Entrevista com Corciolli


 
[Por Equipe FC Andre Matos Solo]
 
Primeiramente, nós da equipe do fã clube do Andre Matos e banda gostaríamos de agradecer essa oportunidade de entrevista e faremos algumas perguntas relacionadas ao CD novo de Andre Matos, produção musical e algumas coisas sobre você e sua carreira. Você poderia nos falar um pouco sobre sua trajetória musical?

Comecei a estudar piano aos 13 anos, depois de uma tentativa frustrada de querer ser o “Eddie Van Halen” com uma aula de violão (risos). Na época, já tocava em bandas de rock com amigos do bairro e nada me deixava mais feliz que tocar aquele solo de sintetizador de “All my Love” do Led… Quando passei a estudar harmonia e improvisação, entrei de cabeça no universo do jazz, abrindo muito minhas perspectivas musicais. Enquanto fazia a faculdade de arquitetura, toquei com o baixista Celso Pixinga e logo depois com a banda Espírito Cigano – experiências ecléticas, mas muito importantes em minha formação musical. Em 1993, terminando a facu, gravei meu primeiro CD e abri a gravadora Azul Music.

 
Quais são as suas maiores influências? O que você escuta diariamente?

Comecei ouvindo muito Metal e rock (acreditem! risos…) Iron, Judas, Van Halen, Queen, Purple e é claro Led! Aí veio uma fase do rock progressivo- ainda tenho toda a discografia (em vinil) do Yes, Genesis, ELP, Wakeman, etc… e também dos eletrônicos: Vangelis, Jean Michel Jarre, Tomita, etc…Ouvindo Jean Luc Ponty, Chick Corea, Spyro Gyra, comecei a escutar mais jazz, Bill Evans, Miles Davis, etc… Se ouço música clássica? Sempre! Adoro Bach e Débussy… Nos últimos 6 meses, voltei pro Metal (risos…)

 
Quais dicas daria para quem sonha em ter seu próprio negócio no mundo da música? E para quem deseja se tornar músico?

Perseverança, foco e tesão, porque se você não gostar do que faz, aí fica difícil, né? O negócio da música está mudando muito, então você tem que saber para onde olhar…

Para ser músico, além do talento, é necessário estudar muito e ter a cabeça aberta. Eu estudava 4 ou 5 horas por dia, tirava todos os discos do começo ao fim, em tudo é preciso esforço e dedicação…

 
O que pensa da situação do mercado fonográfico hoje no Brasil?
 

Não só no Brasil, mas no mundo todo, estamos passando por grandes transformações. Os hábitos do consumidor estão mudando, mas ainda que a internet ofereça tudo facilmente e de graça, tem muita gente que gosta de ter o CD na mão, com qualidade de áudio, ver o encarte, etc… em especial nos segmentos do Metal, da música clássica, do Jazz e da New Age. Creio que o CD se tornará uma opção de mídia para o consumidor – assim como o vinil, que está de volta… Hoje quem manda é o consumidor e as “gravadoras grandes” estão distantes dele. Mas considero a Azul uma “grande gravadora” (risos…). Sempre ouviremos nossos clientes… 

Fale um pouco do CD "Unio Mystica", que apresenta um junção de canto gregoriano e orquestrações no piano e teclados, com letras em latim.

Quando produzi esse álbum, em 1995, ninguém acreditava que pudesse ser de um brasileiro… Ele traz ótimas composições e arranjos com belas sonoridades. Gravei os coros gregorianos no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, e depois mixei o CD em Boston, nos EUA. Na época, estava lendo muitos livros de alquimia e esse rico universo imaginário que foram a inspiração para compor os temas. Esse CD recebeu uma benção do Papa João Paulo II e abriu muitas portas no mundo todo. 

Fale para nós como é fazer parte de álbuns ao lado de artistas consagrados como Vangelis, Yanni, Sarah Brightman, e Luciano Pavarotti, entre outros?

É gratificante quando você se dá conta que seu trabalho está lado a lado com grandes artistas, é um reconhecimento ao seu talento e esforço. O importante é nunca se acomodar e sempre buscar novos desafios, só assim você evolui. Agora, quero o Grammy e o Oscar, né? (risos…) 

Quais foram os artistas com os quais foi mais agradável trabalhar? Por quê?

Sempre aprendemos uns com os outros e, em alguns casos, o trabalho fica melhor quando evolui para uma amizade. Sem querer puxar o saco (risos), foi muito legal trabalhar com o Andre. Primeiro pela afinidade musical, talento absurdo, capacidade e principalmente por que ele sabe ouvir, respeita sua opinião e é uma pessoa muito transparente… É claro que você tem que primeiro provar para ele que está com a razão (risos…)

A melhor e a pior coisa que existe dentro da produção de um álbum.

A melhor é quando uma idéia funciona e a pior é perder tempo com questões de ego… Se não está bom, o cara pode até ser o Bono Vox, mas tem que ter humildade, tranquilidade e segurança para fazer de novo até que a coisa funcione… No caso do Andre tudo correu muito bem, apesar da pressão por conta dos prazos.

Existe a possibilidade de projetos futuros, quem sabe até diferentes, com Andre Matos?

Sim! Como falei, tivemos muita afinidade e, dentro do possível, vamos tentar conciliar as agendas para desenvolver algo juntos. Vontade não falta! 

Quando surgiu a idéia de ter o seu próprio selo?

Quando terminei meu primeiro CD, levei-o até um executivo de uma gravadora major. Ele ouviu, mas me disse que não tinha muito mercado no Brasil para aquele tipo de música, etc… Mas gostou tanto que queria comprar um CD. Nesse momento, entrou na sala a sua assistente e perguntou se aquela música que estávamos ouvindo era minha. Quando respondi que sim, me disse que gostaria muito de comprar o CD… Caramba, como não tinha mercado se ali mesmo eu estava vendendo 2 CDs?!?  Assim, fundei a gravadora.

Andre Matos participou de duas músicas do seu disco, como foi essa parceria? Quando se deu início? Como foi o processo de composição? Houve participação do Andre ou as composições são todas de sua autoria?

Cara, o Andre cantou muito… As músicas são de minha autoria, com letras em inglês de meu compadre Claudio Blanc. Quando terminei a parte instrumental, senti que eram grandes canções e necessitavam de um grande vocalista. Uma curiosidade é que eu e o Andre estudamos no Colégio Rio Branco, em São Paulo, e na hora do intervalo, íamos até o teatro para tocar piano, alguns cantarem, etc… era uma turminha que adorava música. Lembro-me do Andre, um pouco mais novinho que a gente, mas já com o cabelo comprido (risos), já tocava suas próprias músicas no piano, nem tinha formado o Viper, mas já tinha uma “estrela”…  A vida passou, e nos reencontramos no show do Marcus Viana, em São Paulo, há cerca de 4 anos, depois não nos falamos mais. No ano passado, liguei para ele e mandei uma das músicas para ver se ele curtiria cantá-la. A faixa já tinha o Tony Levin (baixista do Peter Gabriel) e as percussões do Naná Vasconcelos… Bom, para encurtar a história, ele adorou e assim gravamos “Star”. A outra canção, “Dreams”, quase ficou de fora desse meu álbum “Lightwalk”. Quando mostrei  a música para ele, na hora me disse que queria cantá-la e me convenceu que valia a pena inclui-la no CD. E ele estava totalmente certo, a música ficou sensacional, é um dos pontos altos do trabalho.

Agora falando um pouco sobre a produção do Mentalize. Como foi co-produzir o álbum? Você participou em alguma faixa?

Não participei como músico, até  mesmo porque, além do Fábio Ribeiro, que é um excelente tecladista, o Andre também toca piano muito bem. Eles fizeram um ótimo trabalho, apenas ajudei o Andre a encontrar o conceito geral do CD, saber no que ousar e no que deixar para trás… Tínhamos um prazo muito apertado, mas procurei sempre desafiá-los para ir além. A verdade é que a banda é muito boa e já respirava junto, das guitarras do Hugo e do Zaza ao baixo vigoroso do Luis, sem esquecer o Eloy que criou levadas poderosas na bateria, tudo conspirou a favor para fazermos desse um grande álbum. O Andre explorou novas regiões nos vocais – mais graves – onde podemos perceber a beleza e perfeição de seu timbre, algo que havia sido muito pouco explorado em álbuns anteriores. 

Quais são os planos da gravadora para esse disco e para a banda? Qual a expectativa para a gravadora com o novo álbum?

Acredito muito que esse seja o primeiro passo de uma longa e próspera parceria. Queremos oferecer aos fãs do Andre um trabalho à altura de seu talento e com um preço acessível, abaixo de R$ 20,00. Vamos trabalhar em conjunto com o Andre, a banda e os fãs para levá-los a um novo patamar. Nossa expectativa é que o álbum possa vender cerca de 30.000 cópias em seu primeiro ano. É ousado, mas vamos trabalhar para isso acontecer! 

O álbum tem características fortes para, digamos assim, fazer com que NOVOS fãs, os que ainda não tinham interesse com trabalhos  anteriores,  passem a ouvir Andre Matos?

Creio que sim… Além das faixas mais pesadas, a banda caprichou nas baladas e creio que, com elas, teremos boas chances de colocar em uma novela, por exemplo, alcançando um novo público. Nesse sentido, temos excelentes experiências com artistas de nosso cast, e estamos trabalhando para que isso também aconteça com o Andre. 

Como função de co-produtor, você  pega o material  totalmente pronto, avalia e depois opina onde acha que deve haver modificações, ou ajuda desde o processo de composição e arranjos?

No caso do MENTALIZE, começamos a trabalhar juntos desde o ínicio, mas sempre procurei não interferir no processo criativo do Andre e da banda. Fomos ajustando as coisas pouco a pouco nos ensaios, nas gravações e assim dando “forma” ao trabalho. O papel de um produtor é potencializar o artista, conter excessos, às vezes pedir mais excessos (risos…) e aparar arestas. Em alguns momentos, brinquei dizendo que o CD estava muito “new age” e que queria mais metal nele (risos)

Apesar de lançar alguns discos de músicos mais conhecidos na cena heavy metal, como o Steve Vai, o heavy metal não é o principal tipo de música no catálogo da Azul Music. Como surgiu a idéia de lançar o Mentalize?

Nossa rede de distribuição está  preparada para vender qualquer tipo de produto, o que realmente muda é o marketing, a abordagem de comunicação…. O Andre é  uma pessoa super honesta, muito dedicado, e sentiu que podia confiar na gente. Queremos que a gravadora seja a “casa” dele, e, nesse sentido somos únicos no mercado.

E por falar em Steve Vai, estaremos lançando em outubro seu novo DVD e CD ao vivo. Estive pessoalmente com ele no ínicio do ano e ele estava muito satisfeito com nosso trabalho aqui no Brasil.

Podemos ver que a produção também conta com o nome de Andre Matos. Até  que ponto você poderia nos dizer que ele amadureceu e está  preparado para produzir um álbum com tamanha expectativa?

O Andre é um músico excepcional, um artista completo. Considero muito inteligente da parte dele dividir a produção, pois o olhar externo sempre abre novos horizontes. Mas como todo virginiano (risos…) ele é bastante perfeccionista e cuida de todos os detalhes, é impossível que não participe do processo de produção, pois sua contribuição nesse sentido é muito ativa. Sem ele, não teríamos chegado ao resultado final. 

Pedimos para que deixe alguma mensagem para todos fãs de Andre Matos e banda. Muito obrigado!

Logo no ínicio da produção de MENTALIZE, disse ao Andre o que ele queria com esse CD… Sucesso? Mais fãs? Grana? (opa, isso é bom… risos). Mas falando sério, fiz com que ele “mentalizasse” qual era de fato seu desejo interior, onde ele se via como artista e ser humano… E eu presenciei um cara colocando todo seu amor e dedicação…  
 

E o que as estrelas sabem fazer melhor? 

Brilhar, né? 

http://www.andrematossolo.com.br/

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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