Entrevista antiga (e gigante!!) de Andre Matos para Heavy Melody – partes 4 e 5


 

Parte IV – TRIBUTO AO VIPER & ANGRA: Reatando a amizade com o Viper e sendo homenageado pela sua carreira.

Como você se sente sabendo do show-tributo ao Viper e Angra em sua homenagem? O que acha da idéia desse projeto se transformar num futuro CD-tributo gravado em estúdio?

André Matos: Olha, eu fiquei muito honrado, muito lisonjeado e contente com essa idéia, para mim é um reconhecimento de praticamente 15 anos que eu já tenho de carreira e fiquei muito feliz mesmo apesar de me considerar novo, pois não sou nenhum dinossauro do rock para talvez merecer um tributo, até fico pensando: "Eu, merecer um tributo??", mas fiquei muito feliz com isso e vai ser muito legal ver várias bandas participando disso, a maneira como elas vão fazer isso, a maneira que eu provavelmente já possa ter influenciado essas bandas, então eu me sinto realizado com esse evento e o dia que sair o CD vai ser melhor ainda. Podem contar comigo para estar presente no evento e se precisar fazer algum discurso eu faço também!…(risos)

 

Assim como você, os irmãos Passarell estarão presentes no evento. Poderia rolar alguma jam entre vocês para relembrar os velhos tempos??

André Matos: Quem sabe!?, tudo é imprevisível, vamos ver na hora como vai estar rolando o clima, eu não tenho a intenção em participar efetivamente do tributo cantando pois se é um tributo em minha homenagem fica meio estranho. Eu preferia ficar só na platéia mesmo curtindo, mas eu voltei a ser amigo dos caras e tenho muita saudade daquele tempo no Viper e acho que eventualmente uma jam seria muito legal.

 

Você chegou a cogitar em voltar a fazer algum projeto com os caras após o "episódio Angra"?

André Matos: Olha, nós não chegamos a cogitar, mas eu fiquei sabendo que eles estão pensando em voltar talvez e eu acho que fica tudo em aberto. Agora no momento, não teria muito sentido, não faria muito sentido porque eu estou muito ocupado com o SHAMAN e mesmo com o Virgo lá fora. Eu acho que hoje em dia entre o Viper e eu, está tudo bem mais tranqüilo, todas as marcas do passado já se apagaram, a gente voltou a ser amigo todo mundo, isso que eu acho bonito nessa história toda, eu acho muito legal. E eu tenho muita saudade daquele tempo do Viper, é um tempo que naturalmente não volta mais, mas que eventualmente numa jam ou coisa assim pode até voltar por 1 segundo, iria ser legal.

 

Falando ainda em Viper, o que acha da volta da banda às raízes metálicas? Você acha que a banda deveria escolher um vocalista solo como era no inicio da banda?

André Matos: Seria bem legal. Eu acho que na verdade o Viper tem duas fases, tem a fase que é comigo, com o André Matos, e a fase depois, então se eles vão voltar, também nada impede que o Pit cante as músicas e enfoque um pouco mais as músicas mais antigas. Eu não vejo muita necessidade de um vocalista, vamos dizer que isso até descaracterizaria um pouco a segunda fase do Viper, então se eles fizessem um show, o cara teria que cantar as músicas do começo e o Pit cantar as outras e ficaria meio estranho o cara sair do palco e não cantar o resto. Então eu acho assim, se eles querem voltar e fazendo Metal, eu acho que é o caminho certo, é o caminho que eles sempre deveriam ter seguido na vida.

 

Parte V – DIVERSOS: Conheça as curiosidades, opiniões pessoais do mito André Matos e o desfecho da entrevista.

 

Na nossa última entrevista, muitos leitores sentiram um clima acirrado devido aos assuntos polêmicos abordados. Você concorda que o papel pode tornar uma entrevista fria, distorcer sua entonação ou mesmo alterar o sentido das palavras?

André Matos: É, realmente para quem não está presente no momento em que a entrevista foi feita, até pode parecer uma coisa que na verdade não é. Eu acho que a nossa entrevista, muito pelo contrário, ela serviu para esclarecer muita coisa entre a gente, porque nós dois tínhamos uma imagem errada um do outro, pois eu tinha lido a edição anterior com a entrevista do Dark Avenger e tinha ficado meio chateado porque achei que vocês tinham conduzido a entrevista de uma maneira que não tinha sido legal e ao mesmo tempo você tinha uma imagem do André Matos que era aquela que muita gente tem mesmo, de um cara arrogante, de um cara convencido e tal. Acho que essa entrevista na verdade serviu para esclarecer isso de uma vez por todas e limpar algumas coisas entre a gente e a partir disso até se criou uma amizade. Então acho importante a função do jornalista, do repórter, que é bem direto nas coisas que ele coloca porque o artista na verdade está lidando com um público e tem que estar preparado para uma série de dúvidas e perguntas que aparecem que ele tem que responder realmente, sem falsear muito. Acho que vocês me deram essa oportunidade de responder as coisas diretamente e a única coisa que eu posso dizer para os leitores é que não tem nenhum tipo de clima negativo entre a gente, muito pelo contrário, hoje conto com o HEAVY MELODY como um dos nossos maiores aliados nesse recomeço do SHAMAN.

 

O que acha do projeto Brasil Metal Union que tem como meta estimular a união entre bandas de Heavy Metal nacional de diferentes estilos e estados brasileiros?

André Matos: O maior problema no Brasil é a desunião entre as bandas e a competição e tal, que é uma coisa que lá fora não rola tanto. Está na hora de se conscientizar, então acho que todo mundo está percebendo que se não se unir, não se chega a lugar nenhum. Muito pouca gente está dando valor para o underground no Brasil e então acho que esse tipo de evento é vital para poder lançar novos talentos e eu parabenizo vocês pela coragem de estar fazendo isso que na verdade é o tipo de evento que no passado lançou bandas como o Viper, a gente começou mesmo participando de eventos underground então isso aí que faz realmente as bandas acontecerem.

 

O Luís e o Ricardo participaram da primeira edição do evento no ano passado, mas você estava na Alemanha. Os fãs de André Matos poderão talvez ser honrados com sua presença na edição deste ano do Brasil Metal Union?

André Matos: Quem sabe!? Não sei se com ou sem o SHAMAN, mas a gente com certeza vai estar lá nem que seja para assistir a segunda edição e vai depender muito da nossa agenda, se o SHAMAN vai estar fazendo alguma coisa e puder ser encaixado a gente faria com o maior prazer principalmente pelo fator de a gente estar apoiando isso aí também.

 

Quais as bandas brasileiras de maior destaque na atual cena heavy na sua opinião? Existe alguma em particular que julgue promissora e com quem gostaria de dividir o palco?

André Matos: Mais uma vez eu vou citar aquele pessoal de Natal, o Deadly Fate, que, assim, não querendo desmerecer as outras mas, das bandas que eu já dividi o palco por aí é uma das mais promissoras, são muito bons mesmo. E tem o pessoal do Karma aqui de São Paulo que eu gosto bastante também.

 

Depois do Angra, o Fates Prophecy, o Symbols, e o Dark Avenger estão entre as melhores bandas brasileiras de Heavy Metal da atualidade. Qual sua opinião sobre as bandas citadas?

André Matos: Sim, mas na verdade eu conheço pouco. Eu gosto de dar uma opinião sobre a banda quando eu já vi ela ao vivo, eu acho que aí é que a banda mostra a cara mesmo. Não adianta você ouvir uma gravação e julgar muito. Então assim, estou esperando a oportunidade de poder vê-las ao vivo.

 

O que acha sobre a volta de bandas como Acid Storm e Revenge?

André Matos: Acho super válido, super legal cara. Eu acho que naquela época as bandas brasileiras não tinham muita condição, muita possibilidade de fazer nada lá fora e muitos talentos bons foram passando sem ser reconhecidos e o pessoal acabou sendo vencido mais pelo cansaço mesmo de nada rolar e tal. Hoje em dia é mais fácil, com internet, comunicação e tal fica tudo mais fácil, então legal que essas bandas estejam voltando e espero que consigam espaço lá fora, que é o mercado principal mesmo.

Faça um breve comentário sobre as seguites bandas:

André Matos:

Iron Maiden:

Minha primeira grande influência no Heavy. Acho que se for para escolher uma banda como representante daquilo que eu entendo por Heavy Metal, é Iron Maiden. Foi a que mais me marcou, a que mais me influenciou. Mas eu estou falando do Iron Maiden até o "Seventh Son", depois disso eu prefiro não considerar.

Judas Priest: 

Segunda influência! O primeiro LP que eu comprei deles foi aquele Unleash to the East, "ao vivo" em Tóquio e daí comprei vários. O Judas realmente eu acho que é o ícone do Heavy Metal, se você falar em Heavy Metal, é a banda que mais representa o que quer dizer a palavra em si. Aliás, eu vi o show deles no Rock in Rio II, em 91, eu fui lá exclusivamente para ver o Queensrÿche e tinha o show do Judas. Muito bem, o Judas tinha acabado de lançar o Painkiller e tal, ainda era uma incógnita o que o Judas estava fazendo. Depois que eu vi o show, eu sai alucinado cara, eu falei: "Não é possível que existe isso!", eu até esqueci que existia o Queensrÿche depois!

Queensrÿche:

Grande influência do melódico para mim. Foi uma banda inovadora na coisa dos arranjos, a banda perfeita na verdade, a banda mais perfeita que eu acho que já existiu foi Queensrÿche. Sempre me impressionou muito, eu continuo escutando com muito gosto o Queensrÿche, adoro! Mas também depois que o Cris de Garmo saiu houve uma perda muito grande, porque ele era a mente criativa ali. Mas eu acho o Operation: Mindcrime a maior obra-prima do Heavy.

Helloween: 

Foi uma banda também inovadora cara, eles pegaram um estilo que era praticamente uma mistura do Iron Maiden com Deep Purple e Uriah Heep e fizeram um Heavy mais rápido que marcou época. Naquela época do Viper, a gente já notava alguma influência do Helloween nas composições e tal. Mas assim, o Helloween foi uma banda que eu vim a descobrir mais tarde, naquela época eu não escutava Helloween para ser sincero, escutava as bandas mais velhas, o Iron Maiden, o Judas, o Manowar. O Helloween eu vim a descobrir mais tarde e hoje eu dou o braço a torcer que foi uma das grandes bandas do Metal.

Manowar

Minha terceira grande influência, depois de Iron e Judas. Estou falando também dos anos 80 evidentemente, eu acho que o último álbum bom do Manowar foi aquele Triumph of Steel e depois não, depois eu acho que caiu na mesmice e tudo mais. Mas até ali, apesar do lance da imagem, do visual que é meio extravagante, meio exagerado, é uma coisa que eu não estou dando muita bola porque para mim o que interessa é a música, e eu sei que a música no fundo é profunda, é legal. E eu tive uma grande surpresa quando encontrei os caras do Manowar pessoalmente, porque você acha que eles são aquela coisa que eles passam da imagem e tal, que nada, são uns puta caras gentis, super gente fina, calmos pra caramba, e ficamos bons amigos até.

Deep Puple:

Primeira banda que fez um rock clássico na verdade, que misturou orquestra e que fez um Heavy mais progressivo. Eu acho o Ian Gillan fenomenal, eu acho o Ian Paice fenomenal, acho todos fenomenais cara. Eu não considero Deep Purple Heavy Metal, acho que é uma transição do rock para o Heavy Metal, mas é uma das minhas favoritas realmente dos anos 70 e 80. E aliás o Deep Purple, eu vou te falar uma coisa, para mim foi a maior surpresa dos anos 90, porque quando todo mundo estava tentando repetir as mesmas fórmulas e tal, veio o Deep Purple e fez uma coisa diferente, já com o Steve Morse, apesar de que eu prefiro o Blackmore, ele ainda é meu favorito. Mas o Deep Purple veio, os caras velhos assumindo a idade que eles tem, de cabeça branca mesmo e mandando ver. Eu acho que é uma postura bem legal, não são caras que estão tentando dar uma de moleque com 50 anos nas costas não, eles assumem e mandam ver no som e é isso aí que eu espero o dia que eu ficar velho, eu ser igual a eles.

Led Zeppelin:

O Led acabou há muito tempo mas continua presente cara. É a banda mais mística de todas na verdade, os caras criaram mesmo, eu acho que eles são os criadores dessa porra toda que a gente está vivendo aqui, foram os primeiros a fazer realmente a música pesada do jeito que a gente conhece.

Black Sabbath: 

Esses vieram depois do Led, quer dizer, eles levaram a música pesada ao extremo ainda nos anos 70 e todos eles são como professores para gente cara. A gente inclusive teve a possibilidade de dividir o palco com o Black Sabbath no Monsters, está certo que não foi com o Ozzy cantando, mas o Black Sabbath realmente é uma banda que…se não fosse pelo Black Sabbath, o Heavy Metal não existiria.

Ozzy: 

Grande mestre! É o maior compositor de Heavy metal que eu conheço. Como cantor ele é um cara insubstituível, ele tem uma voz única, não se pode dizer que ele é um virtuose do canto mas ninguém canta como o Ozzy, você percebe na hora que é Ozzy.

Dio: 

É muito difícil, todos esses caras estão num mesmo nível. O Dio é o cara mais carismático, eu já fui em vários shows do Dio e ele me impressionou pela maneira como ele daquele tamanho, naquela idade, domina completamente a cena, domina o palco, e tem uma força interior muito grande.

Yes: 

Grandes mestres do progressivo e uma grande influência também. Acho que principalmente nos anos 80, quando eles vieram aqui para o Rock in Rio, eles trouxeram uma coisa muito diferente e me influenciaram bastante também.

Kiss: 

Uma das primeiras bandas que eu comprei disco na vida ao lado do AC/DC foi o Kiss, daquela época em 83 quando eles vieram para cá, Creatures of the Night, me impressionava muito e é uma banda que até hoje eu gosto de escutar.

AC/DC:

É um dos meus favoritos! Apesar de que não tem nada a ver comigo, com a maneira como eu canto, como eu componho, nada a ver, mas eu adoro AC/DC. Puta que pariu! Aquele show que a gente fez com eles aqui foi demais! Eu fiquei que nem uma criança ali vendo aquele show cara, foi inesquecível. E sem falar que foi muito legal o esquema todo, eles trataram a gente muito bem como banda de abertura, deram toda estrutura, foi muito legal.

Metallica:

Eu gosto principalmente dos primeiros álbuns do Metallica, quando era mais thrash mesmo e o meu preferido é o Ride the Lightning. É, o Metallica era uma banda que realmente era a coisa mais pesada na época, ao lado do Slayer.

Queen:

Minha banda favorita! Acho que o Queen conseguiu englobar todos os estilos de música dentro de um só e para mim é uma banda muito mais importante do que o Beatles por exemplo, além de eu achar que o Freddy Mercury é o melhor cantor que já apareceu.

Ÿngwie Malmsteen:

Legal! Eu comprei o primeiro disco do Malmsteen quando saiu aqui, o Rising Force, e Malmsteen foi uma revolução na guitarra também. Meio assim apoiado naquilo que o Blackmore já tinha criado, o Malmsteen foi mais longe e era muito impressionante na época que aconteceu o Malmsteen, todo mundo ficou impressionado.

Ritchie Blackmore:

É o meu guitarrista de Heavy favorito.

Metal Church:

Eu sempre achei o Metal Church muito parecido com Iron Maiden e então assim, na época eu preferi escutar o original. Então Metal Church é uma banda que eu nunca escutei muito mas dou valor pela história que eles tem.

Agent Steel:

Também é legal, mas não era uma banda que eu escutava muito freqüentemente não

Wasp:

Não, nunca gostei.

Warrant:

Também achava uma caca.

Accept:

Adorei! Eu era fã do Accept junto com todas essas que eu falei. Na verdade mesmo antes do Helloween o Accept veio com aquele disco Restless and Wild em 82 que demoliu tudo, os caras destruíram tudo, até hoje eu escuto aquilo.

Exciter:

Muito legal! Dan Belar na bateria, cantor. Eu lembro do show que eles fizeram aqui e incusive eu conheci ele pessoalmente aqui, foi muito gente fina, Exciter é uma banda que faz falta.

Gamma Ray:

Gamma Ray é muito legal, a gente já tocou junto várias vezes, gravamos no estúdio deles na verdade já várias vezes. É uma banda muito mais antiga do que era o Angra, mas eu sempre admirei bastante e eu tive até a possibilidade de fazer uma participação com eles aqui no Brasil.

Blind Guardian:

Legal também, eu conheço eles pessoalmente e são caras muito legais, e que tem uma proposta diferente. Dentro dessa coisa do Metal eles procuram a coisa mais medieval e tal, eu acho bem interessante a proposta do Blind Guardian.

Rhapsody:

Já é o Metal melódico ao extremo. E às vezes eu acho a música do Rhapsody um pouco complicada demais, uma música que eu não faria da mesma maneira. Mas acho que todos eles são bem criativos, criatividade é o forte do Rhapsody, tem partes muito interessantes e pessoalmente são pessoas maravilhosas. Eu conheço bem o Luca, o Alessandro, o próprio Fabio, são super legais.

Hammerfall:

Também já tocamos juntos várias vezes. Ë um Heavy que busca uma coisa mais tradicional, mais europeu e é legal, tem essa força do Heavy europeu.

Virgin Steele:

A gente já fez uma tour juntos e é muito legal! E são caras muito loucos, são figuras raras e a gente deu muita risada com eles porque são uns caras que são engraçados mesmo, assim no dia a dia. Mas que acho muito bacana, vamos dizer assim, é como se fosse um paralelo com o Manowar, é um Manowar que não ficou tão famoso.

Dream Theater:

Esses revolucionaram também. E eu tenho uma boa relação com o James, o cantor. Muito legal, eu admiro muito o Dream Theater, principalmente o primeiro disco, o Imagens and Words, eu acho que é uma obra-prima aquilo ali.

Stratovarius:

Perfeito! É uma banda também de super amigos meus, e foi muito legal a torne que fizemos juntos e acho que é a banda mais precisa e mais perfeita que existe na atualidade.

Edguy:

Também outra banda que nós fizemos tour junto! Gozado, você fala dessas bandas, a maioria a gente já fez tour junto, já tocou junto e tal, isso que é legal, isso que é bacana! O Edguy também é uma banda que tem um futuro brilhante eu acho, se continuar na linha que está. E o Tobias, o cantor, é um cara que eu considero assim realmente genial, tem idéias fantásticas, além de ser um bom amigo meu.

Mercyful Fate:

Aí já vai para uma linha completamente diferente de todo o resto. Também já tocamos junto com eles num festival e é uma lenda, na verdade o King Diamond é uma lenda. E eu acho legal, eu acho que eles foram precursores de toda essa onda de black metal que existe hoje em dia, dos caras se pintarem e fazerem aqueles temas mais macabros e tal, na verdade foi o Mercyful Fate o precursor.

Primal Fear:

É, tem qualidade, eu gosto muito do Ralph Scheepers, principalmente da época que ele estava no Gamma Ray, mas não vejo muita diferença disso para Judas Priest.

Genesis:

Eu gosto mais da época do Peter Gabriel, tem um disco célebre deles chamado Selling England by the Pound e quando o Peter Gabriel saiu eu continuei acompanhado sua carreira solo e ele é um dos meus favoritos até hoje, coisa que eu ouço quase todo dia junto com Queen. E o Gênesis eu gosto muito também do guitarrista Michael Huteford que tem um projeto solo muito legal, que é o Michael and the Mecanics, que é uma coisa mais pop que eu gosto muito de ouvir também. Eu acho Gênesis uma puta banda e acho o Phil Colins muito bom, especialmente como baterista, eu até preferi ele como baterista que como cantor na verdade. Mas eu gosto mais da época antiga mesmo, dos anos 70.

Heavens Gate:

É uma banda que conheci faz muito tempo, desde o começo do trabalho com o Angra. Na época foi uma grande honra conhecer o Sascha pessoalmente e ele veio trabalhar como nosso produtor. E o mais legal é que a nossa amizade sobreviveu às duas bandas, porque tanto no Heavens Gate quanto no Angra houveram mudanças, eu saí do Angra e o Heavens Gate praticamente parou. Mas nós continuamos juntos e trabalhando no Virgo.
 

Se você fosse escolher uma coletânea perfeita, quais bandas e músicas estariam nesse CD?

André Matos:

1-Walking in the Shadows – Queensrÿche

2-Two Minutes To Midnight – Iron Maiden

3-Mountains – Manowar

4-Eletric Eyes – Judas Priest

5-Perfect Stranger – Deep Purple

6-Restless and Wild – Accept

7-For Those About To Rock – AC/DC

 

Na sua opinião, quem são os maiores vocalistas do mundo? Com relação aos outros vocalistas nacionais, quais ganham sua admiração?

André Matos: Bom, eu acho que o Freddy Mercury para mim é o número 1 no geral, mas falando mais em Heavy, eu acho que o Bruce, o Rob Halford, o Eric Adams e o Geoff Tate. Dos nacionais, assim, fica difícil dizer porque são muitas bandas novas agora e eu gostaria de ter mais contato. Infelizmente pelo fato da gente ter viajado muito, não estar sempre aqui no Brasil, não deu para acompanhar muito o movimento aqui dentro e agora eu pretendo ficar mais tempo aqui e acompanhar mais de perto. Então isso é uma coisa que eu vou poder responder dentro de algum tempo.

 

Tendo em vista o ocorrido com o Sepultura, Angra, Krisiun e mais recentemente o Rebaelliun, já faz parte da cultura brasileira reconhecer o valor das bandas nacionais apenas após sua aprovação no exterior, mesmo porque a grande maioria das bandas não é privilegiada pelo respaldo da elite da mídia especializada, como a Rock Brigade que foi fundamental para o sucesso do Angra. Qual sua opinião sobre esta triste realidade? Qual seria a solução para isso? Você acha que sair do Brasil ainda é o caminho mais viável?

André Matos: Olha, como eu já falei várias vezes, eu acho que infelizmente ainda é. Por vários motivos, primeiro porque a estrutura lá fora já está bem mais montada do que aqui dentro, e segundo porque a estrutura que tem aqui dentro muitas vezes é corrupta. Então assim, as pessoas não estão interessadas em fazer uma banda crescer, não estão interessadas em ajudar, senão estão interessadas apenas em sugar o que tem para sugar de uma banda e jogar fora. E é exatamente contra essa corrupção que a gente levantou uma bandeira agora e vamos ver se a gente organiza essa merda aqui no Brasil para tornar esse país um país viável e decente, onde as bandas novas tenham também a possibilidade de começar a trabalhar sem ter que recorrer ao mercado externo.

 

Você acredita que este é o motivo principal de bandas como Dorsal Atlântica, MX, Korzus, Genocidio e Sarcófago terem se transformado em bandas cult? Seria esta a grande diferença destas bandas não terem o reconhecimento alcançado pelo Sepultura ou pelo próprio Angra?

André Matos: É, mas de todas essas bandas que você citou, a maioria já está extinta, então na verdade o que dá impressão é que esse esquema que rola no Brasil, se ficar só nisso acaba cansando muito e as bandas acabam sendo vencidas pelo cansaço, porque ficam tentando, tentando e acaba não dando em nada e apenas aquelas que conseguem ter alguma coisa lá fora que sobrevivem. Então eu gostaria muito de ver isso mudado, gostaria de ver isso acontecer de maneira diferente aqui.

 

A grande mídia não valoriza o Metal no Brasil. Na sua opinião, como poderíamos viabilizar a sobrevivência do estilo no país? Você acredita na união entre as bandas nacionais?

André Matos: Claro! Sabe, tem que criar um tipo de um movimento, como havia nos anos 80. Você vê, hoje o rap é valorizado, o axé music é valorizado, pagode, porque? Porque os caras são forte, os caras tem um movimento, eles conseguem o apoio das gravadoras, o apoio da mídia. E o Heavy por incrível que pareça, eu acho que até mais aqui no Brasil do que em outros lugares, é uma disputa o tempo todo, é uma falta de companheirismo. Então eu quero acreditar em pessoas que estão tentando fazer essa união, como é o caso do HEAVY MELODY, que está tentando sempre fazer eventos, unir as bandas, mostrar que todo mundo está junto. Por exemplo, você me perguntou sobre todas essas bandas lá de fora, como eu te falei, a gente já tocou junto, a gente se conheceu, ficou amigo e tal, e sem essa rivalidade que existe aqui dentro. Então isso que é chato aqui, isso é o que tinha que mudar, eu acho que não é um problema só do Brasil, é um problema da América Latina em geral, mas que tem que mudar.

 

Como fã de Malmsteen, como vê a entrada de Michael Vescera no Dr. Sin?

André Matos: Pois é, eu até estava conversando com o pessoal do Dr Sin, que é uma das poucas bandas que a gente tem um tipo de relacionamento saudável até e achei legal, achei que deu uma força para eles, mas é complicado essa coisa de você colocar um vocalista que não é daqui, não mora aqui, porque o cara não está sempre disponível. Por exemplo, o Dr Sin tem que fazer vários shows agora no interior e vai acabar indo o Andria cantar mesmo, porque o cara não pode estar aqui e tal. Então eu acho assim, por um lado ajudou e por outro lado prejudicou, eu acho que eles deveriam repensar isso talvez e chamar alguém que estivesse mais presente. Mas o cara é um ótimo vocalista, quer dizer, não estou colocando em questão o lado de qualidade da coisa toda que eu acho que valeu muito pelo disco e tudo mais.

 

Como foi para você dividir o palco com Bruce Dickinson durante aquele show do Angra em Paris? Existe algum outro ídolo específico com que sonha dividir o palco?

André Matos: É, na verdade não foi nem dividir o palco, ele foi um convidado nosso, ele veio especialmente para o nosso show, e foi um arranjo da gravadora lá, porque ele era conhecido da nossa gravadora e a gravadora fez o convite e ele aceitou. Ele veio exclusivamente para isso de Londres, veio pilotando o avião dele para Paris, fez o show e voltou para a casa no mesmo dia. Para mim, como eu já falei anteriormente, quer dizer, foi o maior orgulho para mim, foi o maior sonho que eu vi realizado em todo esse tempo de carreira, não poderia ser melhor e é muita emoção mesmo, uma coisa que eu não tenho nem palavra para falar. Eu acho que eu tive muita sorte e estou até conformado de que esse tipo de coisa não vai acontecer de novo porque é o tipo de coisa que acontece só uma vez na vida. Mas se eu pudesse escolher um outro ídolo para dividir o palco, talvez o Peter Gabriel, que é um cara que me inspira muito no ponto de vista musical, seria esse ídolo também.

 

A propósito, qual sua opinião sobre a volta de Bruce ao Iron e os boatos da volta de Halford ao Judas? Você acha que atualmente os negócio$ falam mais alto?

André Matos: Infelizmente eu acho que sim, tanto acho que eu não fui ver o Iron Maiden no Rock in Rio. Assim, eu realmente me recusei, aí é uma posição radical minha, eu confesso, mas quando eu tinha 13 anos eu fui ver o Iron Maiden no Rock in Rio I em 85 e foi o melhor show que eu já vi na minha vida e eu não quero apagar essa imagem da minha memória vendo uma coisa que não é mais a mesma. Ainda que tenham dito que o show foi do caralho, que foi muito legal o show aqui e tudo mais, eu até acredito que sim, eles são muito bons e competentes, mas para mim eu não concordo com essa coisa do Iron Maiden voltar com três guitarras, eu acho isso uma apelação. Ainda se fosse o Iron Maiden com a formação que eu vi no Rock in Rio, com apenas o Adrian e o Dave, com aquela formação tradicional, eu acho que meu coração iria falar mais alto e eu ia lá para ver, mas com essa não, eu não vou colaborar com isso, eu sou um fã radical. Eu realmente parei no Seventh Son e continuo ouvindo esses discos antigos com muito prazer e prefiro ficar ligado na imagem que eu tinha antigamente do Iron Maiden e não estragar isso com o que tá rolando hoje em dia. Se o Halford voltar para o Judas, eu acho que é a única saída para os dois, apesar de que dizem que o show do Halford foi muito legal aqui também, nisso eu até acredito, mas para o Judas Priest seria a saída, porque não adianta nada os caras colocarem um vocalista que é o clone do Halford, canta bem e tudo mais, mas não tem aquele carisma, então eu acho que seria a solução para eles mesmo.

 

Uma antiga curiosidade, na época que o Bruce saiu do Iron e houve o concurso internacional para substitui-lo, você foi cotado para o posto não é verdade?

André Matos: Fui. O pessoal da Sanctuary procurou a EMI no Brasil e a EMI procurou a Rock Brigade na época para obter algum material meu e foi mandado alguma coisa. O Angra inclusive não tinha nem o primeiro disco ainda, a gente mandou a demo, os discos do Viper e a demo do Angra. E pelo que eu saiba eles ouviram, escolheram a dedo os caras e tal e a resposta que eu obtive foi que fiquei em quarto lugar. Bem, se eu tivesse sido aprovado eu ficaria apavorado, seria muito difícil recusar uma oportunidade dessas. Eu nem saberia o que fazer pois eu estava começando com o Angra e seria um grande dilema, mas eu ia tentar, seria uma coisa irrecusável, mas eu ficaria apavorado.

 

Qual sua opinião sobre os organizadores que cobram fortunas para que bandas brasileiras possam abrir shows para as estrangeiras que vem tocar no Brasil, sabotando o som dessas "cobaias" para não tirar o brilho da atração principal?

André Matos: Isso é um absurdo! Se eu fosse essas bandas eu me negaria a tocar na verdade. É que eu sei que é uma oportunidade, os caras não querem perder uma oportunidade, mas no fundo isso acaba não ajudando em nada. De nada ajuda você tocar com uma qualidade pior e ainda por cima ter que pagar por isso. Então eu acho isso uma falta de senso de tudo, falta de respeito, falta de consideração com as bandas. Eu abomino a atitude desse tipo de organizador.

 

Qual a sua opinião sobre o projeto de intercâmbio de shows entre Brasil e Argentina, estimulando a união entre os bangers desses dois países? O que acha da revista Epopeya estar abrindo espaço para as bandas brasileiras?

André Matos: Pois é, a Epopeya eu já conheço há muito tempo e na verdade sempre abriu espaço para as bandas maiores brasileiras, como era o caso do Sepultura e do Angra, e agora esta abrindo para o Shaman também e outras bandas brasileiras como o caso ai do Dark Avenger e tal. Eu acho importantíssimo esse intercambio porque na verdade esta todo mundo no mesmo barco aqui do Metal latino-americano, desde do México ate o sul da Argentina e do Chile e tem muitas bandas rolando e o próprio SHAMAN agora vai sair em turnê latino-americana depois do show em São Paulo, a gente vai fazer uns dez shows na américa-latina a partir de Maio, desde do México ate Argentina a gente vai tocar. Acho assim que e importantíssimo também para que o publico daqui possa conhecer bandas estrangeiras mas que estão mais próximas da gente.

 

Você sempre está no Brasil ou na Alemanha quando não está em turnê, a Alemanha seria sua segunda casa?

André Matos: Sim, eu estou sempre na Alemanha. Já tenho muitos relacionamentos lá, inclusive eu aprendi a falar a língua bem melhor agora. A parte dos compromissos profissionais, eu tenho muitos relacionamentos pessoais mesmo na Alemanha, que é praticamente a minha segunda casa. Mas nem por isso justifica que eu fosse viver definitivamente na Alemanha ou algo assim, eu passo algum tempo por ano lá mas minha residência é aqui no Brasil, eu não pretendo que seja diferente porque realmente sempre que eu estou lá é muito bom mas eu sinto muita falta daqui e só posso dizer que realmente estou em casa quando estou aqui.

 

Muito obrigado pela entrevista, o espaço está aberto para as considerações finais.

André Matos: Muito obrigado a você Richard pessoalmente pela força que você tem dado e a gente conta com essa parceria com o HEAVY MELODY daqui para a frente sempre cobrindo os eventos que o SHAMAN eventualmente esteja participando. Desejo a vocês muita força, que o fanzine, posso falar até a "revista", continue crescendo como está e com essa qualidade tão legal que vocês conseguiram atingir. E sem falar nos eventos, nesse projeto de união do Metal nacional, contem com a gente sempre que precisarem! E aos leitores também por todo o apoio, a força que foi dada ao SHAMAN desde o início, a gente espera ver vocês pelo Brasil!

CONTATOS:
www.shamanonline.com.br

shaman1.cjb.net
www.virgo-online.com

 

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

2 thoughts on “Entrevista antiga (e gigante!!) de Andre Matos para Heavy Melody – partes 4 e 5

  1. João Paulo says:

    saudade dessa época =( bjs JP

  2. So says:

    Pois é, eu lembro que fiquei super feliz quando publicaram essa entrevista!!🙂

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