Entrevista com a banda REMOVE SILENCE


segunda-feira, 6 de maio de 2013

1- Começaremos então com vocês nos contando a idéia de formação da banda, sua atual formação e estilo musical.
HM: Começamos em 2007, pois tivemos uma época um pouco mais tranqüila em relação aos nossos trabalhos anteriores. Eu, o Fabio e o Ale sempre tivemos vontade de fazer algo juntos, porem foi somente neste ano mesmo que conseguimos adequar todas as agendas. Sobre o estilo musical, sempre, para esta banda, pensamos em não ter um limite na hora de compor. Não nos importamos com estilos, rótulos, etc. e acho que isso pode surpreender muita gente que escuta, pois a ausência de rótulos acaba as vezes deixando os ouvintes um pouco assustados, o que e normal.
2- Tive o imenso prazer de receber o registro “Stupid Human Atrocity”, o SHA, produzido pelos próprios integrantes e que trilha um caminho que eu diria diferente, com a inclusão de novos elementos ao som. Um resultado fantástico a meu ver. Como se deu o processo de composição, experiências e gravação deste trabalho incrível?
HM: Primeiramente, obrigado pelos elogios!!! Gravamos e produzimos 95% do álbum no estúdio The Brainless Brothers, de propriedade do Fabio e do Ale. Gravamos a bateria nos estúdios Epah em SP e masterizamos na Alemanha com o Miro Rodenberg. As musicas são criadas de diversas maneiras, através de jams, ou as vezes um integrante já aparece com a idéia mais ou menos pronta e os outros ajudam a fechar. O importante e que todos participam deste processo e colocam suas influencias nas músicas.
3- Em relação a shows, como a banda vê atualmente os espaços disponíveis e como tem sido a receptividade ao trabalho?
HM: Bem fraco para bandas que ainda não tem tanta estrada, e essa onda de bandas cover gerou um ciclo vicioso entre donos de casas de show, bandas e público, que na verdade só está prejudicando o cenário das bandas autorais. Quando um contratante finalmente decide apostar em uma banda autoral, na maioria das vezes não oferece as condições necessárias para um show como o nosso, que requer uma certa estrutura para acontecer. Somos da seguinte filosofia, se não houver condições para fazermos um show com a mínima estrutura e qualidade, não faremos. Isso pode parecer arrogante, porém se este tipo de atitude não partir de ninguém, cada vez mais os contratantes, donos das casas de show, etc., vão continuar oferecendo tudo que e melhor apenas para eles, e não para publico ou para a banda. Temos que ter urgentemente uma profissionalização deste mercado de rock no Brasil. Em qualquer outra profissão, se você não trabalha com o mínimo de condições, você não consegue desempenhar nada direito. Na música é a mesma coisa. Acho muito importante que as pessoas entendam que esta e uma postura para melhorar a situação, não somente para o Remove Silence, mas para todas as bandas. Pode ser que não adiante nada falar e fazer isso, mas se pensarmos assim nunca nada vai mudar aqui. Com certeza, não faremos shows do Remove Silence enquanto não existirem condições adequadas para um show diferenciado e de qualidade. Somos muito respeitosos com nosso público e esperamos que os contratantes sejam respeitosos com as bandas.
4- A banda tem seu site e quase todas suas informações em inglês. Isso é algo que busca o mercado externo ou apenas uma facilidade de visualização por todo os interessados no mundo em conhecer o trabalho? O que há de concreto para o REMOVE SILENCE no exterior?
HM: Quase todas as pessoas que gostam deste estilo no Brasil conhecem e entendem a língua inglesa, sempre sabem as letras, etc. E uma coisa natural ter um site onde se usa um idioma através do qual a banda possa ser acompanhada, aqui ou fora. Quando você faz um trabalho em português, estará restrito apenas aos territórios que falam esta língua, e estes são escassos. O Brasil não é o país do Rock, provavelmente nunca será. Uma quantidade muito pequena da população brasileira gosta de rock, se analisarmos o todo, e a mesma quantidade mínima falam inglês. Restringir seu trabalho a somente o português com certeza não o levará tão longe neste estilo musical. É necessário apontar suas armas para os alvos corretos, onde as pessoas entendam o que você quer dizer. O inglês se tornou a linguagem universal por diversas razões, e devemos aproveitar isso para que nosso trabalho seja compreendido pela maior quantidade de pessoas possível. Sempre tivemos muitas coisas positivas na Europa, EUA, etc. Tivemos nosso primeiro videoclipe “Fade” nas emissoras da MTV do mundo inteiro, fomos indicados ao Grammy USA, ou seja, a banda pensa muito também no mercado estrangeiro, acho que isso e uma coisa natural, principalmente por cantar em uma língua universal.
5- O que explica o visual da banda (terno e gravata) ? Apenas fotos?
HM: Queremos que a banda não seja apenas uma coisa para escutar, temos uma filosofia por trás das letras, das roupas, etc. Somos uma banda que quer dizer algo com a parte visual também. Faz parte de todo um conceito. Pode ser que nem sempre a banda apareça vestida desta forma, mas para estas ocasiões, achamos a melhor maneira. Isso impõe uma certa seriedade e é também uma ironia em relação a tudo o que a banda escreve em suas letras e apresenta em seus temas.
6- As redes sociais hoje facilitam a divulgação dos trabalhos realizados, são também uma resposta mais rápida do que se quer perceber, assim como serve de interação com o público e diversas outras opções que elas trazem. De que forma a banda usa isso a seu favor?
HM: Estamos extremamente engajados nisso desde o início da banda e realmente esta estratégia é altamente necessária, imprescindível hoje em dia. Uma banda que não está na web, é uma banda que não existe. A rede ajuda muito as bandas, porém talvez um dos pontos negativos seja o fato de que existe muita informação na internet e às vezes muitas coisas legais se perdem um pouco. Mas por outro lado você tem acesso a lugares que jamais teria sem estar em uma grande gravadora.
7- Como vocês enxergam hoje o metal nacional, em termos de público, espaços, bandas e resultados?
HM: Publico sempre vai existir, e como em qualquer setor podem haver altos e baixos, pois sempre existe uma reciclagem, etc. Realmente temos muito poucos lugares dispostos a investir em bandas menores de som autoral, e isso e um problema mito grande para o futuro da musica no Brasil. Cada vez temos menos nomes de peso na cena, e não por falta de material, e sim por falta de oportunidades. Pode ser mais seguro em curto prazo você investir em uma banda de cover, porém em longo prazo isso é desastroso para sua carreira. Seria muito mais vantajoso para todos se tivéssemos mais grandes nomes de musica própria, o que com certeza renderia mais para as casas, empresários, etc., mas infelizmente poucos pensam assim e o público está ficando mal acostumado. Estamos gerando um alto grau de desinteresse no público, que a cada de dia que passa se interessa menos por coisas novas. Precisamos mudar isso urgentemente e o primeiro passo deve ser dados pelos músicos. Aposte em você mesmo, deixe de viver uma vida que não é sua, sendo apenas um clone vazio de um grande artista que realmente criou algo de bom.
8- A Quality Music Web Radio vai continuar acompanhando, divulgando e apoiando o REMOVE SILENCE. Deixem então sua mensagem final para os que acompanham a Quality Music e o Remove Silence.
HM: Agradecemos pelo espaço! Em breve teremos muitas noticias e novidades legais para as pessoas que gostam do Remove Silence!!! Obrigado! Abraços!

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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