LUCRO: VILÃO OU MOCINHO?


Encaramos 24 personalidades para entender o que torna a vida mais rica

Felipe Gonzalez

Lucrar é obter – ou levar – vantagem. é fazer o bolo crescer para depois dividir. ou comer sem dividir com ninguém. Encaramos 24 personalidades para entender o que torna a vida mais rica

No início, bandas como Deep Purple, Black Sabbath e Led Zeppelin me pareciam mais preocupadas em solidificar um novo estilo do que em vender uma imagem. O primeiro “comerciante” foi o Kiss, com aquela produção toda e visão empresarial. Mas ainda assim o lucro parecia mais a consequência do que a causa de tudo. Hoje, com as gravadoras à deriva, começou um canibalismo artístico em busca do lucro a qualquer preço. Bandas se tornaram “elefantes brancos” a serem sustentados. Talvez o Iron Maiden seja um exemplo, vivendo fiado na marca poderosa que possui. Quando começamos com o Viper, em meados dos anos 1980, nosso sonho era gravar um disco na Europa e fazer turnê no exterior. Quinze anos depois, já sentia as decisões artísticas submetidas ao business. A história da minha segunda banda, o Angra, empresariada pela revista Rock Brigade, ilustra isso. Hoje me arrependo daquilo. Gostaria muito de saber aonde teríamos chegado sem os privilégios que a revista nos dava.
Andre Matos, ex-vocalista das bandas Viper, Angra e Shaman, atual Andre Matos Band

Todos podem lucrar quando uma cidade valoriza o planejamento urbano, mas os maiores beneficiários são seus próprios moradores. A cidade é um negócio lucrativo para inúmeros agentes econômicos: comerciantes, industriais, promotores imobiliários, empresários de ônibus, empreiteiros de obras públicas, concessionários de serviços de limpeza pública… Eles “vivem” da cidade, mas suas atividades precisam ser reguladas para não afetar a qualidade de vida dos que moram e trabalham, inclusive desses próprios empresários. Nos países pobres ou muito desiguais, como é o caso do Brasil, as pessoas geralmente não dão muita importância para o planejamento, cujos resultados aparecem apenas a médio e longo prazo. Prevalece uma visão imediatista, que acaba por prejudicar o futuro da cidade. Como o espaço urbano é lócus de muitos interesses particulares, o planejamento urbano precisa ser participativo, ou seja, garantir que todos possam debater a cidade que querem. Não por acaso, as melhores cidades do mundo são as que foram planejadas e, ainda mais, as que são geridas de forma participativa. Quem lucra é o cidadão.
Nabil Bonduki, arquiteto, urbanista e professor da FAU-USP

Quando o lucro é fruto de atividades ilícitas, do crime organizado, merece total reprovação do Estado e da sociedade. Ele cria uma economia paralela, não contabilizada e não tributada. Beneficia uma minoria e causa profundos danos à maioria. Fomenta o fortalecimento da própria criminalidade, pois nela é reinvestido. Em atividades lícitas, dentro da livre iniciativa privada, desde que tenha uma finalidade social, o lucro é indispensável para a empresa e para a sociedade.
Odilon de Oliveira, juiz federal, recordista em condenar traficantes, alvo constante de ameaças de morte

Lucro é bom quando todo mundo sai lucrando, inclusive o planeta. Por isso sempre digo que o lucro não pode ser medido apenas no aqui e agora, mas na história. Não se pode sacrificar recursos de milhares de anos pelo lucro de algumas décadas ou alguns anos. Não se pode vê-lo de uma forma atemporal porque o prejuízo também é medido na história. Sem o lastro da ética ou dos valores, o lucro cria bolhas de vantagens e prosperidade que não têm sustentação. É essencial essa perspectiva.
Marina Silva, líder socioambiental

Lucro pra mim é grana. O dinheiro traz felicidades, tudo que existe de bom no mundo é o dinheiro. Não adianta você falar que não, você não pode pôr o pé pra fora de casa que já tá pagando. Quando você chegar na minha idade [78 anos], vai ver que o dinheiro é muito bom, é 99% felicidade. Esse negócio de dizer que dinheiro não traz felicidade é conversa mole, não vai atrás disso não. Saúde é maravilhoso, mas tenho uma dor no joelho e penso: estar com essa dor e muita grana é melhor do que sem a dor e sem grana.
Conradino Milton Scotti, vendedor

Depois que fiz o filme Quem se importa [documentário sobre empreendedores sociais ao redor do mundo, com entrevistas de 18 entre os maiores nomes do setor social] aprendi que há pessoas brilhantes com ideias inovadoras para solucionar os grandes problemas da humanidade. E que é possível SIM acabar com os maiores problemas do mundo. Percebi que o empreendedor de negócios e o empreendedor social têm o mesmo espírito. Nasceram da mesma semente de inquietação e capacidade de implementar suas ações. Mas, enquanto o empreendedor de negócios visa o lucro dos acionistas, o empreendedor social busca o lucro do bem-estar comum, do desenvolvimento da comunidade ao seu redor.
Mara Mourão, diretora e roteirista

Lucro é quando eu compro essa folha de Zona Azul por R$ 2 e vendo por R$ 3.
João dos Santos, vendedor de Zona Azul

Depende da referência. A maior riqueza que existe é o quanto a gente conhece de si, o que está dentro da gente. Se você está autossatisfeito, esse é o maior lucro, a maior dádiva que o homem pode ter é a felicidade interior.
Boddhana Tattva, monge Hare Krishna e vendedor de incensos

Profissionalmente, lucro para mim seria a diminuição da criminalidade. Servir a população pra mim é lucro, porque somos pagos para isso.
André Ricardo, policial

Lucro pra mim é viver bem sem atropelar ninguém. É viver sem lucrar com a exploração ou o trabalho escravo de outras pessoas.
Rappin Hood, rapper

leia o restante da reportagem clicando aqui

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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