Entrevista: Luis Mariutti (29/01/2010)


Entrevista exclusiva com Luis Mariutti, baixista da banda de Andre Matos que já tocou no Shaaman e Angra

ENTREVISTA COM LUIS MARIUTTI

Luis, você é considerado uma referência como baixista de rock desde que seu nome teve proporções nacionais. Poderia nos falar como foi construir uma carreira tão consolidada desta forma, em um país que não apóia de maneira satisfatória a cultura?

L. Mariutti: Acho que tivemos sorte de já no primeiro disco do Angra trabalharmos fora do Brasil com produtores de muita experiência. A partir desse ponto vai a sua capacidade de compreender qual o nível que você tem que chegar como músico (em gravações e shows) e se esforçar para alcançar. No Brasil temos músicos muito bons que às vezes por falta de informação e até de produtores de nível, não conseguem se destacar. O que falta aqui é apoio para trazermos produtores experientes para trabalhar com as bandas, hoje temos bons músicos, boas bandas, e pessoas que sabem mexer no computador mas se dizem produtores e acabam estragando trabalhos e prejudicando bons talentos.

A primeira vez que vi você tocar de perto, foi através da sua vídeo-aula. Fiquei impressionado pela velocidade e precisão que você tem, desde aquela época. Qual foi seu treinamento para ser tão rápido e preciso na técnica de “pizzicato”?

L. Mariutti: Quando estava começando, tinha a vontade de tocar muito rápido como o Steve Harris. Treinei muitas horas por dia, passei muita coisa de guitarra para o baixo, tentando melhorar a técnica, e nas gravações sempre tentava acompanhar o bumbo duplo com os dedos. De alguma forma deu resultado, mas logo na minha primeira gravação vi que se você não tocar tudo o que criou com pegada e interpretação, não vale para nada. O som não sai bom, não tem precisão etc…
Por isso acho legal tocar rápido, mas no estúdio, para gravar um disco de forma profissional, precisa mais do que só velocidade.

Você mantém um programa de estudo no baixo? Se sim, poderia descrevê-lo?

L. Mariutti: Hoje em dia me sinto livre para estudar o que eu achar legal. Gosto de estar tocando com a bateria, fazendo um som. Como dou aulas, sempre estou revendo a parte teórica e sempre tentando bolar algo novo para os alunos, mas não tenho uma regra para estudo hoje. Em primeiro lugar tento estar sempre em forma com as músicas que estou tocando na tour e depois o que eu achar legal para complementar, eu estudo.
Ontem mesmo estava vendo um método do Zaganin e achei bem legal, então fiquei estudando com esse método, mas quando comecei, dividia o tempo entre técnica, teoria e as músicas da banda, umas 7 a 8 horas por dia.

Levando em consideração o nosso instrumento, poderia nos detalhar como foi o processo de gravação e como foi captado o sinal do seu baixo nos discos do Andre Matos?

L. Mariutti: Sempre gravei usando dois canais, um vindo do ampli via microfone e um do pedal.
Isso é legal quando você tem um ampli de primeira linha, se não, é melhor usar só um bom pré, o sinal vindo de um pedal bom (sans amp, MXR) e pronto. Mas não podemos nos esquecer que o principal é a mão e o baixo.

Antigamente você usava baixos de 04 cordas. Qual o motivo da mudança para baixos de 05 cordas?

L. Mariutti: Nada muito especial além de querer em alguns sons um B, um D grave, pois no metal muitas horas é legal você ter esse recurso. Mas na verdade todos os meus "ídolos" tocam em 4 cordas (Steve Harris, Lemmy, Geezer Butler…).

Qual o seu “set-up” atual?

L. Mariutti: Baixos Warwick Vampyre NT, Ampli Marshall 400, caixas 4×10" 2×15", Pedais MXR, Ratt distortion e Cordas Elixir 0.50

Luis, em relação ao mercado musical nacional, quais as mudanças que você percebe comparando com os tempos de início de carreira?

L. Mariutti: Hoje em dia está muito mais difícil. As coisas acontecem muito mais rápido e você tem que correr atrás com lançamento de disco etc…
Com a internet, a coisa ficou mais democrática, mas quem tinha apoio de gravadora com adiantamentos para gravar, suporte para clipe, tour etc, não tem mais.
Hoje a banda que não tem empresário tem que fazer pelas próprias mãos. De uma forma é legal, porque você tem que correr atrás, e de outra o público tem que ser seletivo, pois rola muita merda também.

Tendo tocado em diversos lugares fora do Brasil, surge uma curiosidade. Por que, na maioria dos casos, o público brasileiro só reconhece o trabalho de um artista depois que esse cria “nome” lá fora?

L. Mariutti: É uma coisa cultural do brasileiro. Acho que em todos os segmentos é assim, parece que temos um certo preconceito de que tudo que é feito 100% aqui não é tão bom quanto fora. Até em relação a ser artista no Brasil. Aposto que se não existisse o AC/DC, por exemplo, e uma banda daqui surgisse com um guitarrista vestido de escolar, iriam tachar o cara de ridículo. Mas é algo que com o tempo vai cair, é só os músico não ligarem e tentarem ser o mais original possível, sem esquecer da qualidade.

Luis, você teve aulas de música? Se sim, com quem você estudou?

L. Mariutti: Estudei 3 anos com o Marcio Vitulli, que foi baixista do Jaguar e do Andre Christovam, para mim o melhor baixista que vi aqui no Brasil. Depois estudei alguns meses com o maestro Roberto Sion, e por fim entrei na ULM onde estudei baixo com o Marinho Chaves, baixista da Jazz Sinfonica.

Pra finalizar, agradeço muito pela sua atenção e por suas palavras aqui no nosso site Luis. Por favor, deixe uma mensagem para quem está começando nesse universo dos graves.

L. Mariutti: Estude, mas principalmente, tente ter o seu estilo, que ninguém toque as suas linhas melhor do que você, não importa se você esteja numa banda ou acompanhando alguém, o que interessa é ter o seu jeito, a sua pegada e as suas linhas. Obrigado e boa sorte a todos os baixistas.

Giovanni Sena – giovanni.sena@baixista.com.br Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo
Baixista profissional e colaborador
http://www.baixista.com.br

 

+ Sobre Giovanni Senna
Baixista desde: 1991
Primeiro Baixo: Não tinha marca
Baixos Atuais: Warwick LX Streamer 5 cordas, Music Man Stingray 4 cordas, Jazz Bass Squier by Fender.
Formação musical:
Formado em licenciatura em Música pela Universidade de Brasília. Formado em baixo elétrico pela Escola de Música de Brasília.
Favoritos: Arthur Maia, Luizão Maia, Sizão Machado, Jamil Joanes, Thiago do Espírito Santo, Steve Wonder, Miquéias dos Santos, Nélio Costa, Aroldo Araújo, Sergio Groove, Primata, Oswaldo Amorim, Ximba Uchiama, etc
Bandas: Trio MP4,  Miss Voiss
Localização:
Brasília/DF
Myspace: www.myspace.com/giovannisenabass

fonte: http://baixista.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=336&Itemid=46

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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