Show de Andre Matos em Itapira – resenha


 

André Matos – Mentalize Tour 2011
Abertura:
Los Baldes, Hellish War e Dr. Pumpkin
Sábado, dia 14 de maio de 2011 no Centrão em Itapira/SP

O município de Itapira/SP está consolidado no cenário Heavy Metal do interior com uma sequencia de grandes shows de Rock e Metal, e desta vez os membros da Festa Rock Produções convidaram o músico André Matos, pela primeira vez na cidade, para expor um pouco de seu vasto currículo no Heavy Metal Internacional. André Matos começou sua carreira com apenas 13 anos de idade quando, junto com os irmãos Ives e Pit Passarel, fundaram o Viper e de lá gravaram o excelente álbum Theatre Of Fate. Depois de sua saída do Viper, André gradou-se em Composição Musical quanto em Regência Orquestral e em seguida criou ao lado de Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt outro grande nome do Metal Nacional: o Angra, gravando com eles, os álbuns Angels Cry, Holy Land e Fireworks ( além de vários EP ´s ). Após o racha que aconteceu no Angra, André Matos não parou e criou com Luis Mariutti e Ricardo Confessori, outro ícone do Heavy Metal Melódico: o Shaman.

    Registrou também participações em trabalhos como o Avantasia de Tobias Samett, o Aina deSascha Paeth e o álbum Virgo ( também com Sascha ). Em carreira solo, André Matos lançou os álbuns solo Time To Be Free  ( leia resenha ) e Mentalize, isso sem mencionar o atual projeto Symphonia com o álbum In Paradisium ao lado de Timo Tolkki ( ex-guitarrista do Stratovarius ). Enfim, André Matos conta com 20 anos prestados ao Heavy Metal Brasileiro e Mundial, mas a noite de Itapira foi dedicada à sua carreira solo e claro,  também lembrando um pouco das passagens pelas bandas Viper, Angra e Shaman.

 

Los Baldes

 

    Como já é costume nos eventos em Itapira, sempre temos três ou quatro bandas de abertura para o headliner e desta vez não foi diferente: o quarteto Los Baldes de Ouro Fino/MG foi o open act da noite com músicas de seu cd-demo Flesh´s Reality e covers como The Time Of The Oath do Helloween, The Evil That Man Do do Iron Maiden e Enter Sandman do Metallica ( em versão pesadíssima que agradou bastante ).

    Uma pena que cheguei apenas quando eles estavam nas suas últimas duas músicas e não pude acompanhar o show deles por inteiro, mas acredito que Mário S. nos vocais, Luis Gustavo na guitarra, Eduardo no baixo e Alfredo na bateria, aproveitaram sua oportunidade no palco do Centrão para divulgar suas composições próprias e mostrarem sua ‘cara’ para um público presente ainda não muito grande, mas que serviu para aquecer a noite.

Dr. Pumpkin

    Com este nome eu esperava que tivéssemos um cover do Helloween no palco, mas o quinteto Dr. Pumpkin da cidade de Itapira/SP formado por Vandinho Guedes nos vocais, Celso Taliatelli e Rodolfo Wottrich nas guitarras, Thomas Zaterka nos teclados, Raul Taliatelli no baixo e Jr Domingues na bateria, subiram no palco apresentando Sign Of The Cross do Avantasia, e embora não tenha sido uma versão igual ao que Tobias Samett fez, a banda merece os parabéns pela ousadia em tocar uma música tão complexa como esta. Eles enfrentaram alguns problemas com a regulagem de som que foram sanados pela produção do evento ( a guitarra e os teclados estavam baixos ) o que deixou o show do Dr. Pumpkin melhor e assim eles seguiram com Unholy Wars do Angra, mas na fase do Edu Falaschi, e em dia de André Matos esta música talvez não fosse a melhor escolha, mas a banda tocou a executou muito bem.

O set seguiu com a própria New World ( bem na linha melódica ) e o cover de As I Am do Dream Theater. Embora o show do Dr. Pumpkin tenha sido cheio de técnica e músicas mais difíceis, eles não chegaram a empolgar tanto os presentes, exceção feita quando Vandinho convidou Daniel ( vocalista do Slasher ) para juntos tirarem Evil Side do Korzusque marcou o ponto alto do show dos itapirenses, tanto que fizeram os presentes pedirem mais uma, mas não havia mais tempo.

Slasher

 

    A banda de Thrash Metal de Itapira Slasher aproveitou sua participação especial no evento não apenas para incluir mais uma importante abertura em sua carreira, mas para realizar o pré-lançamento do álbum Pray For The Dead ( leia resenha ), o primeiro do quinteto formado por Daniel Macedo nos vocais, Lucas Aldigheri na guitarra, Lúcio Nunes guitarra e vocais, Wellington Clemente no baixo e Alyson Taddei na bateria. Assim, eles iniciaram seu curto, mas esmagador set list com músicas próprias presentes no debut, que fizeram o público bangear bastante e até abrir algumas rodas. World´s Demise mostrou a cara da banda com um peso à la Slayer causando uma empolgação muito grande por todo o Centrão, é como no futebol: banda da casa jogando em seus próprios domínios conquista os três pontos mesmo.

Depois o guitarrista Lucas Aldigheri começou com os primeiros acordes e vocais de Creeping Death do Metallica e em seguida Daniel continuou e garantiu um momento muito bom entre banda e plateia. O guitarrista Lúcio Nunes executou em seguida um solo bem forte que nos levou para a pancada Time To Rise – um thrashão dos mais matadores mesmo – e foi muito interessante observar as evoluções de guitarras que credenciam a banda para voos maiores. A última do curto set do Slasher foi a agressiva e furiosa ( especialmente na atuação do baterista Alyson Taddei ) Tormento ou PazDaniel agradece os fãs que pedem mais uma, mas infelizmente isso não seria possível desta vez, mas parabéns pela ótima apresentação.

 

Hellish War

 

    A banda campineira Hellish War é uma veterana em apresentações em Itapira e seu Heavy Metal clássico com Power Metal, que é praticado pelos amigos Roger Hammer nos vocais, Vulcano na guitarra, Daniel Job na guitarra ( que não esteve no show, pois está na Alemanha à trabalho ), Daniel Person na bateria e JR no baixo, resultam sempre em shows vibrantes do começo ao fim. Atualmente a banda está divulgando o álbum Live In Germany ( gravado ao vivo na Alemanha em 2010 ). Mesmo “desfalcado” de um de seus guitarristas, o Hellish War tem Vulcano e sua presença é garantia de solos de guitarra com a energia necessária para uma grande apresentação, e a Intro ( com um trecho de The Law Of The Blade ) trouxe a excelente Hellish War para que o show começasse para valer.

 

    Depois Metal Forever ( do álbum Heroes Of Tomorrow leia resenha ) que Roger Hammer dedicou a todos bangers presentes confirmando sua presença de palco e atitude Heavy Metal, aliás, falando nisso, os solos de Vulcano são de pura técnica seja na hora dos dedilhados ou na alavanca que garantem muitos aplausos dos fãs. Esses solos nos conduziram para Defender Of Metal título um clássico do primeiro cd da banda ( de 2001 ) executado com todo o primor que já acostumei a ver nos shows do Hellish War, pois Roger vibra a cada momento, interage com os fãs e torna a música uma celebração ao Heavy Metal e não apenas uma canção tocada pela banda. A melhor apresentação da noite seguiu com a longa The Sign ( também do primeiro cd ) que garantiu mais outra sessão de competentes solos de guitarras por parte de Vulcano.

E Son Of The King com todo o feeling dos potentes vocais de Roger Hammer fizeram a grande maioria cantar com ele o refrão. Repleta de riffs rápidos, Call To War, cover do Manowar foi a seguinte no show do Hellish War, e não é que eles mandaram essa com muita empolgação?  No final, ligando uma música na outra, o baixista JR começou a tirar os acordes do hino We Are Leaving For The Metal, uma verdadeira  saudação a todos os headbangers do Centrão. O Hellish War só não foi o melhor show de abertura ( para mim divide o posto com o Slasher ) pois a falta do guitarrista Daniel Job impediu os duelos de guitarras durante os solos, uma marca de muita qualidade da banda, ainda assim Vulcano quase nos fez esquecer desse detalhe e afirmo: o Hellish War está muito afiado e no ponto certo, se não viu um show deles trate de assistir o quanto antes.

 

Andre Matos

    Depois de um longo período na Europa enquanto estava gravando o álbum In Paradisium com Timo Tolkki, André Matos retornou ao Brasil para continuar a divulgação de seu último álbum de estúdio Mentalize. Eram pouco mais de 02:20 quando a longa introdução instrumental ( já assistiu o filme “De Olhos Bem Fechados”? a intro foi deste filme ) trouxe André Hernandes e Hugo Mariutti nas guitarras, Bruno Ladislau no baixo e Rodrigo Silveira na bateria, para então a grande estrela da noite André Matos terminar o suspense e adentrar o palco do Centrão com uma roupa preta, um grande crucifixo, aquela empolgação vista desde quando iniciou sua carreira no Viper e uma concentração que não é comum observar nos vocalistas.

afiado e no ponto certo, se não viu um show deles trate de assistir o quanto antes.

 

 

   André Matos iniciou o show muito focado e de certa forma até sério com a música Leading On ( do álbum Mentalize ), mas cantando com personalidade e muita garra para ser rapidamente ovacionado pelos fãs presentes. Sem pausar eles apresentaram em seguida mais uma do Mentalize com a pesada e melódica I Will Return, onde tenho que destacar a qualidade dos guitarristas André Hernandes e Hugo Mariutti, além de os agudos que André Matos extraiu de seus vocais. Antes de iniciar a terceira André Matos fez a saudação aos presentes dizendo: “É muito bom estar em Itapira pela primeira vez, na cidade que hoje é a capital do Rock do Brasil”, que causou um delírio completo por todo o Centrão e assim Hugo Mariutti com sua guitarra vermelha executou os rápidos e pesados riffs  de Rio ( do Time To Be Free ) com o vocalista fazendo poses e mexendo seu corpo na maneira correta para aumentar nossa felicidade. Vale lembrar que o final de Rio com os dois guitarristas solando juntos foi um momento bem marcante.

 

 

 

Uma coisa chamou muito a atenção durante todo o show: Andre Matos, constantemente ia ao fundo do palco para utilizar uma toalha para provavelmente limpar o suor de seu rosto. Ao cantar Mentalize era notório que Andre Matos estava muito contente com o público presente que acompanhava o show com muita vibração que multiplicou-se em tamanho quando eles tocaram a seguinte, Fairy Tale, cover do Shaman com muitos aplausos, aliás, o refrão e o os “ôôôôô…ôôôôô..ôôôôô” causaram muita agitação dos fãs. Entretanto, a perfeição de sua interpretação não foi o que mais se destacou, e sim o fato que desta vez André Matos não utilizou os teclados como sempre faz na música e sim ‘samplers’ com as bases pré-gravadas.

    André saiu do palco para o ótimo solo de André Hernandes que manteve com competência a linha pesada do show, que foi continuado por Hugo Mariutti e voltou para cantar a Power Metal How Long ( do Time To Be Free ) que sacudiu bastante a galera. Reason ( título do segundo álbum do Shaman ) acalmou um pouco os ânimos, para em seguida Rodrigo Silveira exibir porque está no comando das baquetas da banda de André Matos com um belo solo de bateria. Na volta da banda mais uma nova, com a animada The Myriad e depois, sem avisos, tivemos um dos melhores momentos do show com Prelude To Oblivion do Viper, e embora muitos dos presentes não conhecessem a música, André aproveitou a adrenalina que o som causou e regeu os fãs, que agiram como se a conhecessem, afinal, um clássico desses é para sair pulando mesmo. Confesso que eu esperava Leaving For The Night do Viper na sequencia, mas tivemos Lisbon, uma das melhores de sua passagem no Angra, cujo refrão foi cantado repetidamente até eles saírem do palco finalizando a primeira parte do show.

Aos gritos incessantes de “Carry On…Carry On” a banda voltou ao palco para o bis e surpreender a todos com Holy Land ( título do segundo álbum do Angra ), aliás, sua execução perfeita manteve a plateia nas mãos, e assim como a maioria, fiquei muito contente, pois por conta desta música que começei a ouvir o Angra e ansiava por ouvi-la ao vivo. Depois atendendo os pedidos do público do Centrão Carry On entrou em cena para colocar a casa abaixo com este hit único do Angra ( o qual André já declarou em outra oportunidade que essa música é o Satisfaction de sua vida ). Carry On foi terminada com uma distorção enorme de Hugo Mariutti e ligada à Another Bites The Dust do Queen ( só a parte instrumental ) para que André Matos apresentasse sua banda e fosse apresentado pelo amigo, parceiro e companheiro de longa data Hugo Mariutti. Seria o final perfeito, não concorda? Mas não era, havia mais uma música ainda, a rápida e puramente Power Metal Endeavour e seu riff final foi alongado para os músicas saírem um a um do palco, se despedindo dos presentes de uma forma muito bacana de se ver.

    André Matos mostrou vigor, carisma, uma determinação muito grande, realizou um dos melhores shows em palcos itapirenses e provou que tem condições de continuar a ser o que sempre foi: um dos grandes nomes do Heavy Metal nacional. Parabéns aos meus amigos Leandro Sartori e Fernando Pinna´s pela ótima organização, aliás estendo esses parabéns a todos que participaram na produção do evento.

 

Texto e Fotos: Fernando R. R. Júnior
Agradecimentos à Fernando Pinna´s e Leandro Sartori
Junho/2011

VER Galeria de Fotos do André Matos,

 

 

 

Set List:
1 – Leading On
2 – I Will Return
3 – Rio
4 – Mentalize
5 – Fairy Tale
6 – Solo Zaza
7 – How Long
8 – Reason
9 – Solo Rodrigo
10 – The Myriad
11 – Prelude To Oblivion
12 – Lisbon

Bis:
13 – Holy Land
14 – Carry On
15 – Endeavour

 


fonte: http://www.rockonstage.org/shows/2011/andrematositapira/andrematositapira.htm

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

One thought on “Show de Andre Matos em Itapira – resenha

  1. Marcos says:

    SHOW COMPLETO ANDRE MATOS, e VideoCAM:

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