ROCK BRASIL – ANDRÉ MATOS para a Fire Rock


Entrevista antiga mas MUITO esclarecedora para aqueles que nao vivenciaram os eventos daquela época…

Muito se especulou sobre a traumática separação do Angra. Muitas acusações e ressentimentos rondaram as cabeças dos cinco ex-colegas de banda. Na edição passada da Revista FIRE ROCK, ouvimos o lado dos guitarristas, e únicos membros remanescentes do desfalcado Angra, Rafael e Kiko. Como a imparcialidade é algo que, eticamente, deveria ser adotada por qualquer órgão de notícias, decidimos, nessa edição, ouvir o outro lado da história, que corresponde a André, Luis e Ricardo.
Nesta entrevista exclusivíssima, André Matos esclareceu fatos que até então só eram tratados como boatos e permaneciam obscuros para o público e fãs da banda. Além do Angra, André comentou, dentre outras coisas, sobre o Shaman, banda recém formada por ele, Luis, Ricardo e Hugo Mariutti (irmão do Luis) e ainda sobre o Virgo, seu projeto com o produtor Sascha Paeth. Confira!

O seu empresário tem sido o mesmo desde a época do Viper. Por que somente agora, após mais de 10 anos, houveram esses desentendimentos?
Algumas pessoas possuem uma habilidade incrível de iludir os outros. Eu sempre considerei o empresário como um de meus melhores amigos, quase como alguém da família… A decepção que eu tive foi muito grande, uma das maiores da minha vida, e ainda estou me recuperando dela…

Houve mesmo uma auditoria administrativa envolvendo o Angra? Se houve, qual o resultado da mesma? Isso teve algo a ver com a sua saída?
O resultado da auditoria foi apenas a gota d’água que detonou não apenas a minha saída, mas também a do Luís e Ricardo. Não creio que vale a pena comentar sobre isso, pois além de não interessar muito aos fãs, era um assunto interno da banda que eu continuo respeitando.

Surgiram boatos afirmando que existiam pessoas ligadas ao Angra envolvidas com pirataria de CDs da banda. Você confirma esse boato?
A única coisa que eu posso de fato afirmar é que houve muita pirataria, principalmente a clonagem de discos oficiais, como Angels Cry, Holy Land e Fireworks. Muitos piratas chegavam principalmente da Argentina e isso não aconteceu só no Brasil. Mas como estamos lidando com um tipo de máfia, é muito difícil provar alguma coisa. Acho que todas as bandas deveriam se unir e lutar pelos seus direitos, como nós estamos fazendo agora.

Na sua opinião, por que o Rafael e o Kiko resolveram permanecer? Já que os problemas surgiram na área administrativa da banda e eram tão notórios.
Não cabe a mim responder nada pelos dois. Pode ser que eles ainda estejam iludidos com a coisa toda ou que o fizeram por puro comodismo… Mas isso honestamente não me interessa muito.

Por que o nome "Angra" pertence ao empresário?
Porque foi ele quem tomou a iniciativa de registrá-lo logo no começo, sem comunicar à banda. Eu pensava que o nome pertenceria a todos, mas recentemente descobrimos que não é bem assim…

Falando sobre o Shaman… como foi a escolha do nome?
É sempre muito difícil escolher um nome. Tínhamos várias possibilidades na cabeça mas Shaman foi o que nos pareceu melhor. Para quem não sabe, é o nome de uma música que eu compus e que está no disco "Holy Land", que nós consideramos como uma das nossas melhores fases. Portanto, está aqui a ligação com tudo aquilo que pretendemos fazer daqui pra frente.

Vocês já possuem algum material composto? Composições não utilizadas no Angra foram reaproveitadas?
O Ricardo e o Luís nunca foram de compor muito… pois dessa vez eles me surpreenderam! Apareceram com idéias para no mínimo umas 10 músicas e eu já estou trabalhando em cima delas. Também o Hugo trouxe muitas idéias já elaboradas! Por enquanto ainda não mexemos em material antigo mas há uma idéia de trabalhar uma música que eu compus para o Angra há alguns anos, chamada "Don’t Despair" (que, por sinal, já foi lançada em um pirata!!).

Qual o estilo que vocês irão seguir? Vocês pretendem ter algum cuidado especial para não deixar o Shaman ficar musicalmente igual ao Angra?
Não, nenhum cuidado especial, já que a maioria dos músicos do Shaman era também a maioria no Angra. Seria difícil evitar a semelhança de estilo. Inclusive planejamos tocar a maioria das músicas do Angra ao vivo – são músicas que nós compusemos e seria uma pena abandoná-las apenas porque nos separamos e não temos mais o nome… Não temos nenhuma pretensão de mudar o estilo, queremos apenas seguir fazendo aquilo que já não era mais possível fazer, justamente em função de divergências musicais. Por sorte encontramos um guitarrista que preencheu todas as nossas expectativas (além de ser o irmão do Luís!) e que trouxe bastante inspiração para o novo som.

Qual será o nome do álbum e quando será lançado? Já existe alguma gravadora interessada no trabalho?
Sim, já temos um nome mas por enquanto é um segredo entre a banda (risos!). O álbum deverá começar a ser gravado em janeiro ou fevereiro, já temos também o produtor acertado para o trabalho e quanto às gravadoras, praticamente todas as que já trabalhavam conosco mostraram interesse. Com certeza no Brasil optaremos por uma gravadora diferente da Paradoxx.

Fale sobre o projeto denominado "Avantasia".
Nunca ouvi falar disso!… Será que vocês poderiam me explicar do que se trata? Será que é alguma participação especial que fiz e que está saindo com esse nome? Apenas me lembro de recentemente ter cantado alguns temas para uma ópera-rock que foi produzida pelo vocalista do Edguy, o Tobias Samett. Talvez seja esse então o título, "Avantasia"?…
[N.R.: Avantasia é realmente o projeto de uma ópera-rock produzida por Tobias Samett]

Como surgiu a idéia do Virgo?
Há mais ou menos uns cinco anos atrás, durante as gravações do Holy Land. Eu e o Sascha já éramos bons amigos desde os tempos do Angels Cry e então veio a idéia de fazer alguma coisa juntos. Mas como ambos já se sentiam satisfeitos no campo do Metal com as suas respectivas bandas, resolvemos que faríamos um som mais tradicional e não apenas mais uma banda de Metal. Nos inspiramos bastante em Queen e outras bandas desta época. O resultado vocês todos vão ver em breve.

Devido aos inúmeros compromissos que envolvem principalmente o Sasha Paeth, podemos afirmar que a intenção do Virgo é ser somente uma banda de estúdio?
Não. É claro para nós que não deve ser apenas uma banda de estúdio e é exatamente em função dessa overdose de estúdio (o Sascha trabalha a maior parte do tempo como produtor) que há a necessidade de mostrar o som ao vivo e acho que essa vai ser a melhor parte.

Quando será lançado o CD?
Provavelmente até Abril do ano que vem. Estou nesse momento na Alemanha iniciando as gravações com a banda, devemos terminar as mixagens até o final do ano e aí preparar o lançamento. Obviamente nesse meio tempo vou me dedicar inteiramente à produção do Shaman, que acredito esteja sendo lançado na seqüência.

Deixe uma mensagem aos fãs
Quero primeiramente agradecer a todos os que nos apoiaram e tentaram nos entender nesses últimos meses. Esse apoio foi fundamental. A única coisa que eu quero dizer é que jamais vou decepcioná-los e que tenho muito carinho e responsabilidade para com todos. Agradeço à Firerock pela oportunidade de (finalmente!) poder esclarecer muita coisa. A gente se vê em breve!!

Perguntas dos fãs enviadas à redação da FIRE ROCK

Fabio Yoshikazu – fabio.yoshikazu@angranet.zzn.com:
André… Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro afirmam em diversas entrevistas que não foram devidamente informados quanto à saída de vocês três do grupo. Essa informação é verdadeira, ou seja, vocês teriam realmente "abandonado o barco" como dizem Rafael e Kiko no próprio site da banda?
Eu já fiquei sabendo dessas afirmações e só posso dizer que sinto muito pela forma covarde como eles estão tentando jogar o nosso próprio público contra nós… Bom, na verdade ninguém abandonou o barco – foram eles que resolveram ficar num barco à deriva…! Durante todos esses anos nós vínhamos sempre alertando os dois sobre os problemas na banda e queríamos que eles colaborassem e ajudassem a descobrir os erros, os cinco juntos. Eles simplesmente se ausentaram e além disso delataram as nossas intenções para o empresário e as gravadoras. E todos sabiam que se as coisas não mudassem radicalmente a estrutura da banda iria naufragar… O que faltou foi o espírito coletivo, o "saber estar em um grupo"… Eles foram então informados oficialmente sobre a nossa saída, pois uma vez que já não havia mais diálogo nem confiança entre nós, não faria sentido ser de outra maneira e nem havia clima para isso. Claro, imagino que eles devam estar sentidos por ter de recomeçar tudo e "colocar um investimento desse tamanho a perder" e por isso eu até entendo toda essa atitude precipitada, mas só posso dizer que no nosso caso é o contrário, estamos felizes por construir tudo de novo e não há nenhum problema se tivermos que voltar a tocar um dia no Black Jack! Eu sinto por tudo isso mas nem tudo são flores no mundo do Rock e acho que eles deveriam se dar um pouco mais de valor e ir à luta, em vez de perder tempo tentando fazer a nossa caveira…

Rita Casteliani – r.pavone@hotmail.com:
Olá André… todos sabemos que você e o Ricardo tiveram problemas de relacionamento. Todos os problemas ocorridos fortaleceram a amizade de vocês? Já que na nova banda vocês continuam trabalhando juntos.
Não posso dizer que já tive problemas sérios com o Ricardo… Na verdade quando ele entrou na banda nós éramos bem diferentes e cada um achava o outro um cuzão, mas a gente se respeitava, principalmente no lado musical. Mas o Ricardo foi uma grata surpresa com o passar dos anos. Acho que nós dois amadurecemos muito, e hoje, independente de qualquer coisa, temos uma amizade muito forte. E mesmo no início, os problemas de relacionamento que tive com ele sequer se comparam aos que tive com Kiko e Rafael.

Alexandre Eidelwein – xande@bewnet.com.br:
Como você acha q o Angra vai ficar com a sua saída, visto que você era o maior compositor?
Agradeço pelo elogio, mas tenho que dizer que isso já não é mais da minha conta. Espero apenas poder oferecer boas composições para o Shaman, como fiz para o Angra… E com certeza farei o melhor de mim para que sejam ainda melhores!!

Fabio Oliveira Ferreira – heavengate@getway.com.br:
André, se realmente o problema fundamental para a sua saída da banda foi um motivo empresarial, então porque esse clima de inimizade entre você e os dois que restaram (Kiko e Rafael)? E por que os outros dois (Ricardo e Luis) que saíram estão dando a transparecer que há uma espécie de desentendimento entre o grupo? De um lado Rafael e Kiko e do outro André, Luis e Ricardo?
Acho que, agora, ao ler toda a entrevista, isso deve ter ficado claro, não? São duas coisas separadas, o problema empresarial e o problema pessoal dentro da banda (que acabava por refletir no musical!). O fato é que, quando nós mais precisamos dos nossos colegas, foram eles que nos deram as costas… E o fato de terem eles permanecido com o empresário comprova isso. Não é realmente muito estranho que três saiam da banda de uma vez?? Deve haver mais que um motivo para isso!!

Luciano da Silva Fontes – guarulhense@ig.com.br:
André. Você vai continuar tocando heavy melódico ou vai mudar o estilo? Você estava com uma bela carreira e de repente acontece isso, sair do Angra. O que você sente nesse momento, alívio, rancor? O que você tem a dizer para os fãs. Obrigado e boa sorte.
É, não consigo mesmo me libertar do Heavy Melódico! (risos!!) Não, não pretendo mudar de estilo, pelo menos até enquanto a minha voz agüentar!… O som do Shaman é puro heavy progressivo-clássico-melódico, porém com um toque um pouco mais tradicional e pesado devido à mudança de guitarrista. Quanto ao Virgo, isso não se deve confundir; é um projeto em que estou envolvido há anos e que estaria rolando independente do Angra existir ou não. Por isso mesmo o tipo de som é completamente outro e a intenção nunca foi a de substituir nada. Essa história de que eu teria saído do Angra por causa do Virgo é a maior mentira que eu já ouvi.

André Kinder from Japan – themirrorkinder@bol.com.br:
André primeiramente gostaria de desejar boa sorte pra você nos seus novos projetos…
Segundo gostaria de saber se haveria possibilidades de por exemplo no seu novo projeto você voltar a tocar algumas das musicas antigas do Viper? Seria uma boa reviver alguns clássicos daquela época. Ate porque aqui no Japão muitos ainda se lembram do Viper… Valeu e um Abração….’
Obrigado! Pra ser sincero, eu também morro de vontade de tocar Viper de novo algum dia, eram músicas muito legais… Quem sabe a gente não faz um "cover" de uma delas? Primeiro preciso falar com os outros e ver se eles também estariam a fim!

Antônio Laerte Rocha Neto – laerterp@ig.com.br:
Primeiro você sai do Viper com a desculpa de se formar em música clássica e logo em seguida forma o Angra. Agora sai do Angra dizendo que teve seus ideais traídos. Qual a grande jogada agora? Você acha realmente que tem algum ideal na música, pois o que parece é você quer mesmo é aparecer de qualquer jeito e não agüenta sofrer pressão?
Bom, a minha saída do Viper foi exatamente por isso e, coincidentemente, se não tivesse acontecido, provavelmente o Angra nunca existiria… A propósito, eu realmente me formei em música, e, se também não fosse isso, provavelmente as composições que eu fiz (p.ex: Carry On) nunca existiriam… A "grande jogada" agora é voltar a fazer música com o mesmo prazer que eu sentia antes. Se não houvesse ideal na música para mim, eu jamais deixaria um "negócio" tão promissor como o Angra. Aliás, se eu fosse alguém que quer aparecer, talvez tivesse sido o primeiro a ir à imprensa falar mal dos outros. Isso não aconteceu. E por falar em pressão: alguém pode imaginar pressão maior do que a que se sofre quando se deixa uma banda???

Carla Marabesi e
Isabel Tavares
Redação Fire Rock

fonte: http://shaman1.cjb.net/

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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