Edu é com certeza um deles. Eu já tive até a oportunidade de cantar junto com ele numa participação que a gente fez num disco de um guitarrista de Santos, o Rodrigo Alves, e foi bem legal, eu acho que ele está num nível super profissional e a ele eu desejo muita boa sorte, que eles se divirtam bastante.

 

Assim como Freddie Mercury no Queen, Bruce no Iron ou Halford no Judas, muitos consideravam você a alma do Angra, assim como no Viper. Qual sua opinião sobre o futuro do Angra com os novos integrantes, e a reação do público e da mídia com relação isto?

André Matos:  Eu não gostaria de opinar nisso não porque na verdade não é mais da minha conta o que vai acontecer com o Angra daqui para a frente. Então, assim, eticamente falando, eu só posso desejar boa sorte para eles. Agora, pessoalmente falando, se eu fosse eles eu mudaria de nome, não é só pela minha saída da banda, porque se tivesse saído somente um membro, mesmo que seja o vocalista, sempre é substituível, existem até alguns casos de êxito, de algumas bandas que substituíram o vocalista e se deram bem, é o caso do AC/DC por exemplo, o caso do Sammy Hagar no Van Halen e algumas outras. Às vezes você consegue realmente uma figura carismática, que não tem muito a ver com o cara anterior e que consegue emplacar. Mas no caso do Angra, o problema maior é que não foi só o vocalista, foi o vocalista e a cozinha inteira, o Ricardo e o Luís, e que são caras que são muito carismáticos, são muito únicos naquilo que eles fazem também, então fica muito difícil substituir três caras ao mesmo tempo e querer convencer com um nome que a banda tinha antigamente. Por isso, se eu fosse eles eu mudaria de nome, como a gente fez, a gente resolveu abrir mão do nome e partir para uma vida nova.
 

Parte II – SHAMAN: Apresentação da nova banda aos velhos fãs, os primeiros shows, os próximos passos.

O que os fãs do Angra podem esperar de sua banda atual?

André Matos: Podem esperar aquela mesma proposta que já estava difícil de continuar levando no Angra por causa da falta de sintonia que a gente estava tendo, então aquela proposta vai ser levada a diante agora e a gente está dando o sangue pela banda e sempre pensando muito nos fãs, no que eles esperam da gente musicalmente também e tenho certeza que não vai desapontar ninguém. A gente está seguindo basicamente o mesmo estilo, acrescentando algumas coisas novas bem interessantes e fazendo a coisa com muita garra, com muita vontade, o que é o principal. Eu acho que é isso que já deu para perceber nos shows e também na própria gravação da demo, a música está com uma vibração bem positiva, com um astral bem diferente. Então está uma coisa bem para cima, uma coisa bem positiva que eu acho que é característica do SHAMAN agora.

 

Sobre a escolha do nome SHAMAN, lhe soa tão bem quanto Angra ou Viper?

André Matos: Eu acho que o nome foi uma escolha bem feliz na verdade, porque a gente estava na dúvida num monte de coisa e preponderou aquela mesma filosofia que tivemos na época de escolher o nome Angra, ou seja, a gente queria um nome que tivesse relação com a nossa cultura e que soasse bem em qualquer língua. Então você pode falar SHAMAN aqui no Brasil, que existe a palavra de fato, escrita da maneira brasileira, com X, mas a maneira como escrevemos e como se escreve em inglês é a mesma palavra, que significa Feiticeiro, Mensageiro dos Deuses, o Representante das Divindades, e o curandeiro. Enfim, o xamanismo é uma pratica milenar, desde a Ásia, na Europa, os índios daqui, e uma coisa que acaba unindo todas as culturas até mais do que era a proposta do nome Angra; o SHAMAN engloba um pouco mais e é um nome que surgiu de uma música que eu fiz na época do Holy Land, que foi a música The Shaman, que falava exatamente disso, falava do curandeiro que ressuscita um índio, um guerreiro morto, e tudo isso é uma temática muito interessante para a gente porque essa função de curar as pessoas na verdade é a função da música, você escuta música muito por causa disso, para se abstrair dos problemas e do mundo e tal, então a música te transporta para um outro mundo. Também até para curar nossas próprias cicatrizes, teve muita coisa que a gente, depois de passar por todo esse processo, ainda carrega dentro da gente e tem que põr para fora, então esse processo de catarse mesmo, vamos curar isso através da música, com certeza.

 

Quanto ao som, seria exatamente a mesma proposta do Angra?

André Matos: A proposta musical não é exatamente a mesma, mas 80%. Se você tirou três membros do Angra, que era a maioria na verdade, fica muito difícil você mudar o estilo completamente, não é essa nossa proposta realmente. Acho que muito daquele estilo do Angra fomos nós três mesmos que criamos, e a gente pretende continuar com isso, mas talvez um Angra mais da época do Holy Land, que é uma coisa que a gente deixou para trás, a gente foi fazer o Fireworks, uma experiência diferente, que foi muito legal, mas acho que o auge da criatividade do Angra ficou mesmo na época do Holy Land. E o SHAMAN agora vai tentar retomar isso, não tanto a timbalada, as misturebas e tal, uma coisa até muito mais profunda, menos assim festiva, vamos dizer, mas sim uma coisa muito mais profunda e que tenha a ver com o misticismo, que é o lado do Holy Land que pegou mais, as letras, os climas, nem tanto os batuques em si, que são mais um enfeite do que a essência da coisa. Mas a idéia do SHAMAN é ir fundo nesse lado esotérico, no lado místico da coisa que tem muito para ser explorado e a própria entrada do Hugo na banda trouxe muito dessa raiz mais progressiva para a banda, mais melódico, mais progressivo, um pouco mais musical até. Um pouco menos técnico e mais melódico e muito mais pesado. O fato de você ter uma guitarra só deixa a banda mais pesada, por incrível que pareça. A única guitarra que está tocando é mais consistente, ela é mais pesada, fica muito mais coesa a cozinha toda da banda. E o Hugo é um cara que, apesar do lado progressivo dele, originalmente veio de uma banda thrash, Wardeath, na época do únicio do Angra, inclusive ele tocava e cantava, estilo James Hetfield e por aí, estilo Megadeth, então ele tem uma pegada thrash muito forte. E isso é interessante porque ficou esse Heavy melódico, algumas coisas rápidas ainda, mas com uma pegada mais thrash e alguns toques de música progressiva mais viajante e tal. Eu acho que a mistura está bem legal, estou bem satisfeito com essa nova vertente que a gente está seguindo, sem esquecer as influências antigas, da música clássica e tal, da próxima música folclórica, e por aí vai.

 

Quando pretendem lançar um CD? Já foram especulados por gravadoras de fora? Também será lançado no Brasil?

André Matos: Estamos já negociando com gravadoras tanto de fora quanto daqui também. Na verdade a gente pretende dar prosseguimento a essas negociações o quanto antes para poder definir data de gravação, etc. Enquanto isso, estamos trabalhando as músicas, já tempos praticamente material inteiro para o disco, só falta agora dar uma arranjada melhor nas músicas e trabalhar elas com um pouco mais de calma. Sobre o lançamento, a gente está prevendo para o final do ano, talvez Outubro ou Novembro, por aí.

 

Você já teria algum palpite de alguma música do SHAMAN que possa virar um hit?

André Matos: Como falam, às vezes a música que acaba rolando é aquela que você menos espera e aquela que você bota mais fé acaba não ficando legal para o disco e foi o caso que aconteceu com Carry On do Angra, por exemplo, que a gente estava quase jogando fora no final da gravação e de repente deu uma luz lá que a gente achou a solução para a gente fazer a música ficar legal e aí ela rolou. Então eu não arrisco mais palpite nenhum, eu acho que só dá para falar isso depois que tiver a bolacha na mão mesmo.

 

Como poderia descrever esses dois primeiros shows com o SHAMAN?

André Matos: Foi uma emoção muito forte, aquela sensação de estar recomeçando e ter uma responsabilidade de reconquistar seu público. O público foi fenomenal, foi demais, tanto em Recife quanto em Curitiba, o público tem muito carinho por nós e isso é uma coisa que conta muito, que marca muito, e a única coisa que a gente pode fazer é retribuir isso quando está lá em cima do palco. Então acho que a gente começou com o pé direito total e estamos embalados, já programando o show que vai rolar aqui em São Paulo no Via Funchal.

 

O SHAMAN tocará covers em seus shows? Quais?

André Matos: Olha, nós já começamos, nos shows que a gente fez aqui no Brasil – já tocamos covers do Iron Maiden, que era uma coisa que estava mais fácil de a gente tocar, “Run to the Hills” e “Flight of the Icarus”, que inclusive tocamos com o Bruce Dickinson lá em Paris e até por uma questão emocional eu gosto de tocar essa música que me lembra aquilo, que marcou um dos meus melhores momentos no Angra. E, assim, o Iron Maiden é uma coisa que sempre é pedida nos shows, em função da semelhança da minha voz e tal, o pessoal gosta de ouvir. Um outro que a gente provavelmente vai voltar a tocar em breve pode ser “Painkiller”, que a gente já gravou com o Angra para o tributo do Judas Priest. Mas existem também outros covers um pouco mais secretos que são até mais interessantes, que provavelmente já vamos tocar no show de São Paulo. Também gosto muito de algumas músicas do Helloween, como por exemplo “Eagle Fly Free”, tem um pique muito legal, tem muita pegada e eu gostaria de tocar esta algum dia.

 

Você acha que além das músicas do Angra agora você poderia voltar a tocar algo do Viper nos shows do SHAMAN?

André Matos: Já rolou!! Tanto no show de Recife quanto em Curitiba nós tocamos “Living for the Night” e foi um sucesso, ficou perfeito! A galera que estava esperando 10 anos para ouvir essa música chorou! E é muito legal pois para mim é emocionante também. A idéia é tocar inclusive sons mais antigos, como “Soldiers”, por exemplo. Porque a questão é a seguinte, apesar do SHAMAN já ter seu repertório próprio, acho que neste momento que estamos fazendo um show antes do disco, seria muito chato para o público ir num show nosso e só ouvir músicas novas e que não conhece, então nós estamos tocando 4 músicas novas e o resto do repertório são as músicas do Angra que eu compus, que o Ricardo compôs e que na verdade são a maioria das músicas, você tem aí “Carry On”, "Wings of Reality”, “Lisbon”, “Nothing to Say”… Então seriam essas músicas, as quatro do SHAMAN e os covers. O show está grande, com quase 2hs e bem completo. Com certeza o público vai sair dali satisfeito.

 

Sobre este primeiro show em São Paulo, o que seus fãs paulistas podem esperar?

André Matos: O público pode esperar exatamente o que viram na última vez que fizemos um show com o Angra juntos e ainda mais, pois vamos tocar quatro músicas novas e vamos vir com a produção completa do show, enfim, todo o cenário e toda a equipe que trabalhava com o Angra vai continuar com a gente também, continua fiel ao SHAMAN e vamos tocar coisas diferentes, que a gente não tocava há muito tempo, como “Living for the Night” do Viper e algumas boas surpresas, então acho que esse show vai dar o que falar mesmo!

 

Sobre planos futuros, quais seus próximos passos?

André Matos: Fazer show enquanto trabalhamos as músicas novas. Primeiramente no Brasil depois uma turnê, um show na França, em São Paulo e depois uma turnê latino-americana, que vai da Argentina até o México. Quando voltarmos da tour latino-americana, pretendemos estar com os contratos fechados para gravação do disco e começar a gravação aqui no Brasil, terminando talvez de gravar e mixar na Alemanha. No caso do Virgo, meu projeto paralelo, o lançamento está previsto pra Setembro e provavelmente uma turnê a partir no começo do ano que vem. Sobre o show da França, vamos tocar num grande festival em Paris dia 31 de Março ao lado do Rhapsody e Savatage – aliás, o Savatage vai abrir para a gente, isso é uma puta honra para nós!

 
 
 

Parte III – PROJETOS PARALELOS: Conheça tudo sobre o Virgo, suas participações no Avantasia, Hamlet e outros projetos.

 

Aquele projeto de regravar a “Soldiers” e fazer um tributo para as primeiras bandas de metal nacional, como Harppia, Virus, Platina, Centurias, Performances, Avenger, Karisma, Made in Brazil, Mamoth, você ainda pretende dar seqüência?

André Matos: Porra meu, isso é um projeto muito legal que inclusive a gente poderia pensar para o futuro mesmo. O próprio SHAMAN, depois que lançar o primeiro disco, ou o segundo, não sei, pois primeiro a banda tem que se restabelecer mais no cenário, com seu nome novo e tal. Mas é uma idéia que eu gostaria de conversar bastante com os meus colegas para a gente levar adiante, pois na verdade todos nós viemos desse berço aí, cara, principalmente eu, o Ricardo e o Luís, o Hugo já é um pouco mais novo. Mas a gente se encontrava já quando era pivete na Praça do Rock, Fofinho, Mambembe, Teatro Lira Paulistana, sempre onde tinha evento a gente estava lá, e eram essas bandas que rolavam, então esses caras eram meus ídolos quando eu tinha uns 14 anos e por aí vai. Por isso seria muito bacana poder regravar eles e soltar um disco algum dia com isso aí.

 

Falando nisso, você havia citado durante nossa entrevista anterior que Michael Weikath havia lhe convidado para um projeto paralelo. Este projeto ainda está de pé?

André Matos: Inclusive eu encontrei com o Michael lá fora, agora no lançamento do Avantasia, e teve uma festa com a apresentação do Tobias Sammet, enfim, um coquetel com entrevista dele, entrevistaram todos que participaram também, e o Weikath estava lá junto porque é amigo do pessoal e tal, e a gente voltou a comentar sobre isso e ele foi muito legal comigo. É engraçado como as coisas mudam, como o mundo da voltas, pois daquela época que lançamos o Angels Cry, ele falava mal do Angra, eu ficava puto e revidava, não sobrou nada na verdade. Ele até chegou para mim e falou: “Porra, eu fiquei super chateado com o que aconteceu com vocês, eu queria até oferecer meu apoio para você. Se você precisar de alguma coisa eu estou aí, se precisar de um amigo eu estou aí e tal”. Eu achei muito legal isso da parte dele, porque ele falou: "Eu já passei por isso muitas vezes com banda e entendo o que você está passando e tal”. E ele está super curioso para saber o que vai sair com o SHAMAN, com o próprio Virgo e a gente voltou também a falar por alto sobre seu projeto, mas ele falou que agora no momento ele está muito ocupado, pois acabaram de lançar um disco novo e já estão planejando a turnê, então para o Helloween o esquema está muito puxado e eles estão super ocupados. Mas ele falou que quando estiver com um tempo maior vai começar a compor o material para o álbum dele e vai me dar um toque.

 

Sobre seu atual projeto paralelo, VIRGO…Fale sobre ele.

André Matos: O Virgo é um duo na verdade, pois eu e o Sascha Paeth nos encontramos há muito tempo, ele era o produtor do Angra e a gente tinha essa idéia de fazer esse projeto paralelo, então rolou. A gente resolveu fazer um tipo de música diferente, não seria 100% Heavy Metal, uma coisa mais voltada mesmo ao rock clássico, o rock tradicional estilo Queen mesmo, uma coisa mais apoteótica e bombástica e tal, nem tanto Heavy Metal, mas nem tanto pop também, uma mistura entre os dois que ficasse na metade aí. Algo que acho bem legal, pois é o tipo de música que eu sempre curti, que eu sempre ouvi bastante mas nunca tive oportunidade de fazer, agora finalmente dará para explorar esse meu outro lado no Virgo sem comprometer o som que estou fazendo com o SHAMAN. A idéia agora é realmente setorizar as coisas, deixar as coisas mais pop para o lado de lá, e o mais Heavy para o lado de cá.

 

Qual o significado do nome Virgo?

André Matos: O nome nasceu de uma série de coincidências, pois tanto eu como o Sascha somos do signo de Virgem, e o nome em latim do signo de Virgem é Virgo, mas a gente achou outras coincidências ainda, pois Virgo em latim também significa algo inexplorado, uma coisa que não foi feita ainda e tal, e essa também é a idéia do projeto e quando fomos consultar no zodíaco qual era o símbolo do signo de Virgem, ele forma mais ou menos uma aglutinação de uma letra “M” com uma letra “P”, e a gente tinha pensado exatamente “Virgo – Matos Paeth”. Então o logotipo da banda ficou Virgo MP, com o símbolo do signo e Matos Paeth embaixo.

 

E os outros músicos, quem seriam?

André Matos: São todos músicos alemães, que praticamente são músicos contratados para gravar e também fazer a turnê quando rolar. Na bateria temos o Robert Hunecke-Rizzo, que na verdade é o baixista do Heavens Gate, que originalmente era baterista e toca baixo só para se divertir. Ele também gravou a batera no disco do Luca Turilli, o cara é um super músico, toca tudo, toca guitarra também e tal, mas enfim, ele é o baterista. No baixo, a gente tem um cara que se chama Olaf Reitmeier, que é um baixista famoso na Alemanha, tem uma banda que está nas paradas lá, chamada Hyperchild. E nos teclados, um parceiro do Sascha, produtor também, o Miro. Então esses três completam o time e todo o resto a gente faz, eu faço piano, faço voz, alguns teclados, o Sascha faz todas as guitarras, ele toca alguma coisa de baixo no disco também, e por aí vai.

 

É verdade que fazem covers de Queen?

André Matos: Ao vivo sim, acho que a gente vai fazer alguma coisa, apesar de que é um pouco de pretensão fazer cover do Queen. Acho assim que o Queen é uma banda “incoverável” e vou pedir inclusive permissão, licença ao público para fazer isso, mas mesmo sem fazer cover, nossas músicas estão bem no estilo do Queen, que na minha opinião é a melhor banda de todas. O Queen é uma banda assim que conseguiu englobar tudo na música deles, desde do heavy até o pop mais pop, com uma personalidade tal que você não acha uma voz igual a do cara, você não acha uma guitarra igual a do cara, entendeu? Os arranjos são muito loucos.

 

E sobre sua participação no projeto Avantasia de Tobias Sammet (Edguy)? Como surgiu o convite?

André Matos: Claro! Foi um projeto muito legal, eu recebi o CD faz umas duas semanas e honestamente, é uma das melhores coisas de Heavy que eu ouvi nos últimos tempos, cara, está muito bom, muito bem produzido, muito bem tocado, as músicas são demais. A última turnê que o Angra fez na Europa foi junto com o Edguy, e a gente ficou bem amigos, o cara é muito legal, a gente tem bastantes coisas em comum e na época ele me deu um toque, ele falou: “Eu estou compondo uma ópera rock e tal” e eu falei: “Porra meu, estou na fita!”. E lógico que ele lembrou, ele até tinha dito: “Lógico, eu já tinha pensado em te chamar mesmo, você era um dos caras que eu queria chamar”, aí eu falei: “É só me avisar, a gente estando na área, faz!”. E quando rolou a gravação eu estava justamente lá com o Sascha gravando a demo do Virgo, então o Tobias me procurou e falou: “Estou com a música na mão, sua parte está pronta para você cantar”, então eu falei “Beleza, então manda para cá”. Na verdade eu não gravei no estúdio dele, eu gravei com o Sascha, o Tobias mandou as partes, eu fiz minha interpretação e mandei de volta. Mas na verdade eu gravei muito mais do que saiu no disco, porque esse disco é só a parte 1, e vai ter a parte 2 que tem mais partes que eu fiz também. Então nesse disco tem 3 faixas que eu participo, junto com todo o pessoal lá que está cantando junto, o Kai Hansen, o próprio Tobias, enfim todo o resto, parece que tem dez vocalistas diferentes gravando. E ficou muito legal cara, eu fiquei bem orgulhoso, eu achei bem legal estar lá no meio porque aquilo ali é um Heavy de verdade, ficou muito bacana.

 

Parece que você também está participando de um projeto chamado “Looking Glass Self”. Fale sobre isso.

André Matos: O Looking Glass Self é o seguinte, é um projeto, é uma banda que é dos irmãos Holzwarth, que enfiim, é o baterista do Rhapsody, o Alex Holzwarth, que é o cara que gravou o Angels Cry com o Angra. Naquela época a gente estava sem baterista e ele foi o músico de estúdio que gravou para a gente, e desde essa época eu conheço o Alex. A gente se encontrou várias vezes por aí, inclusive a última foi lá no Wacken e ele me deu esse toque, ele falou: “Eu estou com uma banda com o meu irmão”. O irmão dele é o Oliver Holzwarth, que toca baixo no Blind Guardian. E é um “progressivaço”, assim um progressivo radical, eles já tinham uma banda antes que chamava Sieges Even que acabou, então alguns integrantes dessa banda montaram o Looking Glass Self, então um dia o Alex me ligou, eu estava lá na Alemanha, e falou: “Eu estou procurando um vocalista para a banda, você não conhece ninguém? Inclusive eu pensei, se você pudesse, sua voz é tão legal e nem que seja para ajudar a gente, a gente está gravando uma demo e tal”, daí eu falei: “Cara, se eu tiver um tempo eu vou aí e dou uma força para vocês”. Então eu fui lá para Munique, passei dois dias lá e a gente gravou. Na verdade tudo o que foi feito até agora foi uma demo, que eles vão mandar para gravadoras e tal, e eu não sei se vou ter a disponibilidade depois de seguir adiante e fazer o disco mesmo com eles, na verdade eu fiz isso mais numa coisa de camaradagem. Então, assim, por enquanto não rolou nenhum contato com gravadora e nada, ficou só na demo mesmo e eu fiz porque sou amigo deles e tal, foi muito legal, são ótimos músicos e para mim foi uma experiência legal também, mas por enquanto não passou disso, foi só uma coisa de amizade mesmo e se por ventura aparecer algum contrato para gravar algum disco eu vou estudar o projeto, porque na verdade estou com muitas coisas e também não é muito conveniente ficar misturando tantos estilos diferentes assim.

 

Mas então seria um estilo mais voltado ao rock progressivo?

André Matos: Cara, para você ter uma idéia de como é progressivo, não tem nem guitarra elétrica a banda, é só violão. Então é um progressivo light mesmo, super encrencado, é uma coisa meio tipo Yes, entendeu? Mas só acústico mesmo praticamente, mas é um puta som legal, eu até te mostro uma faixa para você ver, é um som assim bem viajante, super encrencado, daria nó até nos caras do Dream Theater, porque os caras são bons para cacete, os irmãos ali, o violonista também, o Markus Steffen, o cara manda muito. Então, para mim foi uma experiência legal porque é um som que não tem nada a ver com o que eu já fiz e eu gostei de cantar aquilo ali. Vamos ver, se rolar o disco, quem sabe se for mais para a frente e eu tiver mais desocupado, sem o SHAMAN, nem o Virgo e tal, eu até penso em gravar com eles.

 

Falando em rock progressivo, comente a respeito de sua participação no novo CD do Sagrado Coração:

André Matos: Para mim foi uma grande honra participar desse disco do Sagrado porque eu sou um grande fã do Sagrado Coração da Terra já há alguns anos – como banda de progressivo, eu acho a melhor banda do Brasil na verdade. Eu acho que a melhor banda brasileira no momento é o Sagrado Coração da Terra e tive a felicidade de encontrar com o fundador da banda, que é o Marcos Viana, lá em Belo Horizonte uma vez, quando o Angra estava fazendo um show e acabamos nos tornando amigos, a gente se encontrou várias vezes depois disso aqui em São Paulo, em BH de novo, e rolou o convite de eu fazer a participação no disco dele, o que me deixou muito honrado, cara, eu fiquei muito feliz e eu acho que o resultado ficou bem legal porque é uma musica clássico-progressiva, extremamente progressiva. E claro que eu sou obrigado a cantar de uma maneira um pouco diferente do habitual, então para mim foi uma experiência nova, alem do fato de gravar inteiramente em português, foi a primeira vez que eu realmente realmente gravo em português num estúdio e eu acho que o resultado ficou bem legal. Quem tiver a oportunidade de conferir esse último disco do Sagrado vale a pena, não só pela minha participação, mas o disco inteiro é demais. A chantagem é que ele vai participar do disco do SHAMAN também, tocando violino elétrico para a gente! …(risos)

 

Parece que você fará uma participação no projeto Hamlet, que reúne as principais bandas brasileiras de Heavy Metal interpretando essa obra de William Shakespeare. Fale sobre isso:

André Matos: O SHAMAN havia sido convidado a participar mas a banda achou melhor não tomar parte ainda porque a banda não tem um disco próprio lançado, então vamos esperar primeiro o disco, aí a gente pode pensar noutras futuras eventuais participações e tal. Agora, eu me coloquei à disposição para fazer minha participação pessoal cantando uma parte e parece que vai rolar. Eu estou bem curioso pois foi uma peça que foi composta exclusivamente para esse projeto, então da mesma forma que eu participei do projeto “Avantasia” do Tobias Sammet, estou bem curioso para ver o resultado do Hamlet, que inclusive é com bandas nacionais, então acho legal a gente poder participar disso e ajudar na medida do possível.

 
*amanhã publico o restante desta entrevista*

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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