Entrevista antiga de Andre Matos para Rock on Line:


Desde a década de 80 André Matos vem se destacando, não só como um excelente vocalista e compositor, mas também como um dos mais ativos representantes brasileiros na cena rock mundial. Já no começo da carreira, ainda como vocalista do Viper, ele já viajava em turnês internacionais de sucesso, principalmente no Japão, país conhecido pelos inúmeros fãs do heavy melódico.

Com o Angra, André consolidou-se no mercado junto com seus companheiros de banda e conquistaram definitivamente a Europa e o Japão. Após alguns desentendimentos já mencionados em tantas outras entrevistas, André, Luís Mariutti e Ricardo Confessori deixaram o Angra para formarem o Shaman, sua mais nova banda que estará fazendo a primeira apresentação em São Paulo no dia 21 de abril no Via Funchal.

Confira abaixo a entrevista com André Matos, concedida com exclusividade para o Rock Online, onde o vocalista fala sobre esse novo recomeço, os shows, o novo álbum e muito mais.

A ENTREVISTA


Primeiramente, como será a estréia do Shaman em São Paulo?
André Matos: Acho legal falar do show no Via Funchal no dia 21 de abril, a única apresentação em São Paulo e que será o nosso lançamento aqui. O próximo show em São Paulo, deve acontecer somente após o lançamento do disco. Por isso estaremos caprichando bastante, vamos levar o mesmo tipo de produção que estamos acostumados a fazer aqui em São Paulo, esta também é a primeira vez que tocamos na Via Funchal, que é uma das melhores casas do Brasil. Estaremos com um som de primeira, super iluminação, cenário, pirotecnia, tudo o que temos direito para uma produção completa, além de algumas surpresas que estão reservadas para o momento mesmo.

Vocês já estão compondo e gravando novas canções? Ouvimos falar que existem cerca de 10 faixas prontas, isso é verdade?
André Matos: Isso é verdade, e não são apenas 10, a gente tem até mais, se formos contar os fragmentos das canções que a gente já tem para montar um disco, é bastante coisa, chega a ter umas 15 faixas. Gravamos essa primeira demo com quatro faixas que conseguimos concretizar e agora está na hora de realmente sentar e começar a trabalhar nas outras, para achar a fórmula de todas as músicas, enfim, o formato, o tamanho das músicas, trabalhar os arranjos. Mesmo essas quatro primeiras, vão ser modificadas para poderem se encaixar mais no conceito do disco. Vai ser um disco conceitual, provavelmente, a gente vai trabalhar exatamente em cima da imagem do nome da banda, Shaman.

Vocês pensam em compor uma certa quantidade de músicas para o álbum? Em quantas faixas vocês estão pensando?
André Matos: Na verdade a gente não quer se prender à quantidade, tipo "na hora que tiver dez faixas vamos parar". Temos muitas idéias guardadas. A gente acha que o disco não deve ter mais do que 60 minutos, se neste tempo couberem 12 faixas ou 9, isso é indiferente. O que importa é a sequência que este disco vai ter. Como a gente está pensando em uma coisa mais dentro de um conceito, ele deve ter um começo, um meio e um fim bem definidos para que a história seja contada de uma maneira mais linear, indiferente do número de faixas. Se você pega um disco de punk, você vai ter 17 faixas e se você pega um disco de progressivo você tem duas faixas.

Os fãs estão super ansiosos, para quando podemos esperar o álbum? Já escolheram um título?
André Matos: A previsão é para o final do ano. Estamos no início de atividades da banda, fazendo shows no Brasil, tocamos na semana passada na França num festival (N. do E.: em 31/03/2001), daqui a alguns dias estaremos tocando aqui em São Paulo, fazendo a estréia aqui. Depois disso, no mês de maio estamos agendados para fazer uma turnê latino-americana, que vai passar pela Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Venezuela e acabar no México com a possibilidade de fazer um ou dois shows dos Estados Unidos. Nós vamos nos dedicar a isso e ao mesmo tempo já estamos trabalhando nas músicas. Imagino que as gravações devam estar se iniciando por volta de julho. Já o título em si, nós vamos definir só mais para o final da produção, dentro daquilo que os resultados vão sugerir pra gente. Mas a idéia, como eu disse, do conceito do álbum, a gente vai trabalhar em cima do nome da banda, que tem muito a ver com magia e misticismo.

É disso que as letras falam?
André Matos: Na sua maioria, mas eu acho que a gente tem que ter uma certa liberdade. Dentro de uma temática podermos escapar para um lado ou para outro. Não é uma coisa muito fechada, mas eu acho que a linha principal do disco vai ter que seguir por aí sim, essa coisa de a gente se concentrar um pouquinho mais nessa temática.

Quem está escrevendo as letras?
André Matos: Eu, pelo menos até agora. Mas não existe uma arbitrariedade neste sentido. Mesmo do ponto de vista musical, que por exemplo no Angra, antigamente, não eram todos que compunham. No Shaman já está acontecendo uma coisa bem diferente. Na verdade as composições estão sendo feitas por todos, mesmo que um traga uma idéia inicial, todos tem a liberdade, e até a obrigação de trabalhar em cima, para moldar esta música, e por mais que seja eu quem faça as letras, eu acho que isso só vai fazer parte de uma composição, de uma música que é composta por todos.

Minha colaboração fazendo a letra de uma música é tão grande quanto o Ricardo fazendo uma linha de bateria. O importante é a gente chegar neste resultado comum, para que as composições tenham este espírito de banda. Isso é uma coisa muito importante, que às vezes faltava quando a gente trabalhava junto com o Angra. Com o Shaman queremos alcançar este objetivo também, para que a coisa soe como uma banda.

Então vocês estão trabalhando todas as faixas juntos, no estúdio?
André Matos: Às vezes alguém tem uma idéia mais completa outras vezes menos completa, mas todos tem que opinar. Tem que colocar a mão na massa também, ajudar a moldar a composição, porque eu acho que essa vai ser a grande característica e o grande diferencial do Shaman. Não vai ser uma banda de um homem só, vai ser uma banda de verdade. É o que a gente pode sentir desde o começo, mesmo tocando ao vivo. Este é o espírito que está envolvendo a gente, que está permeando nosso trabalho. Essa coisa coletiva está sendo o mais legal de tudo.

Com foi para vocês o primeiro show do Shaman, no início de fevereiro, em Recife? E o público como reagiu?
A gente estava bem apreensivo, ansioso para fazer o show. Já fazia mais de um ano que a gente não tocava ao vivo e esse show foi uma prova. Nós idealizamos a banda no ano passado e decidimos começar por um caminho que não é muito comum, ou seja, começar sem ter um disco lançado. Evidentemente, com um disco lançado as portas se abrem com mais facilidade, mas no nosso caso, também é uma situação atípica porque não somos de todo uma banda nova, na verdade o que é novo é o nome da banda.

A banda em si é praticamente a mesma do passado, que mudou de nome e tem apenas um integrante diferente e isso facilitou as coisas, pois começamos de uma posição mais privilegiada e isso a gente pode sentir na prática. Quando subimos no palco, a recepção do público foi até melhor do a gente esperava, foram super carinhosos e essa estréia em Recife foi uma coisa inesquecível, foi um marco mesmo.

Estavamos apreensivos com relação ao novo integrante, que é o Hugo, sobre como ele seria recebido e no final ele foi super ovacionado e aclamado pelo público. Isso é uma coisa que deixou a gente bem feliz e deu muita força pra gente se concentrar e levar adiante este projeto, com força total. Depois disso a gente conseguiu fazer um ótimo concerto em Curitiba e um concerto perfeito em Paris, na França, que também é um dos nossos maiores redutos, onde nós fomos recebidos da mesma maneira, como antes.

Qual a impressão que vocês tiveram, principalmente na Europa? O público foi ao show pelo que eles já conheciam de vocês no Angra ou foram preparados para um novo trabalho?
André Matos: Eu diria que as duas coisas, acredito até que o público comparece com um pouco de ceticismo quanto ao novo, mas o resultado se deve até pela nossa postura, nós não renegamos o nosso passado, não nos negamos a tocar as músicas antigas, principalmente aquelas que gente mesmo compôs, porque é uma coisa que bem ou mal o público vai querer ouvir sempre e a gente não vai se negar a fazer isso.

É também uma oportunidade de a gente apresentar músicas novas. Um show com apenas novas canções se tornaria uma coisa cansativa, se você não conhece, se o disco ainda não foi lançado, fica uma coisa como um workshop, que não interessa na verdade. E por isso estamos tocando as músicas antigas, que já são conhecidas. É a nossa maneira também de ter essa intersecção com o público, nesse momento da carreira, que é um momento de transição.

Depois que o álbum for lançado, evidentemente nós vamos substituir algumas dessas músicas por músicas nossas, mas nunca vamos deixar de tocar aquelas que a gente gosta mais e que o público também pede.

Na França vocês tocaram "Living For The Night", ela estará no show de São Paulo? É verdade que o Yves Passarell (Viper) será convidado para esse show?
André Matos: Tocamos esta música aqui no Brasil também e vamos tocar no show de São Paulo, e com uma novidade legal, eu sou muito amigo do Yves Passarell, guitarrista do Viper, e já o convidei para participar do show com a gente.

Já tem muito tempo que vocês dois não sobem juntos num palco?
André Matos: Nossa, se for contar o tempo, o último show que fizemos juntos foi em 1990, e isso é engraçado, pois nós somos muito amigos, mas nunca mais subimos num palco juntos depois que eu saí do Viper, então vai ser a primeira vez em 11 anos.

Tanto você como o Yves, como vocês estão vendo isso?
André Matos: A gente adora a idéia. Nós somos bem amigos mesmo, fora desse âmbito profissional, então vai ser uma coisa acima de tudo, divertida. Acho que vai trazer lembranças bem íntimas da gente e talvez tenha alguma outra música do Viper, vamos fazer alguns ensaios juntos e decidir se vai ficar só nesta música mesmo.

Como está o entrosamento com o Hugo, tanto nos ensaios como nos palcos?
André Matos: O legal da história do Hugo, é que em primeiro lugar, ele é irmão do Luis e isso já facilita muito as coisas. Justamente por esse motivo, ele conhece a nossa história como banda, a história do Angra desde o começo. Desde que o Angra estava fazendo o primeiro ensaio, para o primeiro disco, o Hugo já vinha com o irmão dele, ele participou de muita coisa. Nos shows ele ia junto, as vezes viajava com a gente para os lugares onde íamos tocar, então o Hugo sempre esteve ao redor da gente.

Ele tinha a banda dele, o Henceforth que abriu shows para o Angra várias vezes. Então não podia existir uma pessoa melhor do que o Hugo melhor para substituir os outros dois guitarristas, porque ele tem a ver com a história toda desde o começo e não rolou nenhum tipo de crise, foi super natural, inclusive a própria história da entrada do Hugo na banda foi engraçada. Quando resolvemos gravar, faltava um guitarrista e o Luis sugeriu que ele falasse com o irmão dele para dar uma força nesta gravação, para vermos como ficaria o som, e quando ouvímos o resultado, descobrimos que já tínhamos encontrado nosso guitarrista, que estava ao nosso lado o tempo todo e a gente ainda não tinha visto.

A idéia é manter um único guitarrista na formação do Shaman?
André Matos: A idéia é essa, mesmo porque, principalmente em estúdio, a tecnologia permite que você faça várias dobras de guitarra e você acaba tendo o mesmo resultado que teria com dois guitarristas. Por outro lado, isso também é legal porque abre mais espaço para trabahar melhor as linhas de teclado e até para solos de teclado, coisas que antes não dava pra fazer. E ao vivo, nós agora temos 1 guitarrista e 2 dois teclados, um que faço eu, as partes principais de piano e o Fábio Ribeiro que sempre acampanha a gente ao vivo e é um ótimo tecladista, que reproduz no teclado perfeitamente o que uma outra guitarra precisaria fazer. Além disso, temos agora uma formação mais atual, mais moderna para uma banda de rock pesado e que nos permite trabalhar mais o lado progressivo da música.

Como vocês vêem o mercado internacional para o Shaman?
André Matos: Não poderia ser melhor, apesar de termos muito chão pela frente até o disco estar gravado e lançado, mas as perpectivas são muito legais. Principalmente agora, que a gente esteve lá, tocando na França, deu pra perceber que a receptividade está sendo muito boa, a curiosidade dos fãs sobre a banda também é muito grande. Já existe até um site francês sobre o Shaman além do interesse por parte de muitas gravadoras para lançar a banda em nível mundial. Quando o disco for lançado é que a coisa começa a rolar pra valer.

Quais são os planos futuros?
André Matos: O disco deve ser lançado como antes, Japão, Europa, América do Norte e América Latina, e provavelmente a partir do ano que vem, estaremos em tour mundial, tocando em festivais na Europa, fazendo shows no Japão, tudo deve voltar ao normal. Na verdade, era uma coisa que a gente estava receoso, mas percebemos que apesar da separação do Angra, conseguimos recuperar tudo, além de estarmos com uma vontade muito mais renovada de fazer as coisas e percebemos isso nas gravadoras também, de repente eles tiveram um clique e estão afim de começar de novo e construir uma coisa nova, desta vez pra valer.

Uma mensagem para os fãs…
André Matos: Estamos com bastante saudades dos fãs e estamos loucos pra encontrá-los de novo, sentir novamente esta energia e esperamos ver todo mundo lá no sábado dia 21. Obrigado a todos vocês por terem aguardado esse tempo todo, são coisas que a gente espera que não aconteçam nunca mais. Mas agora estamos aí de novo, com o Shaman, com as baterias recarregadas e com toda a força para quebrar tudo neste show dia 21.

 

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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