In Paradisum – Symfonia


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A audição de “In Paradisum” deixa claro uma coisa: o álbum soa mais como Stratovarius com os vocais de Andre Matos do que com o Angra dos tempos de “Angels Cry” com a guitarra de Timo Tolkki. Uma sonoridade até previsível, visto que Tolkki sempre foi a força criativa por trás do grupo finlandês, enquanto Andre dividia as composições em seus tempos de Angra com Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt.

É até estranho ouvir um álbum como “In Paradisum” em pleno 2011. O que sai das caixas de som é aquele metal melódico cristalino, acelerado e não tão pesado que fez a cabeça de uma multidão de fãs nos anos 90. Herdeiro direto de “Visions”, o disco chave da carreira do Stratovarius, “In Paradisum” irá agradar mais os fãs da carreira de Tolkki do que qualquer outra pessoa. Ainda que reserve alguns bons momentos de alegria ao ouvinte, o CD não possui a energia e a inspiração que fizeram de “Visions” um dos melhores trabalhos da história do metal. E, como você deve imaginar, a falta desses dois elementos faz uma falta tremenda.

A abertura com “Fields of Avalon” é mais do mesmo, e você já ouviu faixas similares dezenas de vezes. O mesmo vale para “Come by the Hills”, bem construída e redondinha, com coros interessantes no refrão, mas que não diz grande coisa a qualquer metalhead já veterano no estilo. “Santiago” tem um ótimo início, com guitarras agressivas e boas linhas vocais de Andre, mas cai em sua parte final em melodias pretensamente belas que, na verdade, soam apenas cafonas. Mesmo assim, a faixa acaba se destacando, com uma excelente performance dos músicos, principalmente Tolkki, que ratifica o seu status de guitar hero com louvor.

O início acústico de “Alayna” dá uma acalmada nos ânimos, e a faixa evolui para uma balada com bons vocais de Andre. Tolkki volta ao comando em “Forevermore”, uma das melhores músicas de “In Paradisum”, com tudo aquilo que irá empolgar os fãs: riffs de guitarras rápidos, excelentes linhas vocais de Andre Matos – aliás, o bom gosto do vocalista nessa faixa é digno de nota – e cozinha mandando ver na melhor tradição do metal melódico. Destaque para a passagem onde o teclado de Härkin toma à frente, que, apesar de breve, é bem interessante.

“Pilgrim Road” é uma boa faixa, grudenta e empolgante, daquelas que, ao ouvir, a gente imagina o público pulando e cantando junto nos shows. A épica faixa-título, com mais nove minutos, apresenta influências do Avantasia, notadamente de “The Metal Opera II” (2002), e também de “Infinite”, álbum lançado pelo Stratovarius em 2000.

“Rhapsody in Black” tem um bom riff de Tolkki e um andamento interessante, enquanto “I Walk in Neon” agrada na primeira audição. O play fecha com “Don´t Let Me Go”, composição contemplativa perfeita para o encerramento do trabalho.

Em suma, “In Paradisum” é um disco deslocado no tempo. Se fosse lançado na época em que o heavy metal melódico dava as cartas no cenário, talvez hoje ostentasse o status de clássico. Atualmente, agradará apenas aqueles saudosos fãs do estilo – e, é claro, os devotos de Andre Matos e do Stratovarius. Um bom disco, feito claramente por quem entende e domina o gênero, mas que veio ao mundo na época errada, o que o faz soar fora de contexto.

Resumindo: o metal melódico se desgastou muito com a megaexposição que sofreu nos anos noventa, fazendo com que quem curtia o gênero migrasse para outras ramificações do heavy metal. Ou seja, a parcela de público do estilo atualmente é radicalmente menor àquela de quando ele estava no auge, fazendo com que o ouvinte potencial do Symfonia seja reduzido. Mas, mesmo assim, um fato é inegável: quem ainda mantém aceso o interesse pelo estilo irá curtir “In Paradisum” sem muito esforço. Se você faz parte desse grupo, compre já o seu!

Faixas:
1 Fields of Avalon 5:09
2 Come by the Hills 5:01
3 Santiago 5:54
4 Alayna 6:17
5 Forevermore 5:32
6 Pilgrim Road 3:57
7 In Paradisum 9:36
8 Rhapsody in Black 4:34
9 I Walk in Neon 5:45
10 Don’t Let Me Go 3:57

Extraído de: http://whiplash.net/materias/cds/127898-symfonia.html

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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