Viper comemora 25 anos de primeiro disco com turnê


THIAGO RAHAL MAURO DE SÃO PAULO

Poucos grupos brasileiros de heavy metal desbravaram o continente europeu e asiático nos anos 1980 e 1990 como os paulistanos do Viper.

Ao lado de Sepultura e Angra, o Viper foi uma das primeiras bandas a se apresentar fora do país, no Japão -onde gozam de grande prestígio. Por lá, conseguiram espaço graças a música “Moonlight”, do trabalho “Theatre of Fate”, com influências de música clássica e barroca.

Comemorando 25 anos de seu primeiro disco, a banda conta agora com o retorno do vocalista Andre Matos (ex-Angra, Shaman e Symfonia) após duas décadas fora do Viper (leia a íntegra da entrevista com a banda abaixo).

Ao lado dele, Pit Passarell (baixo), Felipe Machado (guitarra), Guilherme Martin (bateria), Hugo Mariutti (guitarra) e Yves Passarell (guitarra).

O grupo tocará os discos “Soldiers of Sunrise” (1987) e “Theatre of Fate” (1989), pela primeira vez na íntegra.

“O nosso primeiro trabalho completou 25 anos, por isso resolvemos presentear os fãs com essa turnê”, disse Felipe Machado.

O guitarrista Yves Passarell –atual Capital Inicial– não poderá tocar durante toda a turnê, apenas em alguns shows. Para o seu lugar, foi escalado Hugo Mariutti.

Leia a íntegra da entrevista com a banda:

Folha – O que motivou a volta do Viper?
Felipe Machado – Foram vários fatores, na verdade. O primeiro deles é que nós éramos muito cobrados sempre quando o assunto Viper aparecia em rodas de conversa com fãs ou familiares, pois todo mundo sabia que ainda éramos amigos, que ninguém morreu e todo mundo estava por aí no mundo da música. O segundo motivo foi que o nosso baterista, Guilherme Martin, sempre botava pilha quando conversávamos no Facebook ou até mesmo pessoalmente e sempre perguntava porque ainda não tínhamos reunido a banda. Outro fator interessante é que o nosso primeiro trabalho, Soldiers of Sunrise (1987), completou 25 anos de idade em 2012 e essa data por si só é muito importante. O quarto e último motivo é que nós encontramos a produtora e programa de rádio na internet Wikimetal (www.wikimetal.com.br), que mistura um pouco de família, amigos e eles conseguiram viabilizar todo mundo e a turnê.
Andre Matos – O pessoal entrevistou cada um da banda separadamente e no final perguntava se a gente poderia se reunir um dia novamente. E nenhum de nós dizia que era impossível, por isso eles foram importantes pela insistência na hora de convidar e viabilizar tudo isso. É até engraçado que de vez em quando surgem uns ‘flashbacks’ na minha mente e fico dando risada no meio do ensaio.
Pit Passarell – E fora todo esse lado técnico das músicas, instrumentos, shows, essa reunião pra mim traz toda uma carga emocional muito grande, de amizade, relembrar algo que fizemos há muito tempo atrás e foi especial. Estamos redescobrindo as nossas brincadeiras, até brigas (risos). Além da parte de agenda e de todo mundo estar disposto foi importante unir todos os amigos novamente.

E vocês eram amigos de bairro em Higienópolis, em SP?
Felipe Machado – Sim, nós ainda moramos nessa região de São Paulo, em Higienópolis, Santa Cecília, etc. A banda nasceu porque éramos vizinhos de prédio, na verdade.
Andre Matos – E como brincávamos juntos de futebol ou qualquer outra coisa, de repente começamos a brincar de tocar e criar música.

Existe uma história que uma bola de futebol caiu no prédio do Andre Matos e quando ele foi devolver vocês se conheceram, é verdade?
Felipe Machado – O Yves queria roubar a bola na verdade, era bem típico dele (risos).
Andre Matos – Na real a bola caiu no meu prédio e quando eu fui devolver eles me viram e logo perguntaram se eu tinha um time pra jogar contra eles, então eu disse que não, em seguida eles perguntaram se eu queria fazer um som e foi mais ou menos assim que começou nossa história.

A notícia de que a banda vai tocar os dos primeiros discos na íntegra, “Soldiers of Sunrise” (1987) e “Theatre of Fate” (1989), animou todos os fãs já que muitas músicas serão tocadas pela primeira vez. De quem foi a ideia?
Felipe Machado – Quando um fotógrafo amigo meu veio na minha casa pra bater um papo comigo e eu contei pra ele que o Viper estava voltando ele veio com essa ideia, já que muitas bandas têm feito isso nos últimos tempos. Nós até demoramos pra soltar a noticia de que a banda voltaria, até porque tínhamos que ensaiar novamente e ver o que rolava, desenferrujar um pouco, etc. Se for pensar bem, o Andre participou de uma única fase apenas da banda, mas que foi muito intensa e essa data de 25 anos ficou na minha cabeça.
Andre Matos – Os dois trabalhos foram pioneiros e marcaram época no Metal nacional. Modéstia à parte, o ‘Theatre of Fate’ estava muito acima em qualidade das bandas da época. Tivemos a sorte de gravar em um estúdio antigo da gravadora BMG, em SP, e mesmo todos adolescentes, cerca de 17, 18 anos de idade conseguimos uma produção exemplar.
Felipe Machado – Foi um investimento nosso, aliás, trouxemos até um produtor estrangeiro, Roy M. Rowland, o Andre conseguiu um quarteto de cordas e isso tudo influenciou na produção dele.

Vocês pensaram em regravar os discos ou músicas da fase sem o Andre?
Andre Matos – Por enquanto não. A ideia mesmo é somente a turnê e pegar essa janela de tempo para tocarmos juntos.
Pit Passarell – O importante também seria a gente registrar esse momento gravando o show ou vários shows da turnê.
Felipe Machado – A tecnologia de hoje permite que com câmeras pequenas um show inteiro possa ser filmado, então a ideia de gravar um DVD existe, mas por enquanto não de regravar as músicas.

Um fato interessante é que o guitarrista Yves Passarell –atual Capital Inicial– não poderá tocar durante toda a turnê, apenas em alguns shows como convidado especial. Em seu lugar o escolhido foi o guitarrista Hugo Mariutti (Andre Matos, ex-Shaman). Como chegaram nessa alternativa?
Andre Matos – O Hugo já trabalha comigo há muito tempo desde os tempos do Shaman e tenho total confiança dele, pois é extremamente profissional e a aceitação por parte dos fãs foi mais fácil. No começo eu fui contra fazer essa reunião sem o Yves Passarell já que ele é da formação original, mas como não rolava em todos os shows a primeira alternativa foi o Hugo.
Felipe Machado – Eu estou adorando tocar com ele porque ele me puxa para cima, já que é um músico excelente. A experiência tem sido incrível!

No caso da bateria, o Guilherme Martin integra a formação original, mas já passaram pela banda Cássio Audi, Sérgio Facci, Val Santos e Renato Graccia. A escolha foi natural?
Andre Matos – O Guilherme Martin faz parte da formação original e mesmo no caso do Theatre of Fate, que teve o Sérgio Facci na gravação, o Guilherme participou de toda a turnê e por isso a vinda dele foi mais do que natural.

Recentemente vocês tocaram a música ‘Rebel Maniac’, de ‘Evolution’ (1992), no programa Altas Horas, da TV Globo, pela primeira vez na voz do Andre. Os fãs podem esperar por surpresas como esta na turnê?
Andre Matos – Para aqueles que reclamaram que li a letra da música no programa eu em primeira mão confirmo que li sim. Para você ter uma ideia eu fiquei sabendo que ia cantar a Rebel Maniac apenas três horas antes da apresentação e isso porque não fui eu quem cantou no disco original. Foi surpresa até pra mim (risos). Mas é claro que vai ter algumas coisas diferentes no show, como essa. Gostei muito de cantar essa música.
Pit Passarell – Só não vai ter Michel Teló, podem ficar tranqüilos (risos).

O Viper foi rotulado no começo de carreira como os ‘Menudos do Metal’, principalmente pelo fato dos integrantes da banda terem média de 15 anos de idade. Como lidavam com isso?
Andre Matos – A gente tinha que escolher qual Menudo nós seriamos, no caso eu era o Roy Rosello (risos). Brincadeira, nós ficávamos muito putos na hora. Éramos Metal e não podia ter essa comparação, hoje em dia, até damos risada disso.
Pit Passarell – O Guilherme era o Ricky Martin (risos).
Felipe Machado – Na verdade a gente não gostava nada desse rótulo, mas como no começo nós éramos bem meninos, o Andre fez o primeiro show com 13 anos é claro que a reação era nesse sentido.

E mesmo tocando e fazendo turnês vocês ainda estudavam? Digo, ainda assim, completaram o Ensino Médio e depois partiram pra outra profissão?
Felipe Machado – Sim, claro. Nós temos uma formação muito de família, inclusive eu fiz faculdade de comunicação e trabalho em grandes jornais.
Andre Matos – Esse foi um dos motivos de eu ter saído da banda, aliás, estava focado na faculdade de música clássica e fiz todos os seis anos para me tornar maestro e regente. Hoje eu até penso que se eu não tivesse saído às coisas poderiam ter tomado outro rumo e a banda seria maior do que foi.

Vocês pretendem reviver o episódio da entrada com a tocha, que quase acabou em tragédia com um show no Colégio Rio Branco, em São Paulo?
Andre Matos – Sim, com certeza (risos), mas teríamos que usar uma tocha virtual hoje em dia, até estamos procurando algo para fazer parecido.
Felipe Machado – E na verdade quem causou o incêndio foi o Val Santos, que era roadie na época e em vez de apagar o fogo da tocha, chutou pra frente causando o pequeno incêndio. Pensamos até em fazer um incêndio virtual para o show (risos).

Quando lançaram o primeiro LP, “Soldiers of Sunrise” (1987), o Metal no país ainda engatinhava. Bandas como Stress, Centúrias, Dorsal Atlântica, Sepultura, entre outras, já tinham lançados discos, mas a fama de “Iron Maiden brasilieiro” colocou o Viper na rota das turnês internacionais. O que vocês creditam para que isso tenha acontecido?
Andre Matos – Nós queríamos ser o Iron Maiden mesmo (risos). Copiávamos todo o visual de propósito, pois éramos fãs deles, até hoje.
Pit Passarell – Até chamavam a gente de Helloween brasileiro.
Felipe Machado – Mas na época nós nem conhecíamos o Helloween direito, pois os discos da banda não chegavam fácil no Brasil. O nosso foco era o Iron Maiden e realmente queríamos que falassem dessa influência.

Dois anos depois, a banda lança o disco mais aclamado da carreira, ‘Theatre of Fate’ (1989), que colocou de vez a banda no Japão. Esse trabalho é até hoje considerado um dos pilares do chamado Heavy Metal Melódico. De quem foi a ideia de incorporar elementos de música clássica com Metal?
Andre Matos – Nessa época nós criamos uma identidade. A ideia de misturar elementos de música clássica com Metal foi minha e também casou com as composições que o Pit estava fazendo.
Pit Passarell – Digamos que o Andre é o Paulo Henrique Ganso, do Santos, e eu sou o Neymar da banda (risos).

Mesmo com todo o sucesso, o Andre saiu da banda. Na época, como foi essa transição?
Pit Passarell – Foi engraçado porque eu compunha as músicas pensando na voz do André e quando eu fui cantar vi que ia ser muito complicado, pois meu timbre não tem nada a ver com o dele (risos).

O disco Evolution é bem diferente de Theatre of Fate, inclusive foi gravado fora do país. Essa mudança de sonoridade foi intencional?
Felipe Machado – Com certeza. Até queríamos mostrar que poderíamos fazer algo diferente e muito bom.
Andre Matos – O Evolution é um disco que queria gravar, até mesmo na época senti um pouco de inveja da banda.

E qual a opinião da banda atualmente sobre o ‘Tem Pra Todo Mundo’ (1997), que tem letras em português e é bastante criticado por todos até hoje.
Andre Matos – Agora eu vejo que foi um erro ter saído com o nome Viper. Deveria te sido um projeto paralelo, pois a mudança foi enorme. Do Metal para o Pop e Rock nacional, com razão os fãs reclamaram, mas é claro que ele tem músicas boas e as letras do Pit são ótimas.

Por fim, existe algum plano para um disco de inéditas após o fim da turnê?
Andre Matos – A principio não queremos alimentar essa ideia nos fãs, pois agora que conseguimos tempo pra turnê vamos tocar o máximo possível. Quem sabe bem lá na frente isso vai vingar. Tudo depende de agenda e de como a banda vai soar ao vivo.

VIPER COM ANDRE MATOS
QUANDO 1º/7, às 20h
ONDE Via Marquês (av. Marquês de São Vicente, 1.589; tel. 0/xx/11/3611-2696)
QUANTO de R$ 50 a R$ 170
CLASSIFICAÇÃO 18 anos

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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