Andre Matos – Time to be Free (review)


Andre Matos dispensa apresentações. Fez história com o Viper, pioneiros do Metal Melódico na América Latina e a primeira banda DO MUNDO a colocar elementos sinfônicos e de orquestra dentro do Heavy-Metal-Power-Speed-Melódico-chame-como-quiser. Enquanto o Viper fazia isso, antes de Helloween e outros, só depois na Europa começaram a fazer isso. Claro, como então o Viper era só conhecido por aqui, lá fora todos acharam que foram as bandas do estrangeiro que o inventaram. Depois, Matos levou o nome do Brasil para o resto do mundo com o Angra. O Sepultura já o havia feito, mas tosos pensaram que só existia Metal Brutal e Tribal aqui. Matos mostrou que aqui existia também a vertente mais elaborada e clássica da música. Afinal, também somos a terra de Carlos Gomes, só para citar um. O Metal Melódico com Classe e elementos brasileiros dominou o mundo. Depois, ao sair do Angra e montar o Shaman com alguns ex-integrantes de sua ex-banda, Andre mostrou que podia fazer Heavy Metal tradicional, que podia mesclar com o Gothic e até o Thrash. Agora, ele vem em carreira solo e em Time To Be Free ele mostra um pouco de tudo o que já fez, e promete inovar ainda mais! Menuett é a intro clássica, servindo de ponte para Letting Go, um Power Metal clássico, bem ao estilo de que ele fez no Angra. E já vemos um AM inspirado, e cantando como nunca! Apesar de ser meio independente (Time To Be Free é mais distribuído pela Universal do que “lançado”), conseguiu uma produção fantástica, talvez a melhor de sua carreira, ainda que contando com a velha “corja” de sempre, Sasha Paeth e Miro (responsáveis pela metade da produção de discos de Metal Melódico no mundo inteiro), e ainda com o apoio de Roy Z (Bruce Dickinson, Judas Priest, Helloween, Halford, etc.). A banda de Andre aqui é: os brothers Mariutti (Hugo na guitarra e Luís no baixo) e o tecladista Fábio Ribeiro. A formação conta ainda com o guitarrista André Hernandes e com o baterista Eloy Casagrande, um “piá” que tinha 16 anos quando entrou na banda, e desce o braço como ninguém! Rio tem tudo para se transformar em uma faixa eterna no set list dele em carreira solo ou mesmo se inventar de montar outra banda. Pesada, melódica, elementos de percussão, mais Pop, acessível e excelente atmosfera como o Rio de Janeiro merece! E olha que quem diz é um são-paulino paulistano da gema! O clima de suspense que essa música emana, além da sua progressão é fantástico! Remember Why é quase um AOR dos anos 80, bem classuda. Sue refrão é impressionante, assim como as variações musicais que ela tem, caindo para o Heavy Rock no refrão e em partes que beira o Speed Thrash. Depois, retorna a melodiosidade do AOR. How Long (Unleashed Way) é outro tema pesado e rápido, melódico, sensacional! Sem descanso! Looking Back é bem Prog, com direito a violões e guitarras limpas em meio ao peso e a Progressão do Prog, intercalando com momentos épicos grandiosos. Face The End lembra aqueles momentos mais introspectivos do Whitesnake na sua levada gingada, sem ser nas baladas propriamente ditas. Algo de Journey, AOR e o Hard do comecinho dos anos 80 podem ser sentidos aqui. A faixa-título começa mais lenta, depois descamba para um peso que lembra Judas Priest, outra influência vindo a tona. Muitos sempre só viram as influências de Helloween e Iron Maiden na carreira de Andre, e outros viram algo de Journey. Eu fui o primeiro a ver que sua maior influência era Queensrÿche quando compunha principalmente para o Shaman. Observe Geoff Tate e Andre cantando, e perceba a similaridade, inclusive no timbre e na voz mesmo (pode discordar, mas cada um nasce com um tom e se esse tom é semelhante a outra pessoa, você pode fazer diversas variações, mas sua voz é sua voz. Não adianta Ozzy fazer 24 horas de aula por da, que ele nunca vai ter o tom de um Ian Gillan, bem como Gillan, pode beber e fumar a vontade que nunca vai ter uma voz rouca como Lemmy do Motörhead e assim por diante). Rescue começa com batidas xamânicas hipnóticas (e me pergunto se o Windows foi criado para ser um programa cristão, pois qualquer menção a palavras de outras religiões ela mostra que a palavra está errada e q na ortografia diz “sem sugestões de orografia”. Me irrita isso!). Depois, Rescue ganha peso quase Thrash com vocalizações cheias de efeitos graves e obscuros, contando ainda com algumas flautas bem indígenas, bem ao gosto pessoa de Andre. É chagada a tão aguardada vez de A New Moonlight, uma revisitação, que na verdade é a nova versão da famosa Moonlight (do álbum Theatre Of Fate do Viper, lançado em 1989), bem atmosférica e cósmica. Endeavour tem um início quase setentista, com seus riffs “grossos” e a batida quebrada, para depois virar uma faixa que poderia estar no Angels Cry, clássico do Angra e para mim, melhor disco da banda até hoje, encerrando o disco. Sim, essa versão não tem Separate Ways (Worlds Apart), cover do Journey. Time To Be Free vem para mostrar de vez a qualidade e talento desse cara, em todos os aspectos, uma jóia que nós temos que nos orgulhar, e que esse disco tenha a divulgação, repercussão e venda no mesmo nível de suas bandas anteriores. Ah, e dessa vez, não tem nenhuma balada “Balada”.
 
JCB – 9,5
 

Faixas:
01.Menuett
02.Letting Go
03.Rio
04.Remember Why
05.How Long (Unleashed Way)
06.Looking Back
07.Face The End
08.Time To Be Free
09.Rescue
10.A New Moonlight
11.Endeavour
12.Separate Ways (World Apart)

http://www.rockunderground-mag.com/metal-nacional.html

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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