Entrevista Rockbox


Após o RockBox Festival II a equipe do RockBox teve uma conversa com Andre  Matos, que mostrou-se muito prestativo. Andre falou a respeito de seu novo trabalho, turnês, indústria fonográfica e heavy metal em geral e até sobre boatos que correm pela internet, mantendo sempre o bom humor. Confira!

RockBox – Para iniciar, gostaria de lhe perguntar sobre essa saída em carreira solo. Como surgiu a idéia, depois daquele final do Shaman no ano passado, e como foi decidir que seria uma banda com o seu nome?

Andre Matos – Na verdade é uma coisa que já vinha sendo pensada há muito tempo, mas nunca aconteceu uma oportunidade. Eu sempre fui questionado sobre porque eu não lançava um disco solo, mesmo enquanto eu estava nas outras bandas, mas nunca achei que fosse hora pra isso, nunca senti necessidade de que acontecesse naquele momento. Com o fim do Shaman, eu parei pra pensar que não valeria a pena montar uma nova banda. Afinal de contas, eu tinha participado de três bandas importantes, e fazer mais uma, criar um novo nome e fazer esse nome entrar na cabeça das pessoas não seria meu objetivo, não faria muito sentido. Aí eu comecei a pensar nessa história de ser sempre questionado sobre a carreira solo… Claro que foi uma decisão demorada, difícil de se tomar, mas não era uma coisa que eu imaginava que ia acontecer tão cedo, mas ao mesmo tempo eu entendo que foi na hora certa. Hoje, depois de um tempo que passou, eu posso garantir que ter uma banda solo, às vezes é até melhor do que ter uma banda na forma tradicional. É isso que a gente vem experimentando nessa banda aqui, que apesar de levar o meu nome, é uma banda de verdade, todo mundo participa do mesmo jeito, compõe junto, dá opinião junto, acho que todos ficam bem à vontade pra atuar dentro da banda. A gente vive um clima bem harmônico, tranquilo e saudável dentro dessa banda.

RockBox – Essa questão da participação era exatamente a próxima pergunta. Trabalhando há tanto tempo, pelo menos com o Luís, mesmo com a carreira solo, continua a participação de todos em composição, decisões…?

Andre – Sem dúvida! Tudo é feito de uma forma bem coletiva, democrática. Não existe chefe, não existe imposição de nada, porque eu entendo que eu preciso deles da mesma forma que eles precisam de mim, então, evidentemente a coisa fica mais delineada no sentido de que eu sou a figura que encabeça o projeto e que vai ser o porta-voz, mas isso por um lado é bom pros outros membros, porque de uma certa maneira, tira do ombro deles uma responsabilidade e eles podem se dedicar mais àquilo que eles estão aí pra fazer mesmo, que é a parte musical, que cada um sabe fazer. É uma distribuição de tarefas que acaba dando certo. Eu pretendo sempre ser muito aberto a diálogos, discussões, críticas, sugestões. Como falei no começo, a idéia não é agir como chefe, mas que haja uma cooperação entre todos. Pra isso, de uma certa maneira, até me espelhei no que foi a carreira do Ozzy. Ele sempre teve músicos de muito destaque nas bandas que formou, que compuseram junto e que tiveram brilho próprio independentemente do vocalista. E isso acho importante porque acaba sendo um time que joga junto. Eu me sentiria muito pior se não fosse dessa maneira. Eu de um lado e os músicos de outro…Isso eu nunca quero ter.

RockBox – Sobre as mudanças musicais na sua carreira. O Viper era mais tradicional, o Angra foi sempre chamado de “metal melódico”, o Shaman chegou até a ser chamado de “mystic metal”. No Time to be Free, diria que está fazendo o que?

Andre – É a mistura disso tudo! A idéia do disco é exatamente englobar todas as minhas raízes, meus trabalhos anteriores. Foi uma coisa muito trabalhosa, conseguir juntar tudo isso em um lugar só, ainda de uma maneira que soe moderno, atual, apontando pro futuro, olhando pra frente.

RockBox – Uma coisa interessante que foi falada ali em cima do palco: você agradeceu as pessoas que mesmo sem poderem adquirir o Time to be Free (recém lançado no Brasil) fizeram o download e vieram ao show conhecendo as músicas. Qual a sua opinião sobre o mp3 e sobre a indústria fonográfica atual? Acredita que ela vá acabar (pelo menos dessa forma que conhecemos hoje), visto que temos inclusive artistas bem grandes, como o Kiss e o Judas Priest reclamando do dano causado às gravadoras?

Andre – Não, acho que o que é autêntico, o que é verdadeiro, não morre, não acaba. Quando surgiu o VHS disseram que o cinema ia acabar. Não acabou! (risos)
O legal disso é que a gente acaba ficando com os fãs de verdade. Existem os fãs e os curiosos. Os curiosos só baixam o CD, os fãs baixam e depois compram, completam coleção. De qualquer maneira, é uma forma de divulgação do seu trabalho, mas o fã quer ter o encarte, guardar aquele material pra si. 

RockBox – Qual é a sua relação com os fãs gauchos, com Porto Alegre e até mesmo com o Bar Opinião?

Andre – Porto Alegre é uma cidade pela qual eu tenho muito carinho, nós somos sempre muito bem recebidos por aqui, e é também uma cidade muito marcante pra nós, porque sempre algo começa ou termina por aqui! Com o Shaman, a turnê do Ritual começou aqui, na mesma situação de hoje, com o album ainda não lançado, depois, no ano seguinte, voltamos e a casa estava cheia. No ano passado também, fizemos o último show com o Shaman aqui no Bar Opinião. 
E Porto Alegre é uma cidade que eu gosto muito, me identifico muito e com certeza é uma das cidades em que eu moraria. Conheci Porto Alegre ainda bem jovem, depois voltei várias vezes, já trabalhando com a música.

RockBox – E os fãs de fora, são muito diferentes dos fãs daqui? As bandas de fora dizem que “o brasileiro é caloroso”. Como é a recepção em outros países, até no Japão, onde vocês estiveram agora?

Andre – A recepção é boa, mas é diferente mesmo, eles são mais moderados. No Japão, principalmente, eles são muito educados, têm hora pra tudo. Hora pra aplaudir, hora pra gritar. E eles tem um respeito enorme por você, pelo seu trabalho. Lá se o cara é seu fã, ele te defende incondicionalmente. Por isso eu tenho muita admiração pelo japonês. Tivemos uma ótima experiência no Japão, agora dessa vez, nos apresentamos para 20.000 pessoas, ao lado do Marylin Manson, inclusive, em Tokyo. 

RockBox – Recentemente nós conversávamos sobre a evolução do metal, sobre bandas que foram crucificadas quando apresentaram um estilo novo e que hoje são consagradas. Existem bandas hoje apostando em um metal moderno. Há bandas entre essas mais modernas que você curta? Tipo..Soilwork, por exemplo…?

Andre – Sim, eu gosto de Soilwork! Gosto de Evergrey também! Deixa eu ver…gosto do Rammstein…
O que aborrece são as bandas que querem continuar fazendo o que já deu certo quando foi feito, só pra ficar com uma fatia do bolo…

RockBox – Sim, o mesmo album sendo lançado por várias bandas. O que é, em muito, culpa sua!

(risos gerais, novamente)

Andre – Ah sim, eu entendo…Mas é assim mesmo. 
O que é chato é o fato de as bandas se repetirem, não criarem. Eu acho que ninguém deveria formar banda pensando em dinheiro, pensando em sucesso, em fazer turnê mundial. A música e o sentimento vêm em primeiro lugar. Você tem que pensar naquilo que você quer passar para as pessoas, naquilo que você acredita e quer seguir. 

RockBox – A gente sabe que Orkut e internet em geral são canais de troca de informação que muitas vezes são mal utilizados, correm muitos boatos por aí. Um deles, que nos chamou a atenção, é de que teria ocorrido uma reunião com você, ex-membros do Angra e empresários para decidir uma possível volta, mas que não foi acatada. Só boato, não é?

Andre – Sim, já me contaram essa história! 
(risos gerais)

RockBox – Já lhe contaram que você esteve nessa reunião, então?

Andre – Já sim! Estive mas não estive…Internet tem muito disso, as pessoas inventam muito. Mas não aconteceu não, nem teria porque, estou me sentindo muito feliz com esse trabalho atual, em estar seguindo o que eu acredito, fazendo música com sentimento, com o coração.

 

http://rockbox.com.br/2007/12/18/entrevista-exclusiva-com-andre-matos-pos-rockbox-festival-ii/

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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