Viper no Nordeste


Banda Viper comemora 25 anos de Heavy Metal em Salvador

Em Salvador para mais um show da turnê “To Live Again”, que comemora os 25 anos de lançamento do primeiro álbum da banda paulistana Viper concedeu uma entrevista exclusiva ao G1 e falou sobre os shows, reunião da formação clássica, planos para o futuro e muito mais.

O grupo, formado por André Matos (vocalista), Pit Passarell (baixo), Felipe Machado (guitarra), Guilherme Martin (baterista) e Hugo Mariutti (guitarrista), é um dos precursores do Heavy Metal no Brasil e se apresenta neste domingo (8), às 20h, no Groove Bar (Rua Almirante Marques de Leão, 351 – Barra). Confira a entrevista completa no vídeo que pode ser visto aqui.

Música, aviões e… poucas horas de sono

Depois de um grande show em São Paulo, foi a vez do Viper fazer as malas e levar a ‘To Live Again Tour’ para um lugar que sempre nos recebeu muito bem: o Nordeste. Foram três shows em Natal, Recife e Salvador, respectivamente na sexta, no sábado e domingo. Ou seja, uma verdadeira maratona. Eu, que não lembrava muito bem desse ritmo, confesso que foi extremamente cansativo. Mas os shows foram ótimos e, depois que a gente finalmente dorme um pouco, é isso o que realmente importa.

Já que citei o tal cansaço (como é que eu não ficava assim quando tinha 19 anos? Que estranho), é bom ressaltar que o pior para o corpo não é tocar durante mais de duas horas (em Salvador tocamos três) em lugares muitas vezes quentes como uma praia nordestina ao meio-dia. O que detona mesmo é ir para o hotel depois do show e dormir poucas horas, daí acordar cedo para pegar outro avião, daí ficar mais tempo sem dormir, daí chegar em outra cidade, esperar o equipamento inteiro chegar, ir para o hotel, etc… e nos dias seguintes repetir tudo isso. Por mais que pareça a mesma coisa, dormir seis períodos alternados de uma hora é bem diferente de dormir seis horas seguidas.

Mas chega de reclamar! Fim de semana de Viper no nordeste, bebê!

O show de Natal teve um elemento especial para mim porque à tarde estive na casa de meu tio Jaime, onde pude reencontrar um monte de parentes que não via há muito tempo. Primos, amigos dos primos e amigos dos amigos dos primos, para ser mais exato… alguns deles eu ainda na cabeça a imagem de que eram crianças, não entendi como puderam crescer tanto e tão rápido! Bem, pensando bem, acho que não foi tão rápido assim. O tempo é relativo, ainda mais quando ele depende de uma memória específica que não é acessada a todo momento. Antes de encontrar meus primos, só para deixar registrado, fui almoçar em um lugar sensacional que recomendo, e muito: Camarões. Comi tanto, mas tanto, que fiquei pensando se é possível alguém ter uma overdose de camarões. E depois percebi que não…

Depois de um belo jantar japonês (que tal sushi de polvo com molho de maracujá?) e um pouco de saquê, fomos para o lugar do show. Acho legal quando há bandas de aberturas, mas acho que escalar três bandas antes de um show de mais de duras horas é um pouco demais. Conclusão: o show do Viper começou super tarde. Mas, como era sexta-feira, tudo acabou em festa: centenas de pessoas cantando, mandando seu carinho pra gente como tem sido desde o início da turnê. Temos uma relação muito forte com Natal porque foi lá o nosso primeiro show ‘de avião’, em 1988. Na época, tocamos com uma banda chamada Lótus Negra e jogamos futebol na casa do guitarrista, Oruam (acho que o pai dele se chamava Mauro, portanto, Oruam ao contrário…). Graças ao horário, acabamos não encontrando ninguém dessa época, mas fica aqui registrado o nosso abraço, ok?

Obrigado, Natal! Obrigado, Viper!

Hotel, poucas horas de sono, aeroporto, hotel, Recife. Recife é outra cidade onde temos uma ligação forte, desta vez uma mistura híbrida de laços familiares e musicais. Meu primo Pedro, que morava em Recife, foi quem nos ensinou a tocar guitarra, pelo menos foi o primeiro cara que disse que os solos deviam ser feitos “dentro da escala”. Em 1984 isso parecia muito distante, mas tudo bem. Assistimos juntos ao Rock in Rio (na TV) lá no início de 1985, e quando voltei para São Paulo, em fevereiro, trouxe as novidades para o pessoal do Viper. O Pedro também vinha constantemente para São Paulo, e quando vinha trazia outras maravilhas da música, como ‘acordes’, ‘bends’, etc . A gente olhava e achava demais. ‘H.R.’ tem uma influência direta desse primeiro aprendizado de acordes – e é por isso que ela só tem três…

A adolescência em Recife também me influenciou graças à banda que Pedro tocava, o NDR. Tinha dois guitarristas sensacionais, Alexandre Bicudo e João Marquee, com quem mantemos contato (pouco, infelizmente) até hoje. Eles, inclusive, estiveram no show, e pelo menos conseguimos tirar um pouco do atraso. Também estava o mestre Arakém, vocalista da lendária banda Herdeiros de Lúcifer, uma das primeiras bandas de metal do Brasil. Abraços a todos.

Antes do show, almoçamos na casa de Zizinho ‘Alemão’, grande amigo que levou o Viper para Recife em 1989, para o igualmente lendário festival Mauriztadt (será que é assim que se escreve?). Lembro bem que o show era na véspera da eleição para presidente (Collor X Lula) e o Andre Matos voltou correndo para votar. O resto da banda preferiu ficar uns dias a mais curtindo as praias de Boa Viagem e Itamaracá…

O show do Viper, em si, foi como sempre: pessoas cantando, tirando fotos, agitando muito. Depois conversamos com muitos deles, fãs e amigos de longa data e que sempre gostamos de rever. E depois de muitos papos ainda deu tempo de ir para um bar tomar a última cerveja e assistir ao Anderson ‘Spider’ Silva destruir o fanfarrão Chael Sonnen. Sábado perfeito!

Dia seguinte, Salvador. Na saída do avião, enquanto a equipe esperava o equipamento, eu, Pit, Hugo e Andre saímos para comer uns acarajés do lado de fora do aeroporto. Nem imaginava que aquele acarajé ia influenciar o show, algumas horas mais tarde… O Andre teve uma intoxicação alimentar e tivemos que atrasar o show em mais de uma hora. Aproveito aqui para pedir desculpas ao público por isso, realmente foi um problema de saúde e ficamos até com receio de ter que cancelar o show. Tivemos outros problemas técnicos durante a passagem de som, mas a nossa equipe (Dani ‘Soundcheck’, Ari ‘Póóórra, méééu’, Ozzy ‘Extremo Leste’, Toninho ‘Timão’ e Vera ‘Fera’) conseguiu resolver tudo… Vocês são maravilhosos, obrigado por tudo!

Felizmente, o Andre melhorou e conseguiu cantar incrivelmente, como sempre. Apesar de ser meu amigo há mais de trinta anos, sua voz continua me impressionando como se eu estivesse ouvindo pela primeira vez. É um dos melhores vocalistas do mundo, sem sombra de dúvida. E cantando esse repertório, então… As composições do Pit parecem ter sido feitas para a voz dele… pensando bem, foram mesmo!

Dia seguinte, poucas horas de sono, mais avião, finalmente chegamos em São Paulo com a sensação de dever cumprido. Agora é se preparar, porque amanhã é dia de rock no Rio de Janeiro, bebê!

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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