ENTREVISTA: ANDRE MATOS


Postado 13 de setembro de 2012 às 02:37

Por Luciano Piantonni

Andre Matos é um cara que dispensa apresentação. Considerado um dos maiores nomes do Metal brasileiro, Andre integrou bandas como Viper, Angra, Shaman, Symfonia e sustenta uma sólida carreira com uma banda que leva o seu nome – que chega ao seu terceiro trabalho, o excelente The Turn Of The Lights.

Confira nossa conversa com o “maestro do Metal”:

HH -Fale sobre a concepção de The Turn Of The Lights.

André Matos: Em primeiro lugar quero agradecer pela bela resenha feita, acho que você captou a essência do trabalho e soube diferenciar as intenções de música para música. Isto já é uma satisfação: independente se imprensa ou público, quando alguém entende a mensagem, é o nosso objetivo. Obrigado!

O conceito nasceu da ideia do conhecimento. Os antigos filósofos diziam que conhecer algo era o mesmo que jogar luz sobre este objeto; passa-se então a perceber o que antes parecia não estar ali. O mundo vem passando por transformações muito aceleradas. Se nós não “iluminarmos” certos aspectos da vida em comunidade, talvez nos deparemos com um beco sem saída para a Humanidade. Traduzindo mais ou menos ao pé da letra, o título quer dizer “A Virada das Luzes”. É bastante auto-explicativo.

HH – Jurava que fosse encontrar uma releitura de alguma música de seu passado neste CD…

André Matos: Apenas na versão japonesa, como bonus track, gravamos duas versões atualizadas de músicas passadas, como At Least a Chance do Viper, e Wings of Reality do Angra. Mas não chegam a ser releituras, não quisemos mudar por demasiado os arranjos. Apenas a sonoridade ficou mais atual. Para a versão convencional sem os bônus, são 11 faixas completamente inéditas, e o CD alcança praticamente 1 hora de duração.

HH – Qual a comparação que você faria entre os dois primeiros e esse?

André Matos: Sempre se aprende algo. Foram processos bastante opostos. A diferença é que, nesse novo CD, tivemos tempo de sobra e material de sobra pra poder escolher aquilo que se encaixava melhor. E fomos lapidando as músicas, mesmo quando ainda estávamos em turnê, na estrada. Outra diferença foi o fato de este álbum ter sido produzido, gravado e finalizado num único local, o Norcal Studios em São Paulo. É a primeira vez em mais de 20 anos que produzimos um trabalho inteiramente no Brasil. Isto nos deu mobilidade, flexibilidade – e, devido às facilidades do estúdio, e ao empenho da equipe de produtores, conseguimos realizar em 3 meses o que talvez levaríamos 6 para terminar.

Musicalmente é um disco bem trabalhado, bem equilibrado, um “mix” dos elementos dos dois primeiros com algumas pitadas a mais. O som é pesado e compacto, sem deixar de lado as passagens clássicas e progressivas.

HH – A arte da capa de Mentalize tinha vários significados. The Turn Of The Lights soa mais simples. Existe algum significado por trás daquela imagem?

André Matos: A capa do Mentalize era uma espécie de jogo, de charada. Servia completamente ao propósito transcedental do disco. Já a do The Turn of the Lightstraz uma mensagem mais impactante e direta. Foi baseada na estética de alguns ilustradores atuais e também de alguns filmes contemporâneos. Um grande trabalho gráfico do ilustrador Rodrigo Cruz, baseado numa foto real da fotógrafa Amanda Louzada.

HH – Onde foram feitas as gravações? Brasil ou Suécia?

André Matos: Na Suécia cheguei a desenhar alguns esqueletos para as músicas. Enquanto estava por lá, intercambiava arquivos com o resto do pessoal da banda e a internet mostrou-se útil nesse sentido. Todo o processo de pré-produção, assim como de gravação e master foi feito no Brasil, no Norcal Studios, sob a produção de Brendan Duffey e Adriano Daga.

HH – Como foi trabalhar com os novos integrantes? Eles contribuíram nas composições?

André Matos: Sem dúvida, além de trazer sangue novo para a banda e vontade de fazer música, trouxeram sua própria personalidade musical, o que influenciou – e muito – no resultado final. Participaram tanto das composições quanto dos arranjos e os deixei livres para criar o que lhes conviesse. Quando se aceita um músico numa banda, há que se aceitar também as ideias e opiniões deste músico. Estou extremamente satisfeito com a escolha de Bruno Ladislau para o baixo e de Rodrigo Silveira para a bateria. O resultado está aí, para todo mundo ver e ouvir.

HH – Você fez – e continuará fazendo – uma extensa tour com o Viper. Vai rolar tour brasileira para divulgar The Turn Of The Lights?

André Matos: Sim, a tour do Viper foi acertada com data marcada para começar e terminar. É uma tour comemorativa, sem maiores pretensões, e, naturalmente, o foco continua sendo a banda solo, que é a continuação de toda a carreira. Agora, após o lançamento do álbum, nos dedicaremos à divulgação do mesmo e logo cairemos na estrada com um novo show da turnê The Turn of the Lights.

HH – Por falar em Viper, como foi fazer essa tour de volta?

André Matos: Foi maravilhoso. Uma volta no tempo. Devo muito do que sou hoje ao Viper, talvez se não fosse por eles eu nem teria me tornado músico. Por isso, estar no palco com os mesmos companheiros, depois de 20 anos, é um momento mágico. Cantar aquelas músicas e relembrar de tudo o que passamos juntos não tem preço. Somos amigos de infância e essa turnê foi uma das melhores coisas que poderiam ter acontecido. No entanto, cada um de nós tem sua própria vida, suas prioridades e, naturalmente, o projeto Viper não tem a pretensão de continuar indefinidamente.

HH – Fala sério, existe a possibilidade de um disco de inéditas com o Viper?

André Matos: Falando sério, no momento não. Chegamos até a conversar a respeito mas o consenso geral foi de que este é um outro patamar de trabalho para o qual não estamos preparados. É muito diferente compor e produzir um disco, enquanto o palco flui de forma muito mais natural. Por isso o enfoque se deu em cima da turnê propriamente dita e também no futuro lançamento de um DVD que foi gravado durante a tour.

HH – Há quanto tempo você está morando na Suécia? Qual o motivo da escolha? Você não acha que isso dificulta um pouco os shows por aqui?

André Matos: Moro mais da metade do tempo na Suécia, não por rejeição ao Brasil; de fato passo o resto do tempo no Brasil, pois em momento algum me passou pela cabeça abandonar meus companheiros de banda aqui. Já estou lá há praticamente quatro anos. O motivo foi puramente familiar: minha mulher e meu filho são suecos. Ou seja: tive de aprender mais um idioma, à força. A distância não tem dificultado porque as coisas têm sido bem organizadas – quando estou no Brasil costumo ficar meses seguidos e aproveitamos este tempo para concentrar o máximo de trabalho possível. E quando rola alguma coisa na Europa, já estou por lá. Então, na realidade, não mudou muito o estilo de vida e a rotina de viagens.

HH – Você esteve no Symfonia um tempo atrás, e lançaram um disco sensacional – onde todos apostavam que seria mais um dream team. Afinal, o que houve para essa separação precoce?

André Matos: Realmente o disco é sensacional. Eu gostei. E até agora fico meio sem entender os porquês do encerramento precoce das atividades. Ou talvez seja melhor não entender… De qualquer forma, tive o privilégio de conviver e tocar com músicos excepcionais – incluindo o Timo Tolkki – e foi uma experiência inesquecível. A banda tinha uma química excelente nos shows e, na minha opinião, era apenas uma questão de tempo, talvez mais um álbum lançado, para alcançar patamares maiores. O Timo foi quem deu a ideia inicial, quem recrutou os músicos, enfim, era uma coisa mais dele do que de qualquer um. E ele decidiu acabar com o projeto do dia pra noite, além de afirmar que estaria abandonando a sua carreira musical. Isso me surpreendeu bastante, porque, além de conhecê-lo há quase 15 anos, nunca tive um problema sequer com ele, e durante todo esse tempo em que trabalhamos juntos, as coisas transcorreram numa boa. Foi um pouco chocante para cada um de nós que estávamos envolvidos. Mas a vida segue e, por sorte, o trauma não foi dos maiores. O que importa é que deixamos um belo trabalho e fiz novas amizades musicais que quero manter para sempre: Jari, Mikko, Alex, Uli, enfim, grandes músicos e pessoas excepcionais. Espero poder voltar a tocar com todos eles algum dia.

HH – Outra coisa que todos vivem especulando, é que você voltaria para uma tour com o Angra. O quanto isso é verdade, ou não passa de apenas um boato criado por fãs desesperados? (risos)

André Matos: São de fato, boatos. Nunca houve qualquer tipo de proposta – e na realidade não é por falta de proposta que não me animo a voltar com o Angra, os motivos sempre foram outros. Voltar com o Viper é uma coisa, com Angra seria outra completamente diferente. Não cultivo rancores ou inimizades, desejo a eles tudo de melhor e acho que o que fizemos juntos naquela época foi simplesmente incrível. Mas teve seu tempo. Infelizmente a amizade não durou, e fazer música de forma automática é algo que não me passa pela cabeça.

HH – Você consideraria essa volta, ou é algo completamente encerrado?

André Matos: Minha posição continua a mesma. Não conto com isso e nem alimento qualquer especulação nesse sentido. Definitivamente não faz parte do meu plano de carreira e nem de vida no momento.

Nunca saberemos o que estaremos fazendo daqui a 10 anos , mas enquanto isso, seguimos em frente com aquilo que nos completa e procurando sempre nos comunicar através da música, de forma sincera.

Fonte: Hard and Heavy

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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