Voando mais alto


Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
 
É de praxe vocalistas sairem de suas bandas que alcançaram, no mínimo, um sucesso significativo, para alçarem vôos em carreira solo.

Muitos são os casos que obtiveram sucesso, como Bruce Dickinson (que saiu do Iron Maiden para se dedicar à carreira solo) e Ozzy Osbourne (que em 1980 lançava um clássico álbum, melhor que muita coisa que fazia no Sabbath). Outros nomes não tão significativos são Jeff Scott Soto (que cantou em muitas bandas, como Malmsteen e Journey), Rob Halford (lançando apenas dois álbuns solo somente anos após deixar o Judas Priest) e Glenn Hughes (ex-Deep Purple).

Outros casos são aqueles de vocalistas que não obtiveram nem de perto o sucesso de quando estavam em suas bandas, como Paul Di’anno (após Iron Maiden nenhuma produção muito significativa) e Tony Martin (ex-Black Sabbath), que, embora possua álbuns muito interessantes, passam sempre desapercebidos.

No Brasil, o primeiro vocalista a entrar na lista dos bem sucedidos parece ser Andre Matos. O vocalista tem uma trajetória profissional que se confunde com o Metal nacional, especialmente o Power Metal.

Surgiu com o Viper em 1984, com apenas 13 anos, lançando no ano seguinte a sua primeira demo com a banda. Depois disso, os brasileiros (que foram uns dos primeiros do Metal nacional a serem reconhecidos internacionalmente) lançam em 1987 o disco de estréia, “Soldiers of Sunrise”, que mostra a competência dessa banda que estava engatinhando ainda.

“Theater of Fate” (1989) talvez seja o álbum mais significativo da banda, investindo num Power Metal simples mas que caracterizaria o trabalho do Andre.

Resolve deixar a banda para terminar seus estudos. O Viper não lograria mais sucesso como parecia estar antes dessa decisão.

Entra em 1991 para o Angra, dois anos mais tarde lança o clássico do Metal brasileiro “Angels Cry”, assustando o mundo todo com a qualidade melódica das composições. Com a banda, finalmente alça vôos ao redor do mundo, ainda com os álbuns “Holy Land” (1996) e “Fireworks” (1998). Depois esse último, a banda se separa de forma não-amigável.

De um lado Andre, Ricardo Confessori (bateria) e Luiz Mariutti contra o empresário do Angra e os guitarristas Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. Lutando pelo direito ao nome da banda, perdem e montam o Shaman, com o guitarrista Hugu Mariutti, irmão de Luis.

Mas antes de ingressar na sua terceira banda, Andre participa do magnífico projeto de Tobias Sammet (Edguy), Avantasia, cantando em várias faixas e dando um show à parte. Um dos destaques do trabalho. Além do projeto Aina, que teve um álbum apenas até o momento.

Com a nova banda em ativa, lançam “Ritual” em 2002 que traz um Andre cada vez mais desenvolvido, alcançando notas sem vacilar. Segue “Reason” (2005), que sela essa “terceira fase” da carreira do brasileiro.

Começam os boatos de carreira-solo e o vocalista confirma com os músicos ex-Angra/Shaman Hugo e Luis, chama o batera Eloy Casagrande (novato no Metal), o guitarrista Andre Hernandes e o tecladista Fábio Ribeiro (pianista desde os anos 80).

Lança em 2007 o álbum “Time to Be Free”. Confesso que esperava algo bem menos interessante, julgando que ouviria algo como o seu projeto “Virgo”, com Sascha Paeth. Mas, na verdade, temos o Power Metal de sempre, o que é um alívio.

Obviamente temos mais de Andre que em suas bandas anteriores, mas a sonoridade é de agradar qualquer fã de Viper, Angra ou Shaman.

Com shows pelo mundo, abrindo para bandas como Edguy em Londres, lança neste inicio de mês o segundo disco solo “Mentalize”. Ainda estou me aproximando do álbum que, a princípio, parece menos “Metal” que o anterior, mais desenvovido em termos de mistura sonora.

Acredito que para alguns um grande álbum, para outros inferior ao que se esperava. Mas, uma coisa é certa, há em ambos os álbuns canções de extrema qualidade, que demonstram que Andre (e os músicos que o acompanham) não começaram a tocar há pouco tempo e que a experiência de tocar em bandas como Angra e Shaman só vieram a dar um aprimoramento à carreira-solo do vocalista.

Vocalista esse que é a referência do Metal nacional (os demais que me desculpem, mas este já fez uma hitória equiparável à do Michael Kiske, ex-Helloween). Tornou-se impossível pensar o Power Metal som Andre Matos, tanto que muitos fãs de Viper (com razão, pois a banda se perdeu sem o Matos) e do Angra ainda “choram” a partida de Andre e torcem a cara para os novos trabalhos das bandas.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica
Banda: Andre Matos
Álbum: Time to Be Free e Mentalize
Ano: 2007 e 2009
Tipo: Power Metal
País: Brasil

 
 
 

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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