Entrevista com André Matos – Rádio Cidade 97,7


 

Cynara Medeiros

André Matos, lançou seu segundo disco solo em Setembro. Intitulado “Mentalize”, o álbum teve produção do próprio André, e foi mixado e masterizado no Gate Studio, na Alemanha, por Sascha Paeth e Miro Rodenberg.
As letras, em inglês, estão mais existencialistas que nunca, abordando as relações humanas e a força do pensamento, complementadas por temas da física quântica, sonhos e sincronicidade. Com uma carreira pautada por sucessos, André Matos, ficou entre os 3 finalistas mundiais que iriam substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden, em meados dos anos 90. É fundador de duas grandes bandas, que levaram o heavy metal ao sucesso internacional, Angra e Shaman. Ele continua trabalhando com membros das duas bandas neste trabalho solo. E mais uma vez sua voz poderosa, de quem já foi um músico clássico, mas decidiu partir para o rock pesado, ganhará o mundo com Mentalize.

Rádio Cidade: Você acaba de lançar seu segundo disco solo, o Mentalize. E neste trabalho, porque decidiu entrar na parte da produção do cd?
André Matos –
A produção foi realizada em diferentes países, como sempre. Boa parte das gravações ocorreu no Brasil e as finalizações foram feitas na Alemanha.
“Time To Be Free” foi um album que tomou bastante tempo de produção, por tratar-se do álbum de estréia. A banda ainda estava em busca do que seria a sua identidade. Já com “Mentalize”, esta identidade estava consolidada e o processo transcorreu de forma mais orgânica.
Uma das principais características desse novo trabalho é a ausência de edições nas partes gravadas – foram realizados diversos takes até que tudo estivesse a contento e só então, o material bruto seguiu para a finalização.

RC: Qual a parte mais interessante no processo de criação de um álbum? Compor, cantar, ou produzi-lo, como você fez no Mentalize?
André – Como sempre, composição é um processo complexo. Requer trabalho e inspiração. Dedicação, acima de tudo. Eu, particularmente, gosto de compor em parceria com outros autores; acho que, desta forma, a música ganha muito em idéias. Este disco foi feito desta maneira: idéias que foram trabalhadas por toda a banda durante um período intenso de estúdio. Resolvi então assumir a produção da primeira parte, juntamente com o produtor Corciolli. O disco foi finalizado e mixado na Alemanha por Sascha Paeth.

RC: O que os fãs podem esperar de diferente no novo disco?
André – O Heavy metal moderno hoje em dia pode ser um pouco de tudo; na verdade acredito que a tendência é justamente essa: ter a liberdade de mesclar todos os sub-estilos de uma só vez, obviamente com muita consciência e responsabilidade. Os fãs podem contar com um som de primeira qualidade, excelentes arranjos, e músicos que trabalharam muito para fazer um disco bem acabado e com muito peso.
Então, na hora que eu lancei o primeiro CD solo, eu falei: “Eu quero fazer uma reinvenção dessa música [Moonlight], uma releitura”. E foi feito: ela ficou maior, tem uma letra nova, ficou diferente. Eu gosto muito do resultado. No caso do "Mentalize", é outra coisa completamente diferente. É algo muito especial, porque a gente regravou a "Don’t Despair", uma música que nunca foi lançada oficialmente – era pra ter entrado num disco do Angra, mas não entrou – é uma música minha e que eu sei que o público tem um carinho especial por essa música. Na Internet, em fóruns, pessoalmente, todo mundo pede, todo mundo fala dessa música: “Quando vai gravar? Quando a gente vai poder escutar?” Então, eu resolvi fazer uma coisa muito especial: gravar essa música especialmente pro público brasileiro, como um presente, um tributo. Só vai sair no Brasil, é um bônus track pro Brasil – e isso também é uma coisa inédita. Geralmente, as bandas fazem bônus track pro Japão, pra Europa, e o Brasil acaba pegando a raspa do tacho. Nesse caso, a gente resolveu privilegiar o público brasileiro, junto com a gravadora, a Azul Music, que tá realmente vestindo a camisa. O CD nacional vai ser único, vai ser especial, tem essa música que não vai ter em lugar nenhum.

RC: E porque ela só entrou na edição brasileira do disco Mentalize?
André – Na verdade, a “Don’t Despair” veio apenas na edição brasileira e não saiu em mais nenhum lugar do mundo. Resolvemos privilegiar o mercado brasileiro, que já sofre tanto com as importações e piratarias e oferecer algo realmente especial. Essa música fez história ao longo de minha carreira, pois foi composta na época dos primeiros discos e nunca chegou a figurar em nenhum deles. Agora, depois de muitos anos, ela foi resgatada e ganhou uma nova sonoridade, a pedido dos fãs.

RC: Além da turnê mundial de divulgação do novo disco, você também irá excursionar pelo Brasil?
André –
Estamos estudando várias possibilidades, com a cabeça aberta. Hoje em dia, as turnês podem ter vários formatos: pequenas, médias ou com grande estrutura.
Agora que definimos as datas de lançamento no Brasil e no exterior, estamos fechando a agenda com as datas até o fim de 2009: Japão, Europa e América Latina estão sendo programados e teremos grandes novidades para 2010.

RC: Por que o lançamento de Mentalize foi feito simultaneamente no Brasil e Japão, e só depois para outros países?
André –
O mercado fonográfico sofreu baixas no mundo inteiro, inclusive no Japão. Felizmente, pertencemos a uma categoria musical onde o publico é formado em sua maior parte por colecionadores e proporcionalmente as vendas não foram afetadas como em outros segmentos. O Japão continua sendo nosso maior mercado e o lançamento antecipado é uma exigência da gravadora a fim de evitar que CDs importados – e mais baratos – cheguem ao publico antes do CD japonês.

RC: Você acha que, pelo estilo musical, o seu trabalho é mais reconhecido fora do país?
André – Realmente, temos uma quantidade de fãs bem relevante fora do país. Porém hoje o número de fãs brasileiros que acompanham a nossa carreira é enorme e fico muito feliz em saber que cada vez mais meu trabalho está sendo reconhecido no país. Os Estados Unidos protegem o seu mercado interno desde sempre. Na minha modesta opinião, acho que a pirataria deve estar com os dias contados, da maneira como conhecemos. Outras mídias serão inventadas e outras modalidades de distribuição se seguirão. Obviamente, a indústria e o governo têm de fazer o seu papel, visando menos lucros e menos receitas de impostos.

RC: Você continua trabalhando com músicos das suas antigas bandas (Shaaman e Angra). O motivo seria um entrosamento maior?
André – Acredito que fato de nos conhecermos há muito tempo facilita bastante, como nos ensaios, por exemplo. Realmente o entrosamento é algo essencial, além do mais, são músicos excelentes e dedicados ao que fazem.


RC: Qual foi o momento mais importante da sua carreira até hoje?
André
– Tudo aconteceu de uma forma muito rápida, muito meteórica, num período de nove anos [na banda Angra] as coisas aconteceram muito rapidamente, e eu tive de me adaptar a essa velocidade. E foi justamente o momento em que eu tive de optar por aquilo que eu ia fazer da vida. Então, eu desisti de ser músico clássico, o que era um sonho, pra me dedicar ao rock pesado, justamente porque a banda [Angra] tava evoluindo e alcançando novos horizontes. É o que eu disse: o mais importante desse período é a questão da profissionalização. Eu aprendi a ser um músico de verdade, um profissional da música, lidar com isso, trabalhar com isso e ter minhas responsabilidades nesse sentido.

RC: Você gostaria de integrar alguma outra banda?
André –
Já me encontrei com o Di’Anno, mas muito brevemente. É um dos vocalistas que admiro na história do Rock, principalmente em função da sua autenticidade. Imagino que o concerto em Joinville deva ter sido excelente. Mas, no momento atual a única banda que eu sonho integrar é a minha! Trabalho com músicos talentosos e dedicados e tenho total liberdade para expressar idéias. Também temos um grande apoio de nossos fãs, que acompanham nossa carreira desde o inicio.

E quem quiser faturar "Mentalize", o novo disco do André Matos, autografado, ligue no 3350-9770, que o sorteio rola no programa CIDADE DO ROCK.

http://radiocidade.uvv.br/

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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