Resenha do show de lançamento do CD “Lightwalk”, de Corciolli, no Auditório do Ibirapuera – 18 de outubro de 2009


Por: Solange Grossi

 

Preconceito é fogo, sobretudo quando você percebe que ainda o carrega em si…Penso que é meu dever agir de forma honesta e admitir que não me interessava ir ao show do Corciolli. Meus amigos, fãs do Andre, me perguntaram diversas vezes se eu compareceria…e em todas elas minha negativa foi a mesma, sob diversos pretextos.

 

Claro, como fã do Andre, considero sempre um prazer presenciar sua performance ao vivo. Mas o fato de que o restante da banda não estaria presente me desanimava…queria muito ver um show inteiro da banda Andre Matos, afinal, o último show que assisti foi o Metal Christmas…também me frustrou a idéia de vê-lo cantar apenas duas músicas: quando a coisa estivesse começando a me animar, já estaria terminada?! Só que o fator preponderante era outro…na minha santa ignorância, pensava: “Puxa, mas como assim um show de new age? Como será que é isso? A Enya nunca tocou ao vivo…”😛 Ficava me dizendo que é um tipo de música legal pra se ouvir em casa, “no escuro do meu quarto à meia-noite, a meia luz” (como diria o Arantes), quando o mundo tá caindo na sua cabeça e você quer se tranqüilizar, fazer aquela dorzinha de cabeça chata passar, enfim…haha😛 Por essas e outras, achava que não iria ao show. Felizmente, me convenceram a largar mão e comparecer.

 

 Fã-clube brasileiro do Andre Matos em frente ao Auditório do Ibirapuera

 

Tendo dito tudo isto, vamos às vias de fato: o auditório do Ibirapuera causou uma excelente impressão logo de cara – acho que digo isso em nome de todos. O prédio, além da arquitetura arrojada, oferece um ambiente bastante, digamos, seleto. Segundo uma das pessoas que lá estavam, “só o banheiro já valeu os quinze reais da meia-entrada”. Piadas à parte, o local realmente tem uma infra-estrutura invejável. Não sei se os músicos compartilham dessa opinião, mas para a audiência…!

 

Todos devidamente acomodados nos respectivos assentos (fofinhos, demarcados e vermelhos), após o toque da terceira campainha (sim, ali a coisa funciona naquele esquema do teatro: após a terceira, ninguém mais entra), Corciolli e seus companheiros de banda (o baterista Christiano Rocha e o baixista Cláudio Machado) dão início ao show.

 

A primeira música a ser executada, Talisman (presente no novo álbum do artista, Lightwalk), me causou boa impressão: calma, porém cadenciada, foi uma boa escolha para a abertura do evento. A segunda, Amethysios, me lembrou muito alguns trabalhos do francês Jean-Michel Jarre – mas essa minha impressão pode estar completamente equivocada, já que sou meio leiga nesse estilo musical.

 

Corciolli, Tatiana e Andre – foto de Sandra Nolting

 

O modo como os músicos estavam dispostos no palco causou, obviamente, certo estranhamento sobre um público (me refiro aqui ao público do Andre, posto que a maioria do público da banda tinha perfil diferente do nosso) acostumado a focar sua atenção no frontman! No caso, Corciolli estava à esquerda, e bem no centro do palco encontrava-se…o baixista! A bateria, completamente relegada a último plano num show de rock/metal, estava à direita, e não lá no fundão! Deste modo, os três músicos destacavam-se igualmente.

 

Voltando ao repertório da banda: seguiram-se as músicas Eldorado (com efeitos de teclado que lembravam uma flauta andina, num clima bastante apropriado considerando-se a lenda da cidade de ouro perdida no meio da selva amazônica, como nos contou Corciolli) e Pegasus – esta última contando com o som de um piano clássico e a presença da primeira convidada especial, a violinista russa Tatiana Vinogradova, integrante da OSESP (para quem não sabe, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Devido à combinação entre seus dotes musicais e estéticos, a moça causou furor entre a platéia masculina).

 

A banda de Corciolli em ação – foto de Catarina Brussolo 

 

Em seguida, vieram Firefly, Sob as estrelas e Air, cada qual com um clima diferente – inclusive meio "intergalático" (desculpem, não encontro outro termo mais apropriado para descrever algumas das músicas que ouvi).

 

"Agora vou contar uma história curiosa… nos tempos de colégio, Rio Branco, havia um teatro maravilhoso e grande que tinha um piano. A gente tinha uma turminha, que todo intervalo entre as aulas corria para o teatro para tocar piano, apresentava e tocava as músicas. E tinha um garoto, um pouquinho mais novo que a gente, que sempre que a gente chegava ele estava lá no piano, tocando e cantando… era recém chegado do Rio, tinhas uns oclinhos redondos e cabelo comprido e no final entrou na turma." – foi assim que Corciolli nos deu a dica de que o momento pelo qual esperávamos havia chegado: entra em cena nosso familiar maestro, entoando com voz cristalina as duas únicas músicas de Lightwalk que contêm linhas vocais. Apesar de estarem disponíveis online (vide www.myspace.com/corciolli ), ainda não as havia escutado. Lindas, ambas as músicas, e não apenas pelo fato de serem cantadas pelo Andre, não!

 

Mas eis que a primeira surpresa da noite nos é apresentada: a canção Oratio, presente no álbum Unio Celestia. Cantada em latim, com arranjos diferentes dos que estão no álbum, foi sem dúvida a música mais heavy metal da noite, deixando todos boquiabertos. Ao final do show, fiz questão de comprar o Unio só por causa dessa música, e não me arrependo, ela é realmente belíssima.

 

Aqui me reservo o direito de abrir parênteses: ao público não era permitido fotografar, tampouco filmar o espetáculo. Tentamos diversas vezes, mas era praticamente impossível driblar a segurança de modo a filmar uma música inteira de maneira apropriada (ou seja, sem tentar ficar escondendo a câmera, tremendo, etc.). Na quarta vez que o segurança veio me alertar, desisti. E justo na hora da Oratio!!!>: Mas enfim…

 

Sucederam-se as músicas River, Miragea, Supernova e Toledo. Não gostei da River, me lembrou bolero…odeio bolero  Já a Miragea…adorei, minha favorita depois de Oratio!! Pensei num barquinho no mar e viajei nessa parte do show, haha🙂

 

Destaco ainda o fato de que durante algumas músicas, a iluminação deu dinamismo ao palco, sobretudo quando havia a utilização daqueles globos de discoteca – havia quatro ao todo, e quando giravam a refração da luz dava uns efeitos muito legais (intergaláticos, como disse acima ;))!

 

Como tudo o que é bom dura pouco, o show terminou ali. Não satisfeitos, porém, pedimos bis : ) Lá foram eles de novo! O Andre disse então que tocariam uma música-surpresa…mas como era surpresa, não a anunciaria (!!). “Bom, agora a gente vai tocar…a surpresa!”

 

E que surpresa…logo nos primeiros acordes quase morri do coração: era a música Who wants to live forever, do Queen. Reação da que vos escreve: !!!!!!!!!!!!!!!!! Detalhe que, já sabendo ser esta a última música, estava filmando (desta vez disposta inclusive a arrumar briga com o segurança!!). Péssima idéia a minha, porque a filmagem ficou mais ou menos parecida com aquela porcaria intitulada A bruxa de Blair😛 Era muito emocionante ouvir aquilo. Pra completar, ainda por cima a parede de trás do palco foi sumindo discretamente, até que de repente estávamos contemplando a beleza do Ibirapuera iluminado à noite, e as luzes dos faróis dos carros passando na 23 de Maio…final apoteótico, pra não dizer poético. Quem não foi, perdeu. Isso não foi captado pelas câmeras dos fãs que estavam filmando. Posso tranqüilamente dizer que o final desse show foi tão ou mais emocionante que o final do show da banda Andre Matos no Metal Christmas (aquele em que, quando a música Endeavour estava acabando, os membros da banda deixaram o palco um por um, até que só restou o piano do Andre).

 

Andre Matos e fãs ao final do show – foto de Catarina Brussolo 

 

“Cantou muito, hein Andre! Fiquei orgulhoso” – um fã exclamou. Mas nem precisava ter dito isso…quem tem ouvidos sabe😉

 

Terminado o show pela segunda e última vez, no hall do Auditório formou-se uma fila para cumprimentar Corciolli e angariar autógrafos. Apesar de não se tratar de um show do Andre, ele também foi bastante assediado; alguns queriam entrevistá-lo, outros queriam tirar foto com ele, pedir autógrafo ou simplesmente dar um alô🙂 Até o Sebastian, garoto-propaganda da C&A, compareceu!!! Não fazia idéia que ele curte metal🙂 Foi muito simpático com todos, assim como o Andre – se bem que a simpatia do maestro não é novidade😉

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s