Entrevista com o tecladista Fabio Ribeiro


Nesta entrevista exclusiva para o X-Press On, o tecladista Fabio Ribeiro, comenta sobre a sua saída da banda André Matos Solo, a banda Remove Silence, como foi produzir o novo trabalho de Luis Mariutti, entre outros assuntos. Confira abaixo a entrevista na íntegra!

Por Liz Sabec

1) Por que você decidiu sair da banda Andre Matos Solo?

Foram diversos motivos diferentes que se acumularam com o passar dos anos, alguns mais agravantes, outros menos, fatores internos e externos que culminaram nesta decisão difícil. Eu me esforcei ao máximo para evitar isso, mas certas coisas foram a gota d’água. Esta é a primeira vez que vou contar certas coisas, e deixarei de contar outras, pois prezo muito a ética. Mas prezo também a sinceridade, muita gente tem me perguntado isso e eu sempre tento me esquivar da questão. Algumas decepções particulares surgiram até mesmo antes de a “banda” ser obrigada a nascer, ainda nos tempos de Shaman, mas isto diz respeito somente a uma pessoa e este é um assunto para outro momento.

A primeira rachadura que aconteceu na Carreira Solo do Andre foi a troca do primeiro empresário para o segundo, após o lançamento do álbum Time To Be Free. Até então, estávamos todos felizes e muito empenhados em fazer a coisa acontecer, quase que como uma obrigação depois da sacanagem sem tamanho que sofremos. Aliás, a sacanagem foi sofrida porque as pessoas não têm determinação quando querem algo de verdade. Esse assunto do Shaman era para ser resolvido com uma facilidade enorme logo de cara, na hora, e a banda deveria ter continuado sem problemas, ou sem “o problema”. Mas rolou um “bundamolismo” generalizado por parte dos três que foram literalmente expulsos da banda pela qual eram os grandes responsáveis, deixando a coisa de presente na mão de quem… bem, de quem só cuidava dos negócios e nada mais. Ok, não vamos nos estender, esta história terá seu próprio fim, se é que já não teve…

Pois bem, este segundo empresário já tinha um histórico duvidoso, mas mesmo após conselhos da banda para não fechar a parceria, a decisão não foi nossa. Foi a partir dali que começamos a sentir um afastamento crescente por parte do Andre e um descontentamento por parte da “equipe”. Sim, foi assim que o empresário chamou os grandes responsáveis pela composição, arranjo, gravação e execução de 80% das músicas do tal primeiro álbum “solo”. Na mesma conversa soubemos os novos valores de cachê, que além de muito desbalanceados em relação ao trabalho de cada um dentro da banda, beiravam o ridículo em termos de valor. E ainda fomos obrigados a ouvir a frase “Se não quiser, pode ficar em casa”, num ar que nos levou a crer que a única coisa importante para ele ali era o Andre mesmo, ninguém mais.

Fizemos uma pseudo-turnê sofrida com este empresário, uma pessoa incapaz de sorrir até mesmo diante de uma boa piada. Clima “para baixo”, poucos shows desorganizados, e um tratamento digno de “funcionário”. É engraçado, mas no Shaman eu era um músico contratado e senti muito mais respeito por parte de quem administrava a banda do que nesta suposta “banda” que estava sendo formada.

A segunda ideia “excelente” por parte do cara foi a gravação de uma versão acústica para uma música chamada “Looking Back”, que supostamente seria lançada como single e iria para um monte de emissoras de rádio. Levamos meses para concluir a faixa devido ao preciosismo que naquele momento era desnecessário, e a faixa não tocou sequer na própria rádio da qual o empresário era o dono! Durante todo este período em que estivemos trancados no estúdio, começamos a sentir uma espécie de boicote interno por parte de quem deveria agendar os compromissos e manter a coisa andando. Não rolavam mais shows, tudo estava parado. Posteriormente, soubemos de um plano pra lá de estranho entre este empresário e outro já bem conhecido para ressuscitar o Angra com o Andre nos vocais! Talvez a ideia fosse nos vencer pelo cansaço, nos convencer que a banda não iria funcionar, e fazer o Andre imaginar que a única saída poderia ser voltar para sua antiga banda. Um plano ardiloso! Este empresário não investia um centavo na banda, nunca, mas como soubemos estava disposto a desmembrar o problema com o nome Angra e bancar a volta da banda. Um absurdo, nos sentimos traídos.

Depois de muita conversa, o empresário foi afastado. Mas naquele momento grande parte do foco já havia sido perdido. Acabávamos de jogar fora um excelente álbum, devido à perda de sincronia com os subsequentes afazeres de promoção que fomos privados de fazer. Em dois anos de descuidos com a parte de marketing, o nome Andre Matos começava a perder a força, infelizmente. Teríamos que começar tudo de novo, mais uma vez, em uma área que estava começando a mudar em conjunto com a crise no mercado fonográfico e não permitiria tal falta de estratégia e planejamento. E estas omissões aconteceram o tempo todo… Uma banda se faz com várias cabeças pensando e várias pessoas trabalhando em sua administração, além da parte musical. É difícil para uma pessoa só querer abraçar todo este trabalho de administração, ainda mais o Andre que nunca precisou se mexer para isso na vida. Neste caso, sem um bom manager ou agência por trás, a coisa simplesmente não funciona. O que aconteceu nos períodos seguintes foi a “banda” tentando se reerguer, a passos bem largos. Acredito sem a menor sombra de dúvidas que se todos tivessem a oportunidade de colaborar nesta parte, as coisas teriam andado e seriam diferentes hoje, para a carreira do Andre e para nós também. Não se faz uma empresa apenas com o presidente, principalmente quando os “funcionários” constroem a empresa do alicerce ao telhado praticamente sozinhos, mas não podem opinar em sua administração.

Foi então que recebemos a notícia de que teríamos que gravar mais um álbum, às pressas, por pressão da gravadora japonesa, ou por “pressão de um advance em dinheiro”. Não se faz música sob pressão, isto também não funciona, e acabamos lançando o “incompleto” álbum Mentalize.

Naquele momento, fatores pessoais levariam o Andre para ainda mais longe, literalmente. Com mulher e filho na Suécia, a sensação era de que cada vez mais o destino dele parecia ser para os lados de lá… Aliás, hoje em dia eu no lugar dele já teria ido para valer, ao invés de ficar voltando para cá e sofrendo em um país que nunca vai valorizar sua música. A ausência dele nos processos de composição foi bem grande… A gravação deste álbum foi um pesadelo para mim, que também estava sofrendo os piores períodos da minha vida toda devido também a outros fatores pessoais. Não me lembro muito bem destes dois meses de gravação, pois estava entupido de rivotril e anti-depressivos, mas tentei fazer o meu melhor como sempre.

O problema é que as coisas também começaram a se descontrolar na parte musical, coisa que não havia acontecido no primeiro álbum. É de uma idiotice muito grande nos tempos de hoje respeitar as opiniões de uma suposta gravadora, principalmente quando a visão desta gravadora é antiquada e totalmente presa em um estilo de música que se não é bem arquitetado pode se tornar limitado e chato. A música mudou no mundo inteiro, tem evoluído em diversas vertentes, as pessoas passam a ouvir outra coisa quando você se repete. Com a faca e o queijo na mão como o Andre sempre esteve, dotado de uma criatividade ímpar e de uma voz excepcional, sem rabo preso com ninguém, como é que se deixa uma banda cair na mesmice? Por poucos trocados que irão durar alguns meses? E a carreira sólida formada antes? Não tem mais valor? É preciso pensar adiante. O respeito duradouro do público vem através de boa música, sempre, e isso estava sendo negligenciado. Além disso, o que também me deixou desgostoso com este álbum foram as deliberadas alterações de arranjo nas partes de teclado e, pasmem, alterações de timbragem no momento da pós-produção e mixagem, etapas realizadas na Alemanha. Alguns dos meus Hammonds, um dos poucos sons de teclado que se encaixam bem em heavy metal, viraram marimbas, por exemplo, e o arranjo original de Leading On tem teclados muito mais legais e bem elaborados dos que os que estão no disco. Outras faixas sofrem do mesmo problema. O próprio Rick Wakeman teve problemas deste tipo na gravação do álbum Union do Yes, um produto encomendado, enviando além do áudio as pistas MIDI abertas para total liberdade dos produtores. Segundo suas próprias palavras, ele não está naquele álbum, apenas seu nome. Citou na época até a existência de telefones para consulta com o dono da obra numa situação dessas. Hoje em dia a comunicação é ainda mais fácil…

Nota-se uma diferença enorme de qualidade dos teclados entre o Time To Be Free e o Mentalize. Este segundo, na minha opinião, soa mesmo inacabado. Eu nunca entendi a razão disso ter acontecido. O Andre, como pianista também, deveria prezar pelo melhor. Eu não acredito que o gosto dele por teclados e o cuidado com a produção desta parte tenha diminuído de forma natural como podemos observar nestes dois últimos álbuns dele. Isso é no mínimo estranho… Pior é que não sentimos nem o cheiro do tal advance da gravadora, pelo menos não nós da “banda”. E acabamos enterrando mais um trabalho depois, pois não houve nenhum tipo de promoção e a sincronia foi novamente perdida.

Todavia, nós da banda prevíamos ao menos uma turnê mesmo que tardia, certo? Segundo a administração, era essa a ideia. Aqueles planos que você faz antecipadamente para o ano, deixando algumas coisas pessoais de lado, recusando convites de trabalho, coisas normais que qualquer um faz quando sabe que existe uma empreitada em vista e que esta deve ser feita com qualidade e profissionalmente…

Iniciamos uma bateria de ensaios para mostrar ao vivo o que sempre tentamos fazer – shows de qualidade. Músicas novas foram adicionadas, coisas velhas foram desenterradas. Continuamos a nos empenhar. Para nós tecladistas, o trabalho é dobrado, pois além dos arranjos musicais difíceis a serem executados pelo cérebro e pelas mãos, temos a árdua responsabilidade de programar e timbrar os sintetizadores e demais aparelhos. No caso destes arranjos, é um trabalho enorme!

Eu sempre fui o responsável por toda a parte de tecnologia envolvida por trás destes shows todos que vocês assistiram. Investi e reinvesti uma montanha de dinheiro nisso nesses anos todos, adaptando a aparelhagem de acordo com a necessidade de cada banda e turnê. Desde a época do Shaman, os ensaios também sempre foram feitos aqui no meu estúdio, gratuitamente. As gravações também sempre foram resolvidas com excelentes condições e deveriam ser creditadas e evidenciadas corretamente. Era uma maneira de eu apresentar mais um tipo de colaboração além do músico Fabio Ribeiro. Eu sempre me senti muito envolvido com todas estas bandas, desde o Angra, mesmo em uma posição de “side man”, talvez pelo meu amor incondicional à música também. Então sempre procurei colaborar como se aquilo tudo também fosse meu, por puro prazer de fazer a coisa do jeito certo, e também pela grande amizade que sempre tivemos. Eu sempre quis que a coisa fosse a melhor, que o produto final fosse da melhor qualidade possível. Nunca medi esforços para isso, mesmo nestes casos.

Foi muito estranho começar a perceber que o Andre se tornava ainda mais ausente. É natural ter que viajar para ficar com a família, mas a inexistência da apresentação de uma estratégia de continuidade de trabalho para nós da banda e a estranha escassez de shows e de qualquer outro tipo de evento começou a deixar a gente com a pulga atrás da orelha de novo. E assim passaram-se meses, fizemos apenas alguns shows neste período. Um belo dia, esta maravilha tecnológica que é a internet me atentou para uma nova banda vinda de lá das terras frias, com o pomposo nome de Symfonia. Ao verificar mais a fundo, descobri que não se tratava de mais um dos inúmeros projetos paralelos informais dos quais o Andre costuma participar, mas sim de uma banda com pretensões sólidas, álbum já gravado e prestes a ser lançado, e turnê internacional prevista. Aquilo não nascera da noite para o dia, era o resultado de pelo menos um ano de trabalho. A grande atenção da mídia especializada sobre aquilo me levou imediatamente a crer que nós aqui simplesmente seríamos deixados de lado, definitivamente. E isso só não aconteceu desta forma porque o tal Symfonia foi um desastre. Eu mesmo nem sei explicar, conhecendo bem o Andre, onde ele estava com a cabeça de se meter numa fria daquelas. E, como disse o Rick Wakeman, existem coisas como “telefones” para que determinadas situações possam ser esclarecidas e resolvidas com antecedência, muuuuita antecedência… Afinal, “Andre Matos” agora é uma banda, ou não? Então, concluindo, qual seria a reação de alguém na minha posição em um momento como aquele, prevendo sabe-se lá mais quanto tempo de enrolação e pior – na dependência de alguém que perdeu o foco em sua carreira e não sabe mais para onde atirar? A reação foi a de qualquer profissional quando chega à conclusão de que a empresa para a qual trabalha já não é totalmente honesta para com quem se empenha em torná-la melhor – procurar outro emprego.

Time to Be Free

Time to Be Free (Photo credit: Wikipedia)

Mas, apesar das situações adversas, na verdade a maior parte do problema é que eu acho que o grande barato da música é a criação, assim como grande barato da vida é a evolução. Quando isso é interrompido e você passa a ser obrigado a fazer o que você não gosta, tudo perde a graça. Não estou falando só por mim, a grande maioria da banda estava determinada a seguir em frente com inovação. Mas quando a criatividade é oprimida e o dinheiro, que, aliás, é bem pouco, se torna mais importante ou necessário e você começa a se ver obrigado a viver somente de glórias do passado, aí acabou…

 

2) Como é seu relacionamento atualmente com o Andre Matos?

Nos vemos pouco hoje em dia, justamente porque não estou mais na banda e ele agora é um cidadão meio brasileiro e meio sueco, mas está tudo bem. Eu sempre soube separar muito bem os ambientes profissionais do restante da vida. É uma atitude sensata que facilita muito as coisas, evita dores de cabeça e garante a preservação das boas relações humanas.

 

3) De que maneira surgiu a ideia de montar a banda Remove Silence?

O Remove Silence surgiu logo após a dissolução do Shaman, quando eu, o Ale Souza (baixista/vocalista) e o Hugo Mariutti (guitarrista/vocalista) finalmente tivemos algum tempo livre para desenvolver ideias que já vinham sendo maquinadas, mas nunca puderam ser colocadas em prática até então. Eu e o Ale tínhamos um projeto chamado The Brainless Brothers, que também é o nome do nosso estúdio, e já havíamos gravado algumas músicas, que estavam na gaveta. O Hugo sugeriu então uma releitura da música Dream Brother, do Jeff Buckley, artista do qual somos admiradores, e sugeriu o Edu Cominato para o posto de baterista. Esta foi nossa primeira experiência. Gravamos, gostamos do resultado e decidimos seguir com algo que não seria mais um projeto, mas sim uma banda. O Hugo trouxe muitas coisas legais que também se encaixavam no contexto e fizemos também muitas jams juntos para composição de material. Logo em seguida gravamos nosso álbum de estreia – Fade. Em setembro do ano passado, lançamos nosso segundo trabalho – Stupid Human Atrocity.

 

4) Podemos esperar este ano uma tour do Remove Silence? Já possui datas agendadas?

Nós que fazemos rock no Brasil estamos enfrentando uma das mais difíceis situações, algo jamais visto por aqui. O Brasil nunca foi, não é, e jamais será o país do rock. Para as grandes massas, os atrativos sempre foram as coisas da terra, boas ou não. Até aí, tudo bem, cada povo tem sua cultura predominante. O problema é quando a cultura é deliberadamente e propositalmente transformada no absoluto oposto – ignorância! De um bom tempo para cá, qualquer coisa que possa apresentar algum tipo de perigo ou desafio para o governo é sumariamente boicotado, massacrado e extinto. Vamos ser claros, não é permitido pensar neste país, isso pode acabar com a farra. É explícito o mecanismo do nosso governo para tornar as pessoas cada vez mais ignorantes, pois assim são muito mais facilmente adestradas, como gado. Isto nunca antes esteve tão esfregado na nossa cara. Só sendo muito burro mesmo para não perceber, e é aí que está a estratégia, que funciona perfeitamente agora. Nós que fazemos rock sentimos isso na pele. O estilo tem algo a dizer, faz as pessoas refletirem sobre as coisas, gera questionamento. O estilo, quando bem aplicado, é perigoso! Então podemos desencanar de esperar por algum apoio aqui. Na verdade, temos que enfrentar verdadeiras batalhas para podermos nos pronunciar. Chato também é constatar que os próprios músicos, em sua enorme maioria, não andam muito empenhados para mudar isso. Onde estão, por exemplo, os Raulzitos, Renatos Russos, Cazuzas e Titãs de outrora? Onde estão as letras que contavam histórias interessantes, irreverentes, inteligentes, que despertavam algum tipo de sensação senão o tédio, o riso, ou o nojo? Onde estão os verdadeiros artistas??? Foram todos extintos, vencidos pelo cansaço, ou obrigados a se render à máquina, deixando de lado seus ideais para tentar manter seus padrões de vida. E pior, não surgiram mais bandas de rock com atitude por aqui. É só um amontoado de músicos insossos que não querem dizer nada. Já entram na cena buscando pela luz dos holofotes, sem antes procurar apresentar qualquer conteúdo. A cena rock no Brasil nunca esteve tão ruim, tão medíocre! Não conseguem sequer copiar as boas bandas de fora, quanto mais criar alguma coisa que se compare. As raríssimas exceções lutam com unhas e dentes para se destacar perante a essa pilha de lixo que nos é enfiada goela abaixo sem nenhum consentimento pela grande mídia. É preciso atitude, e é isso que buscamos no Remove Silence, embora soframos um pouco as consequências.

Além disso, infelizmente, já não é tão fácil como antes arquitetar uma sequência lógica de shows dentro do território nacional. São diversos os fatores, sequelas de um problema que começou com a queda do mercado fonográfico, a pirataria, e todas estas questões que estamos cansados de discutir. Coisas pioraram, coisas melhoraram, mas a verdade é que o mercado está saturado, confuso, em fase de transição, uma verdadeira baderna onde poucos se arriscam a investir no novo, principalmente quando o novo não condiz com o gosto do povo. Daquele povo… E com a crise internacional, o Brasil se tornou uma espécie de bote salva-vidas para muitos artistas de fora, boa parte dos quais já não consegue sustentar a carreira em territórios como os da Europa ou nos Estados Unidos. Muitos empresários brasileiros estão se beneficiando disso, o que poderia até ser considerado normal por aqui, não fosse o preço abusivo dos ingressos e as condições nem sempre satisfatórias dos eventos, tanto para o público quanto para as próprias bandas, mas este é outro assunto. É ótimo que o Brasil finalmente tenha entrado no circuito de shows internacionais, pedimos por isso por décadas e excelentes bandas também têm vindo para cá, mas não prevíamos um evento de crise global como este coincidindo com os nossos próprios problemas internos. O que se vê é uma concorrência descontrolada por espaço. Assim como os “grandes” artistas da música brasileira, nós que estamos no mercado intermediário estamos na verdade enfrentando uma concorrência enorme, em um país que não comporta tantos shows.

Para piorar a situação, de um bom tempo para cá, nunca se viu tanto amadorismo entre os que organizam shows no nosso segmento. É realmente complicado organizar um evento de qualidade no nível do que pretendemos fazer, mesmo de forma mais simplificada. Não é difícil entender. Quem está nesta área sabe que, de cada dez shows, oito têm problemas de pagamento, problemas técnicos, ou coisa muito pior. É um desrespeito total. Toquei em um conceituado local de São Paulo que recebe bandas internacionais, por exemplo, e não havia sequer uma garrafa de água no camarim, item pelo qual tive que pagar. O equipamento de som é precário e os valores de cachê são ridículos, quando existem. O mesmo local se nega a agendar bandas autorais em seus dias de maior movimento, a menos que toquem por meia hora entre bandas de Cover. A maioria dos bares age assim atualmente, isto é incabível! Tudo gira em torno de dinheiro, mas não há investimento, apenas ambição e desorganização. Não é necessário estender a questão. Por isso preferimos neste momento agendar shows selecionados, com o contra de não poder atingir todo o público que gostaríamos, mas com a certeza de que estamos apresentando um show diferenciado para aqueles que tiverem a oportunidade de assistir.

 

5) Como surgiu a ideia do clipe de Wormstation? Fale um pouco mais sobre isso e como o clipe foi feito.

O clipe foi totalmente idealizado e executado por nós mesmos, dentro do nosso estúdio de gravação. Não gastamos absolutamente nada, com exceção de alguns itens como o cérebro, difícil de encontrar, e os dados, comprados em uma banca de jornais. O restante é um apanhado de coisas que desenterramos aqui, coisas pessoais que tivessem a ver com o espírito do clipe. Filmamos tudo em uma Nikon D90 com lentes Macro. Os takes originais não sofreram nenhum tipo de tratamento de cor ou processamento, apenas edição. O que se vê são as cenas tomadas da câmera, nuas e cruas. Usamos uma luminária bichada, que não parava de dar pau, e nada mais. As imagens são recheadas de mensagens subliminares e contém também alguns “easter eggs” para aqueles com uma maior curiosidade. É um clipe forte, que trata de alguns dos maiores problemas enfrentados pelo mundo atual. As imagens flertam com política, religião, dinheiro, sexo, drogas, e também com conspirações internacionais mais preocupantes que deveriam ser observadas com maior cautela. Um fato curioso é que, embora nossas emissoras de TV insistam em nos enfiar goela abaixo coisas muito mais agressivas do que o clipe, fomos barrados. A MTV Brasil, por exemplo, não apresentou um argumento sólido para a não exibição do clipe, dizendo simplesmente que não existe em sua programação um espaço adequado. Concordo plenamente, em vista do conteúdo da emissora atualmente. Realmente não há espaço para coisas sérias. O engraçado é ver em sua programação clipes recheados e apologias à violência e ao crime, além de uma enxurrada maciça das tais bandas insossas sobre as quais comentei, que não querem dizer absolutamente nada, nem no som, nem na ideologia. Tudo me leva a crer que eles também estejam apenas seguindo as regras do velho mecanismo adotado pelo nosso governo de não permitir a excitação das ideias. Eu duvido que alguém lá tenha observado as imagens quadro a quadro para descobrir as imagens que realmente não podem ser exibidas na TV. Deveriam ter prestado mais atenção… Não é a toa que estão indo para o buraco e encerram as atividades em breve. Do jeito que a emissora está, sua ausência não vai fazer a mínima falta para a cultura brasileira.

 

6) Ao receber a notícia da pré-indicação ao GRAMMY com seu trabalho do Remove Silence, em duas categorias do Grammy USA (“Best Performance”, com a música “Pressure”; e “Best Hard Rock Album”, com o cd “Fade”) de 2010, como você reagiu?

Todos aqui temos a consciência do quão difícil é penetrar no mercado musical norte-americano. Com certeza, o fato de uma banda brasileira ser pré-indicada ao GRAMMY USA em duas categorias foi algo inédito! Em um primeiro momento, custamos a acreditar, e ficamos mais felizes ainda ao saber que quase chegamos lá no momento da premiação. Isso foi com certeza um excelente sinal de que estamos no caminho certo!

 

7) Como foi produzir o álbum do Motorguts?

Foi uma das produções mais interessantes e divertidas que já fiz! Além do bom humor contagiante, uma das razões principais foi a própria banda, desprendida de rótulos e com o objetivo de fazer algo diferente e espontâneo. Alguns dos motivos do Luis Mariutti ter deixado a cena por um tempo são bem parecidos com alguns dos meus, o saco cheio da mesmice, do controle, da opressão artística vinda de diversos lados. Até mesmo a escolha do vocalista Fabio Colombini foi feita com esta visão. Ao contrário do que as pessoas poderiam imaginar inicialmente, eles realmente não queriam mais um clone do Andre Matos ou qualquer vocalista com vícios do metal melódico. Queriam alguém diferente, mais versátil, que também tocasse outros instrumentos, fosse um bom compositor e letrista, e que acrescentasse algo a mais na banda do que a simples figura do frontman. Quando entrei no estúdio com eles, a sensação foi similar a que sinto com o Remove Silence, a total liberdade de expressão. Acabei batizando a banda, algo que ainda possui o mecanismo do heavy metal, mas apresenta um som feito “de dentro” de cada um dos integrantes segundo suas vontades. O nome veio de uma música que compus há uns quinze anos, que ficou na gaveta esperando por uma oportunidade legal de ser usada. Foi regravada e está presente no álbum de estreia – Seven.

 

8) Comente como aconteceu o convite.

Na verdade, eu fui convidado a integrar a banda logo de cara, mas no momento não pude aceitar devido ao foco empregado ao Remove Silence. Acredito que quando você monta uma banda e a tem como objetivo de sequência de carreira, o foco deve ser direcionado totalmente a este trabalho. Não adianta ficar atirando para todos os lados de acordo com as necessidades ou oportunidades do momento e não pensar no futuro. Não é possível administrar bem uma carreira se nem você sabe para qual lado quer ir. É necessário manter o foco e direcionar apropriadamente as energias. Então, entrei no trabalho como produtor musical e tecladista, colaborando com os arranjos, oferecendo composições, gravando as tralhas eletrônicas e operando como engenheiro de áudio, além de conselheiro espiritual, psicólogo e guru, hehehe!

 

9) Você pretende produzir outras bandas?

Na verdade, eu trabalho com produção artística e como engenheiro de estúdio há quase vinte anos, mas não produzo bandas de heavy metal com tanta frequência. Por isso, talvez, algumas pessoas desta área ainda não conheçam muito bem estas minhas atividades. Nesta área, eu e meu sócio, o Ale Souza, nos aprofundamos mais ainda a partir do trabalho que fizemos com o produtor Roy Z no álbum Time To Be Free, do Andre Matos. A seguir, tivemos também uma enorme influência sobre a produção do álbum Mentalize, gravado aqui no nosso estúdio, coisa também que nem todos sabem. A partir destas experiências, começamos a produzir nossos próprios álbuns, como os três trabalhos do Remove Silence e, agora, este primeiro álbum do Motorguts. Após estas incursões, que foram muito elogiadas, as bandas deste estilo também têm nos procurado para produzir seus álbuns. O que faltava era apenas um pouco mais de exposição neste mercado para que pudessem nos conhecer melhor como produtores. A resposta está sendo excelente!

 

10) Quais os seus projetos para 2013? E a sua agenda?

O Remove Silence acaba de lançar um EP, chamado Little Piece Of Heaven, contendo remixes e novas versões de músicas do segundo álbum S.H.A., além de material inédito. Lançamos também recentemente uma série de vídeos com a banda tocando ao vivo em estúdio. Pretendemos também lançar mais um EP ainda este ano, pois além de existirem mais músicas que sobraram do último álbum, estamos em uma de nossas fases mais criativas e novos sons não param de aparecer. Estou também trabalhando muito com produção artística e sound design aqui no estúdio. No momento, estamos mixando o primeiro disco solo do Hugo Mariutti, um trabalho também muito peculiar quando se trata de um guitarrista expondo sua arte. Acho que será realmente um álbum surpreendente para quem o conhece. É uma empreitada recheada de bom gosto e contendo principalmente o que mais importa – músicas com profundidade e que têm algo a dizer.

 

11) O que você acha da cena do metal brasileiro atualmente?

Até onde eu acompanhei, com algumas exceções, é o retrato da desunião, do amadorismo, do egocentrismo e, principalmente, da estagnação musical. Não é por acaso que as coisas vão mal. As bandas não se renovam, não procuram novos horizontes, nem sequer se reinventam. As boas bandas de outrora insistem em viver do passado, com um medo bobo de perder o que resta de seu pequeno público alienado, ou simplesmente com preguiça de seguir em frente. E os novos nada fazem além de copiar os velhos. O estilo sempre foi underground, estamos carecas de saber, nunca tivemos apoio da grande mídia. Mas tivemos momentos muito melhores, coincidentemente em ocasiões quando algumas bandas brasileiras realmente criaram algo de novo no estilo. Foi o caso do Sepultura com o Roots, do agora moribundo Angra com o Holy Land, e do absolutamente falecido Shaman com o Ritual e, principalmente, com o Reason. O Shaman, por exemplo, acabava de decidir pelo caminho certo quando mais uma das típicas crises de ego, muito comuns nesta cena, destruiu a banda. As outras duas sofrem agora os mesmos danos devido aos mesmos problemas. Apenas o Sepultura consegue se manter, mas não como antes na época de ouro da banda… No mundo atual, com acesso imediato a uma infinidade de bandas através da internet, é impossível se destacar, a menos que você faça algo realmente diferente. Se você faz um som igual ao do vizinho, pode esquecer. É justamente a partir desta atitude que estamos colhendo os melhores frutos com o Remove Silence, cujos mais comuns adjetivos recebidos são “original” e “inovador”. É realmente gratificante perceber que estamos conseguindo realizar um dos objetivos mais difíceis na música atual.

Outra coisa que os músicos deste estilo precisam saber é que música é o resultado de um trabalho em conjunto, e que o resultado final é o que vai atingir o público. O que mais se vê em bandas de Heavy Metal, principalmente no Brasil, é uma mostra sem sentido de individualismo por parte de cada integrante. A grande maioria pensa na técnica de seu instrumento em particular antes de pensar na música. O baterista vai levar aquela bateria enorme, mesmo que não use tudo e toque mal, só para chamar a atenção do público. O guitarrista vai aumentar o volume acima do restante da banda, nos solos e nas bases, e vai disparar milhares de notas a esmo sem pestanejar. O vocalista continuará a se vestir ridiculamente para ganhar as groupies e se esgoelar tentando atingir notas que não consegue para impressionar o vocalista da banda concorrente… Peraí, banda concorrente??? Sim, existe esta visão estúpida! Existe concorrência até mesmo dentro de uma mesma banda, caso você tenha um débil mental dentro dela, já enfrentei esta situação. Determinados compositores fazem música já pensando em que partes seu instrumento pode ter destaque. Meu amigo, se o seu objetivo principal é exibir individualmente suas técnicas onanistas em seu instrumento, monte um trabalho solo e se esbalde. Mas esteja ciente de que o risco de entregar um trabalho extremamente chato é enorme. O tecladista é músico contratado, não apita e não entra na questão, tem o direito de permanecer calado e no escuro antes que o baterista egocêntrico ameace tirar o cara da banda porque seus teclados estão tirando a atenção do público da batera…

E temos também como agravante o amadorismo explícito e descontrolado por parte das bandas, produtores, managers e contratantes quando se trata da realização de registros fonográficos e eventos ao vivo do estilo. Na área de gravação, é só comparar nossos trabalhos com os de fora para sabermos o quanto estamos atrasados em know-how. Somente agora a coisa começou a melhorar um pouco. A aparelhagem não é mais desculpa, temos de tudo atualmente, e gravar bem nunca foi tão fácil. O que falta mesmo é saber como. É de se contar nos dedos de uma só mão os bons produtores deste estilo por aqui. Alguns se autoproclamam produtores musicais sem se darem conta de que, aos olhos dos profissionais, chegam a ser uma piada! Como consequência, o mesmo acontece com os discos de metal brasileiros, apenas alguns são bons.

Na área de shows, estamos também engatinhando, parece que nada mudou dos anos oitenta para cá, e, se mudou, foi para pior em vários aspectos. Hoje em dia, para bandas de pequeno e médio porte, é praticamente impossível realizar um evento com profissionalismo, em qualquer lugar que seja, a menos que alguém banque. E, nesse caso, a música vai falar mais alto. Não adianta ter dinheiro para promover sua banda se seu som é um saco. Este amadorismo por parte de donos de casas de show e contratantes no Brasil é uma das razões que restringem os shows do Remove Silence por aqui. Infelizmente, não podemos nos submeter a determinadas condições insuficientes para a realização do nosso trabalho com qualidade. Seria um desrespeito com o público e com nós mesmos. Procuramos alternativas para circundar o problema até que a situação se acomode, tentamos ser criativos neste momento.

Outro ponto preocupante é a invasão das bandas Cover, que gerou um círculo vicioso praticamente intransponível entre donos de casas de show e público. Na prática, isso está somente prejudicando o cenário, deixando o público mais mal acostumado e preguiçoso ainda, enriquecendo donos de bares (que estão mais preocupados em trocar os copos por modelos mais bonitos, mas não trocam a única tomada de rede elétrica do palco), sepultando boas bandas e artistas e enterrando a verdadeira música brasileira. Esta é uma questão delicada, pois o Cover é uma forma de aprendizado muito útil para os iniciantes, e uma forma de mostrar a cara mais facilmente no início de carreira, mas jamais pode ser tomada como profissão a longo prazo. A coisa não era desse jeito no Brasil e é bem diferente em outros países onde as pessoas têm mais orgulho de si mesmas. Quando o rock e o heavy metal começaram a ter suas bandas por aqui, praticamente todas eram autorais. Uma infinidade delas, algumas das quais vieram a se tornar grandes posteriormente e estão aí até hoje. Nós viemos desta escola. Bares de São Paulo como o saudoso Black Jack colocavam estas bandas em sua programação as sextas e sábados, com a casa sempre lotada. Existiam boas casas de médio porte como o Dama Xoc e o AeroAnta, acessíveis ao nosso segmento, que conseguiam se manter muito bem com bandas autorais porque o público pesquisava mais e comparecia. O público tinha interesse, corria atrás, procurava saber, não esperava cair do céu. Até as pequenas bandas tinham uma legião de fãs que as seguiam até os mais distantes buracos. E sequer internet existia. Hoje o público está alienado e acomodado. A meu ver, a quebra deste círculo é de responsabilidade dos músicos. O Cover é muito diferente da interpretação ou releitura da música de alguém, é uma cópia, e isso não condiz com o conceito de “artista”. Use o Cover apenas como aprendizado. Não seja um clone vazio, seja você mesmo, mostre sua arte. Não foi para isso que você começou a aprender a tocar seu instrumento? Ou foi para pegar menininhas e quem sabe receber uma ou duas cervejas de cachê? E quando você tiver cinquenta anos, como fica? O resultado a longo prazo da música autoral é muito mais gratificante, garanto. Você terá ao menos deixado algo de bom para alguém apreciar no futuro aqui nessa terra esquisita. Já o Cover… Bem, eu me lembro dos Originais que já se foram…

 

12) Qual seu sentimento de fazer parte da história do metal brasileiro?

Um misto de boa nostalgia, algumas ótimas lembranças, e uma certa dose de “bode”. Estive em duas das mais glorificadas bandas de heavy metal do país, e ambas foram desmanteladas por conta do ego de seus integrantes, das atitudes ilícitas de managers inescrupulosos, e da total falta de vontade de continuar inovando e fazendo algo realmente bom no estilo. Poderíamos ter chegado muito mais longe não fosse a falta de caráter de alguns, aliada às ambições individualistas de outros e às visões “tapadas” de mais alguns. A parte boa é que foram tempos muito divertidos e, sem dúvida, muito importantes para o desenvolvimento da minha carreira. A experiência é a base de tudo, todos temos que passar por certas coisas para que possamos aprender e evoluir.

13) Que música você mais gosta da qual tenha participado da gravação.

É muito difícil citar apenas uma. O estúdio é como minha segunda casa, passo mais tempo no ar condicionado que em qualquer outro lugar. Os álbuns do Remove Silence foram com certeza os mais divertidos que já gravei. Fazia muito tempo que eu não tinha liberdade total no estúdio, sendo assim aproveitei ao máximo! Como disse, sou apaixonado por tecnologia e instrumentos eletrônicos. Isso nesta banda é o grande alicerce da sonoridade geral, então gravar com esses caras é um experiência única e sem limites para mim. É muito difícil eu não me autocriticar, sou um virginiano incontrolável! Dos quase quarenta álbuns que já gravei, são poucos os que realmente gosto. Além do Reason, do Shaman, e do Time To Be Free, do Andre Matos, posso dizer que os três trabalhos do Remove Silence são sem sombra de dúvidas os que mais me agradam. Destes, posso destacar algumas faixas como Admirable, Last Days, e também a nova versão de Taste Of Iron que fizemos para o EP Little Piece Of Heaven, usando unicamente os pequenos sintetizadores analógicos da série Korg monotron. Foi uma experiência incrível que nos levou de volta aos maravilhosos tempos da síntese analógica, um universo a parte, de uma forma muito divertida!

 

14) Fabio, como você recebe as indicações de melhor tecladista?

Atualmente, quando você aparece nestas listas de “Melhores do Ano” em revistas e sites brasileiros de heavy metal, para falar a verdade, você fica na dúvida sem saber se você é bom ou ruim, tamanha a falta de bom senso de alguns jornalistas que organizam estas coisas. Se fosse em revistas de música pop então, a coisa seria pior ainda. Com os tecladistas, a coisa é um pouco mais amena, somos poucos, então os que se destacam são realmente bons. Não estou generalizando, mas também não somos cegos, muito menos surdos. Se realmente é o público que vota, sem alteração de resultados, caramba, como é possível eleger algumas bandas e músicos como melhores do estilo toda hora há mais de décadas? O Iron Maiden é um exemplo. Fui fã de carteirinha, fervoroso mesmo, na adolescência. Mas convenhamos, com exceção de uma música ou outra, os caras não fazem nada muito legal desde os idos do excelente Powerslave, isso foi em 1984! Quase trinta anos! Nesse caso, então, talvez possa ser constatada a alienação de um público retrógrado, limitado e completamente desinteressado por coisas novas… Parece até a comprovação daquela piadinha que diz que os metaleiros, quando gostam de algo fora do metal, têm vergonha de contar para os amigos. Tanta coisa boa por aí e o negócio se repete, se repete… O mesmo acontece com resenhas de álbuns e shows, muitas vezes feitas por pessoas que simplesmente não entendem nada de música, não possuem embasamento e referências boas, não conhecem absolutamente nada fora do mundinho metal, e ainda por cima são tendenciosas. Já sentimos boicotes ao Remove Silence em alguns veículos especializados em metal, talvez porque sejamos uma espécie de alienígenas para alguns jornalistas bitolados, ou talvez sejam apenas sequelas de erros do passado cometidos por outras pessoas com as quais tivemos relações profissionais e que acabam sobrando para quem não tem nada a ver com o problema. É triste saber que o vírus da mídia comprada e corrompida atinge também alguns veículos deste segmento. Alguns são muito legais, mas infelizmente não é o caso da maioria.

Não quero parecer contraditório após este comentário, mas, claro, é sempre muito gratificante ver que meu nome está nestas listas há mais de vinte anos e eu continuo sendo reconhecido pelo meu trabalho. Não faço média com ninguém, então o nome deve estar lá por razões verdadeiras, por respeito do público mesmo. Não há sensação melhor do que perceber que o que você faz gera boas sensações nas pessoas, afinal esse é o grande objetivo da coisa toda. Por isso, sempre trato todos os fãs e admiradores com muito respeito e carinho, eles sim ditam as regras e são os grandes responsáveis por nossas conquistas até aqui! Ninguém mais!

 

15) Obrigada pela entrevista e, para finalizar, deixe uma mensagem para quem curte o seu trabalho e os leitores do X-Press On.

Agradeço a X-Press On pela excelente oportunidade. Apesar das inevitáveis agulhadas que sou obrigado a distribuir quando alguns assuntos são abordados e desse meu jeito irônico de relatar as coisas, sou uma pessoa extremamente otimista, muito paciente e extremamente bem humorada. Se uma vez ou outra posso parecer arrogante ou pretensioso para quem não me conhece, como em uma situação como esta, isto é uma simples amostra da sinceridade. Prezo pela sinceridade em primeiro lugar, isso é o mais importante de tudo. É muito difícil ser sincero atualmente sem ofender ninguém. As pessoas nunca consideram suas palavras como críticas construtivas. Acho que, se as pessoas neste meio agissem assim, a coisa estaria bem melhor para todos. Aliás, a minha paciência e o meu amor pela música são as duas únicas coisas que me mantêm inabalado nesta história toda. Se qualquer um dos dois itens tivesse uma menor intensidade, eu já teria acumulado diversos processos na justiça, teria desenvolvido uma úlcera e desistido de tudo. Então, acho que o melhor caminho é a perseverança, a atitude, a visão de um objetivo de carreira claro, e, principalmente, a paciência. As coisas não acontecem da noite para o dia e muita gente vai querer te derrubar e te esconder, principalmente caso se sentirem “ameaçadas” pelo seu talento, se é que isso é cabível. Tenha muita paciência, ignore os medíocres e responsabilize-se pelo seu lado da coisa com profissionalismo e boas intenções. A recompensa após retirar todas as pedras do caminho é muito agradável, de verdade! Agradeço de coração a todos que me incentivaram e me ajudaram a escalar a montanha até aqui. Mas esta é apenas metade da viagem… Vamos seguir em frente, para cima e para o futuro! Sigam-me os bons, hehehe!

About Janus

Janus Aureus is my recently-inaugurated personal blog (written in portuguese, but with some texts in english as well). Fiore Rouge is my old (but still very active - in fact, more than Janus :P) blog (I started it back in 2005). Mentalize is a fan-made website (since 2005). if you wish to contact me for any reason, visit my blog and leave a comment OR see email above (top left) - no, my name's not Andre - actually, I'm not even a guy! LOL Long story... O Janus Aureus é meu blog pessoal - escrito em português - ainda sem muito conteúdo, pois foi começado no final de dezembro de 2011. Já o Mentalize foi aberto em 2005 e está escrito em várias línguas *rs* Privilegio o uso do inglês ali porque o pessoal estrangeiro não tem muitas informações sobre o AM. Quem quiser entrar em contato comigo por qualquer motivo, deixe um comentário nos meus blogs ou use o email que está aí em cima à esquerda (e não, eu não sou o Andre - aliás, sou mulher!).

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